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217. Escolhe um bom nome para os teus filhos

Os nomes são como as tatuagens, mal escolhidos são uma vida inteira de vergonha. No entanto, escolher um nome para um filho teu deve obedecer a algo místico. Por exemplo a tua mãe chama-se Helena por causa da atriz Helena Isabel e também por causa da cantora Lena de Água. Já eu chamo-me João e Paulo por causa dos dois apóstolos que seguiram Jesus (assim como o meu irmão e teu tio Pedro). Tu chamas-te Francisco porque era assim que se chamava o teu bisavô materno, e quisemos homenageá-lo com este nome que tem o significado místico de “homem livre”. A tua mãe não me deixou (e bem) que tivesses o sobrenome Amor do teu também avô Francisco. Eu achava que te faria mais único mas lá está, uma tatuagem bem feita pode ser estragada por outra ao lado mais peculiar. Hoje já podes remover as tatuagens como trocar de nome e não, não te preocupes quando te digo que te chamas Francisco Papa Açordas Belharuco Gouveia dos Santos, o Papa Açordas e o Belharuco são apenas “tatuagens temporárias” que uso para que te rias comigo.

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(Hoje foi dia da Helena, dia da Mamã!)

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215. Compra cultura popular Portuguesa

A Cultura Popular Portuguesa (CPP) é como os pastéis de Belém, nunca falha, tem sempre piada, é um marco da nossa personalidade única e é para ser sempre consumida em doses elevadas de cada vez. A primeira referência de CPP que tiveste acesso foi uma concertina de brincar, ao que se seguiram os tão amados vinis do “20 anos” do José Cid e do “Que bela a vida” do Roberto Leal. Vieram depois uma série de outras (vinis, louça Bordalo Pinheiro, etc), sendo a última a que coloco já abaixo, de um memorável boneco das Caldas. Da música, ao artesanato, aos veículos, roupas, material escolar, sabão, entre outros, há todo um sem fim de CPP que deves procurar ter e, se possível, levar contigo para onde quer que vás para o estrangeiro, mais não seja para mostrares que Portugal é mais do que (o fabuloso) Ronaldo e “batatas com bacalhau”.

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214. Se algum amigo tiver um macaco no nariz, avisa-o

A amizade é como o álcool, às vezes (reitero, às vezes) é preciso aprofundar significativamente para se entender melhor aspetos incompreensíveis à primeira vista. Um verdadeiro amigo deve dar a sua verdadeira opinião sempre que a peçam, reitero, sempre que a peçam e não porque te vai na cabeça opinar sobre tudo. No entanto, existem algumas circunstâncias em que deves alertar os teus amigos mesmo que não te estejam a pedir opinião, como sendo um macaco no nariz, uma braguilha aberta, a sentir-se bêbados quando passaram a noite a beber bebidas sem álcool, estarem a pensar curtir com a mulher de outro grande amigo, enfim, todas aquelas em que até podem ter piada durante alguns segundos (dias ou mesmo anos) mas que convirá alertar pelo bom nome dos mesmos e pela tua amizade.

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(Os dois grandes amigos do teu pai, o tio Casaca e o tio Rente. Já passamos por algumas histórias juntos e formamos os Trio Admira, como eles te poderão contar)

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213. Lembra-te do aniversário da mamã

O aniversário da mamã é como a data memorável em que compraste o primeiro carro mas…muito mais importante! O ser humano mais importante neste mundo para ti sempre foi e digo-te que deve continuar a ser a tua mamã. Por muito má que ela seja (duvido que é um “caranguejo” dócil, esperto, inteligente, belo e, vá, algo divertidamente desorganizado), não te esqueças que foi ela que te fez transitar de um pequeno girino para um recém-nascido com 4,680kg e para o “arrobas” que agora és como o teu avô Elias te chama. Houve uma grande ajuda dos teus avós maternos, e alguma do papá e agora das professoras mas se reparares em 95% das vezes que tens um problema chama-la sempre a ela (podes continuar assim que eu agradeço). Neste sentido, é crítico que te lembres sempre do aniversário da mamã e lhe faças ou compres uma prenda (recomendo aqueles cartões fabulosos das lojas de roupa que ela adora por ser uma verdadeira fashionista). Mais, lembra-te sempre que ela nunca terá mais que 30 anos (como todas as mulheres deste mundo), pelo que a prenda é sempre pelo trigésimo aniversário (mas diz sempre parabéns pelos 30 anos, que soa melhor).

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(Diz lá se a tua mãe mesmo grávida de ti com mais alguns quilinhos não esteve sempre giraça)

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212. Aproveita as férias ao máximo

As férias são como o gelado, calham bem no verão, inverno, outono ou primavera e nunca são a mais se forem usadas com cabeça. Seja em casa, no teu fantástico país, que tem muito para descobrir, na Europa ou em qualquer outra região do mundo, aproveita para te divertir, para fazer coisas que vens adiando, dar uma volta à tua tralha, “libertar a franga”, enfim, iniciar um novo ciclo na tua vida, se for caso disso. Apesar de não o achares, o período em que estudas na tua vida será o que poderás aproveitar mais as férias, pois regra geral são dois a três meses de boa vida. Quando começares a trabalhar serão, em princípio, 22 dias, dos quais sugiro que tires três semanas seguidas, para descansar realmente, coloques o teu dia de anos; se já tiveres namorada, o dia de anos dela, e vá uns dias antes e depois da passagem de ano. Pelo caminho faz um interrail, acampa, passa uma semana num hotel de topo e sempre mas sempre, desliga, simplesmente desliga do teu dia-a-dia habitual.

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(As tuas primeiras férias no estrangeiro e a primeira vez que andaste de avião foi agora – Punta Cana; portaste-te lindamente e parece-me que foste das poucas pessoas que foram para lá que vieram mais magras, pois não paraste de correr, mesmo com o bafo de calor)

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211. Não percas a esperança

A esperança é como a energia, podes sempre ter mais um pouco para dar a ti próprio e aos outros. O difícil na vida é vivê-la, sendo que em cada etapa vais sentir que os obstáculos são inultrapassáveis mas se os olhares duas etapas à frente vão-te parecer irrisórios. Mais, aquilo que hoje te atormenta muito provavelmente daqui a uma semana já esqueceste. Importante é manteres a esperança em ti e nos outros, na mudança, na luz ao fundo do túnel por muito escuro que te pareça o presente. E vais ter muitos momentos de escuridão mas até esses se fores inteligente vão-te permitir perceber melhor a ti e a quem te rodeia. Eu tenho tanta esperança que sejas um homem grande, maior do que eu, como e acima de tudo, um grande homem.

(A esperança muitas vezes vem das pessoas que menos se espera)

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210. Larga as “chuchas” da vida

As “chuchas” da vida são como a mamã, estão sempre lá para te “aparar os golpes”, fazendo mais mal que bem em algumas circunstâncias (não posso dizer muitas que a tua mãe lê estes conselhos). Exemplos concretos de “chuchas”: as fraldas que te deixam até à data andar “aliviado” mas libertam cheiros nefastos; a chucha propriamente dita, o teu grande vício do momento (mas até te dava 20 em troca de largares as fraldas), questiona-te, que sentido faz puxares com a boca por algo que não liberta nada?; os refrigerantes ou os doces, sabem tão bem mas fazem tão mal (sobretudo a partir dos 30, que digam os quilos a mais do teu pai); o álcool, sem comentários; o sacana do mappling e zapping, inimigos das atividades físicas e outdoor; a cama, com a vontade que já se te assoma de não sair dela; enfim, todas aquelas ações ou coisas que sabem bem mas acrescentam pouco à tua vida. Mas esperança, que também há “chuchas” boas, como os amigos, a praia, as mulheres e claro, a mais importante de todas, o papá, o sábio dos sábios que só te ensina coisas inteligentes e úteis como as marcas dos carros.

Foto by Hello Twiggs

(Boa “chucha” o teu cota, não?)

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209. Paga as tuas contas atempadamente

As contas são como datas importantes da vida daqueles que amas, não as deves esquecer mesmo, com a pequena diferença que ao invés de teres a namorada, mãe ou outra pessoa querida a chamar-te à atenção, podes ter os “amigos” das finanças ou de outro tipo, até um pouco mais “simpáticos”, para te “cobrar” essa falha. Três soluções infalíveis para não teres problemas de contas: agenda, excel e a que aprendi desde que comecei a ganhar os meus trocados…não comprar.

(De todos os dias que tens que memorizar, este tenho a certeza que te vais lembrar sempre)

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208. Encontra a profissão que amas para não ter que trabalhar

“Escolhe a profissão que amas e nunca terás que trabalhar um único dia da tua vida” disse o Confúcio há uns anitos atrás, alguns mais do que aqueles em que o papá ouvia música naquelas coisas estranhas chamadas K7. A realidade é que muitas vezes deixas de sonhar no teu trabalho e começas a vê-lo literalmente como a palavra o indica, “trabalho”. Tal como “sogra” e “madrasta” são palavras que têm uma carga negativa que te dá vontade de fugir delas (por estes dias a tua é “escola”). Não te vou mentir que vais ter, se calhar, que passar por vários trabalhos na vida, e poderás não ter a sorte que eu tive com a tua Avó materna Didi que é uma segunda mãe para mim, mas, raios, andas cá neste mundo meia dúzia de dias, porque é que não hás-de procurar a profissão que amas e com que te divertes todos os dias? Mais, profissões podes experimentar muitas, já sogras, não tens hipótese de trocar com tanta facilidade.

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(Penso que não precisas de legendas)

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207. Apaixona-te por coisas antigas

As coisas antigas são como livros, algumas já sabes o fantástico que são e outras, totalmente desconhecidas, podem virar uma bela surpresa. A tua mãe diria que gostamos de coisas antigas pela ligação às nossas vidas passadas e a momentos que tivemos com elas nessas vidas. Eu acredito que esse pode ser um factor (14 anos com a tua mãe têm dado os seus frutos sobre a minha racionalidade obtusa) mas outro muito importante é porque nos liga a quem nos antecedeu, o que muitas vezes origina histórias ricas com objectos pobres. O meu melhor exemplo é o  galheteiro de azeite com a boca partida da tua bisavó paterna Emília que nunca foi substítuido em três gerações e 42 descendentes directos. Para esses ainda hoje representa azeite rico e uma sopa de feijão única numa panela de três pés. Tu próprio adoras neste momento os telefones de disco antigos (será que foste telefonista na vida anterior?) ou os vinis riscados do José Cid, da Edith Piaf ou da dança do Zorba. Com o passar dos anos vais ver que a tua vida é uma história de histórias, algumas tuas, outras de alguém que te precedeu. Apaixona-te por todas.

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(Relógio que acompanhou o teu avô Tino mais de 50 anos segundo sei; imagina as histórias de aventuras e desventuras que viveu; a última já foi comigo, quando fui pedir para trocar a pilha e o relojoeiro muito indignado perguntou-me se estava a gozar, porque é um relógio a corda; sim antes do teu smartwatch carregado via wireless existiam telefones a pilhas e, antes disso, a corda!)