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208. Encontra a profissão que amas para não ter que trabalhar

“Escolhe a profissão que amas e nunca terás que trabalhar um único dia da tua vida” disse o Confúcio há uns anitos atrás, alguns mais do que aqueles em que o papá ouvia música naquelas coisas estranhas chamadas K7. A realidade é que muitas vezes deixas de sonhar no teu trabalho e começas a vê-lo literalmente como a palavra o indica, “trabalho”. Tal como “sogra” e “madrasta” são palavras que têm uma carga negativa que te dá vontade de fugir delas (por estes dias a tua é “escola”). Não te vou mentir que vais ter, se calhar, que passar por vários trabalhos na vida, e poderás não ter a sorte que eu tive com a tua Avó materna Didi que é uma segunda mãe para mim, mas, raios, andas cá neste mundo meia dúzia de dias, porque é que não hás-de procurar a profissão que amas e com que te divertes todos os dias? Mais, profissões podes experimentar muitas, já sogras, não tens hipótese de trocar com tanta facilidade.

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(Penso que não precisas de legendas)

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207. Apaixona-te por coisas antigas

As coisas antigas são como livros, algumas já sabes o fantástico que são e outras, totalmente desconhecidas, podem virar uma bela surpresa. A tua mãe diria que gostamos de coisas antigas pela ligação às nossas vidas passadas e a momentos que tivemos com elas nessas vidas. Eu acredito que esse pode ser um factor (14 anos com a tua mãe têm dado os seus frutos sobre a minha racionalidade obtusa) mas outro muito importante é porque nos liga a quem nos antecedeu, o que muitas vezes origina histórias ricas com objectos pobres. O meu melhor exemplo é o  galheteiro de azeite com a boca partida da tua bisavó paterna Emília que nunca foi substítuido em três gerações e 42 descendentes directos. Para esses ainda hoje representa azeite rico e uma sopa de feijão única numa panela de três pés. Tu próprio adoras neste momento os telefones de disco antigos (será que foste telefonista na vida anterior?) ou os vinis riscados do José Cid, da Edith Piaf ou da dança do Zorba. Com o passar dos anos vais ver que a tua vida é uma história de histórias, algumas tuas, outras de alguém que te precedeu. Apaixona-te por todas.

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(Relógio que acompanhou o teu avô Tino mais de 50 anos segundo sei; imagina as histórias de aventuras e desventuras que viveu; a última já foi comigo, quando fui pedir para trocar a pilha e o relojoeiro muito indignado perguntou-me se estava a gozar, porque é um relógio a corda; sim antes do teu smartwatch carregado via wireless existiam telefones a pilhas e, antes disso, a corda!)

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206. Não faças o amor virtual

O amor virtual é como o amor em sítios públicos, tu nunca sabes quem está a ver e onde é que o mesmo pode ir parar neste mundo. A intimidade é para ser explorada em privado (e não filmada) porque não sabes o que vais fazer amanhã e uma “cassete de amor”, como a história o tem provado, só funciona se a visada for uma mulher gira.

(Não digas que eu não te avisei…)

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205. Não confies na mudança dos outros

A capacidade de mudança do ser humano é tão díficil como um benfiquista virar sportinguista e vice-versa. Esperares que os outros mudem de hábitos que têm há muito anos de um dia para o outro é saudável mas é melhor jogares pelo seguro sempre que te seja possível. Tu próprio vais ganhar hábitos muito complicados de perder mas faz parte da vida procurar em permanência seres melhor, por ti e pelos outros. Para já, faz lá o esforço de deixar as fraldas, please.

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204. Não acuses ninguém sem antes analisares os dois lados

Acusar alguém com base num lado só é tão comum como o Jake ganhar ao Capitão Gancho. Vais ver com o passar dos anos que é cada vez mais díficil perceber quem tem razão ou não tem e o quão importante é ouvir os dois lados, ainda que na maior parte das vezes não tenhas a vontade de o fazer. Um dos grandes ensinamentos que me deixou o teu avô Tino foi o de quando apontas o dedo a alguém com a tua mão teres sempre dois dedos que apontam para a frente e três que apontam para trás. Se tiveres dúvidas hoje e até te auto-sustentares é fácil saber quem tem sempre razão…o pai ou a mãe.

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(Pronto, para além do pai e da mãe, O Sabichão também tem sempre razão)