Teres mais do que duas almofadas na tua cama é como teres mais do que duas garrafas de cerveja nas mãos, só estorvam e perdes toda a frescura e manobrabilidade. Se te apetece mais do que duas almofadas (ou cervejas) é para isso é que existem os sofás (e as geleiras).
180. Divide o teu dinheiro por mais do que um banco
Os bancos são como os sistemas operativos, por muito que te pareçam fiáveis e perfeitos, em algum momento podem ter uma falha grave ou até deixarem de existir. Como tal, por muito pouco dinheiro que tenhas, coloca o mesmo em mais do que um banco (ou, nesta fase dos teus dois anos, em mais do que um porquinho; por exemplo, um na casa dos pais e outro na casa dos avós, que os juros assim até são maiores).
PS: Os casinos, euromilhões ou outros sítios ou maneiras onde podes “ganhar” dinheiro de forma muito rápida não contam como bancos.
179. Não adormeças na praia
Adormecer na praia é como passares a noite a atirares-te às miúdas dos outros, a probabilidade de te magoares seriamente é elevada. Na praia como na noite, a proteção é a palavra-chave. Na praia apostas no protetor solar e na companhia para evitar os escaldões. Na noite, manténs a companhia (mas ajuizada, não da incentivadora) e levas borrachinha (daqui a uns anos, quando entrares na primária e levares a primeira para a escola o pai explica o que é).
PS:na praia, também nunca te deites muito tempo de barriga para baixo. No dia em que te esqueceres deste mini-conselho vais perceber.
178. Não sejas um cobarde da net
Um cobarde da net é como um adepto que chama nomes ao treinador do terceiro anel. Apesar da internet ser anárquica e poderes dizer o que quiseres sem ninguém te fazer mal, isso não te dá o direito de faltares ao respeito a alguém, ou pior, gozares sem escrúpulos da miséria alheia. Basta leres os comentários a muitas notícias tristes do dia-a-dia para veres a quantidade de desumanidade, estupidez e grande cobardia que por aí anda atrás de um teclado de computador. Se queres comentar cobardemente , desliga o computador ou o telemóvel e sai à rua e corre, olha para o céu, manda uma mensagem positiva a alguém, faz alguma coisa que te torne uma pessoa melhor. Cocó, como estás a aprender agora, pertence ao penico, não à net.
177. Escreve as mensagens de baixo para cima
As mensagens são como as casas, constroém-se da base para o topo para não dar m…problemas! Um email ou uma mensagem de telemóvel deves começar sempre pelo corpo da mensagem, passar para o assunto e só depois para o destinatário. Antes de enviar voltas a reler tudo para ver se está tudo bem. O teu pai não quer saber às 4h de um Sábado que “é a miúda mais louca com que alguma vez dormiste” ou abrir o email do trabalho e ter um vídeo teu a beber um metro e meio de cerveja a dizer “mais meio metro que tu, Puto! Fod*-**”!
176. Visita uma casa abandonada
As casas abandonadas são como os idosos, reservam histórias surpreendentes e merecem ser vistas/ ouvidas com toda a atenção. Pelo menos uma vez na vida entra numa casa abandonada com alguém que conheça a sua história. O mesmo te digo com os idosos com que te cruzas. Tem a paciência para escutar as suas histórias de vida e vais ganhar muita sabedoria e esperteza.
175. Vai a festivais de música
Os festivais de música são como as “loiras fresquinhas”*, nunca são a mais mesmo que no dia a seguir te deixem desgraçado. Tens boa música, miúdas giras, boa comida, miúdas giras, bom convívio e não sei se já disse mas há muitas miúdas giras. Vivem-se momentos únicos nos festivais de música, só explicáveis quando os vives por dentro. Recordo assim de repente de me ver no meio de uma batalha “relval” (sim relva mesmo e a voar por todo o lado e porrada de meia noite) enquanto ouvia num festival os Deftones, ou ver a tua mãe quase a cair para o lado a ouvir Dave Matthews Band com o sono noutro ou ainda de apanhar uma garrafa de água do Manuel Cruz dos Ornatos Violeta e guardá-la religiosamente tal qual fã louca num outro, entre muitas outras histórias que te conto pessoalmente. Reitero, festivais de música (e jogos de futebol!) é para viver no terreno. Já te disse que há por lá muita miúda gira?
*Pergunta ao teu tio Migueelllll que ele explica o que são “Loiras Fresquinhas”
174. Valoriza sem necessidade de ausência
O valor de quem te rodeia é muitas vezes como o papel higiénico, só o atribuis quando está em falta. Vives cada vez mais no mundo do “sempre ligado” em que tens família e amigos à distância de um telemóvel ou computador mas a realidade é que a maioria de nós (eu incluído) esquece essa distância e o valor que familiares e amigos têm ou tiveram na nossa vida. Todas as semanas manda uma mensagem ou liga para um amigo ou familiar que já não fales há algum tempo, assim como e sobretudo, valoriza aqueles que te estão mais próximos, elogia-os, abraça-os, leva-os a beber um copo. O dia de amanhã pode mudar tudo e não deves ficar com arrependimentos de algo que podias ter feito em dois minutos, porque achavas que ias ter mais uma oportunidade de estar com essa pessoa.
PS: todas as semanas verifica também quantos rolos de papel higiénico tens em casa. Menos que dois deves comprar mais.
173. Acaba o que começaste
Acabar o que começaste é tão importante como meteres um novo rolo de papel higiénico quando acabaste o anterior, alguém sai prejudicado se o não fizeres (quase sempre tu). Vem isto a propósito de não te vir colocar aqui conselhos há algum tempo. Começar algo é fácil mas levá-lo até ao fim é cada vez mais difícil nesta sociedade dos 1000 à hora. Dou-te um outro exemplo, agora que chegaram os dias de sol, muita gente começa as dietas para o Verão mas em alguns casos nem até ao final de uma semana duram. Vale mais uma tarefa bem executada que dez mal feitas. No entanto, entre o bom e o ótimo, se o bom te permitir dar mais e não falhares o que prometeste, deixa o ótimo para quando seja possível (por exemplo, quando fazes algo para os teus pais como arrumar perfeitamente o teu quarto, fazer perfeitamente os teus trabalhos, entre outros perfeitos).
172. Não boicotes as fotos de família
As fotos de família são como as borbulhas, na altura são muito inconvenientes mas mais tarde dão origem a algo muito belo (pelo menos no caso da carinha laroca da tua mãe). Três sessões feitas até hoje e só em uma é que sorriste mais que uma vez. Ter presença não é ter mau feitio pelo que aprende que as fotos de família são momentos que mais tarde vais gostar de recordar pela positiva. O único motivo para não sorrir é se fores desdentado e mesmo assim existem placas com dentes branquinhos!
