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221. Conhece o mundo mas casa com uma portuguesa

* No tempo em que os homens portugueses tinham bigode e barriga, as mulheres portuguesas eram como as sardinhas – pequenas e “gostosinhas”. Hoje são tubarões e a prova é que os homens portugueses já não podem ter nem bigode nem barriga, sob pena de irem cano abaixo tal qual peixinho morto. A minha memória mais remota é a minha Avó Emília que nos últimos 90 e alguns anos de vida continuava a meter em sentido os 42 descendentes directos, e alguns já avôs também. Segue-se a minha mãe e tua “vó Gusta”, que com pouco mais de metro e meio de gente, conseguiu educar quatro homens bem mais altos que ela (eu, os teus dois tios e o teu avô Tino, que, segundo ela, não sabia se vestir quando a conheceu), em tempos bem piores que os actuais. No entretanto, entrou na minha vida a minha segunda mãe, para ti “Vó Didi”, resistente que nem o aço inoxidável e com quem ninguém faz farinha e aquela que é a grande mulher da minha vida, a senhora minha mulher e tua mãe (aka “Mãmã Lena”). E digo senhora minha mulher não por ter medo que me meta as malas à porta mas porque reúne a essência da mulher portuguesa da actualidade – cada vez mais gira e bem vestida, inteligente, ambiciosa, bem formada, muito determinada e cada vez menos complacente com atitudes machistas. Por isso, o mundo para conhecer e uma portuguesa para casar!

(Mas há dúvidas?)

*Se reparaste o papá não escreveu ontem este conselho e foi até recuperar parte de um texto que escreveu há uns anos para completar o mesmo mas é porque ando a trabalhar muito para ter tostões para poderes comprar os bolinhos na senhora da praça e a gelatina que fazemos os dois ao fim-de-semana

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207. Apaixona-te por coisas antigas

As coisas antigas são como livros, algumas já sabes o fantástico que são e outras, totalmente desconhecidas, podem virar uma bela surpresa. A tua mãe diria que gostamos de coisas antigas pela ligação às nossas vidas passadas e a momentos que tivemos com elas nessas vidas. Eu acredito que esse pode ser um factor (14 anos com a tua mãe têm dado os seus frutos sobre a minha racionalidade obtusa) mas outro muito importante é porque nos liga a quem nos antecedeu, o que muitas vezes origina histórias ricas com objectos pobres. O meu melhor exemplo é o  galheteiro de azeite com a boca partida da tua bisavó paterna Emília que nunca foi substítuido em três gerações e 42 descendentes directos. Para esses ainda hoje representa azeite rico e uma sopa de feijão única numa panela de três pés. Tu próprio adoras neste momento os telefones de disco antigos (será que foste telefonista na vida anterior?) ou os vinis riscados do José Cid, da Edith Piaf ou da dança do Zorba. Com o passar dos anos vais ver que a tua vida é uma história de histórias, algumas tuas, outras de alguém que te precedeu. Apaixona-te por todas.

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(Relógio que acompanhou o teu avô Tino mais de 50 anos segundo sei; imagina as histórias de aventuras e desventuras que viveu; a última já foi comigo, quando fui pedir para trocar a pilha e o relojoeiro muito indignado perguntou-me se estava a gozar, porque é um relógio a corda; sim antes do teu smartwatch carregado via wireless existiam telefones a pilhas e, antes disso, a corda!)