Tendo sido registado em Vila Franca de Xira, o mais certo seria escolheres qualquer uma de tourada. No entanto, tourada deve ser um termo que já não vai fazer parte do léxico, excepto, possivelmente, aplicado ao campo amoroso. Natural de Lisboa, podes enveredar pelo “Lisboa, menina e moça” do Carlos do Carmo. Se tivesses neste momento telemóvel, sugeria por exemplo “Eu gosto de mamar nos peitos da…minha mãezinha” do Quim Barreiros. Tudo vai depender do momento em que te encontras na tua vida mas tem que ser sempre uma música icónica e que te traga boas memórias.
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58. Aprende a nadar
Apesar do teu pai ter nascido e vivido 30 anos em Cascais e a tua mãe ser do Ribatejo mesmo juntinho ao rio, nenhum de nós sabe nadar. Tudo se deve a uma das primeiras músicas rap que surgiram em Portugal que a nossa geração gostava muito, nomeadamente o “Não Sabe Nadar” dos Black Company. Nada disso, não calhou. Mas tu não podes cometer o mesmo erro que nós. Saber nadar é crucial, quer para desfrutares da praia em pleno (os teus pais adoram o mar mas só podem ficar à bordinha), quer para qualquer ocorrência inesperada. O teu pai viveu uma cheia em Cascais (e salvou um cão de se afogar mesmo sem saber nadar; a água não chegava ao joelho, diga-se), o teu avô três e Vila Franca de Xira no passado era frequente ter as ruas inundadas.
41. Participa numa largada de touros
Quando eu digo participa é a ver de fora e a comer sardinhas, bifanas, caracóis e a beber umas cervejas. Não te quero na “arena” a fugir do touro, pois lembra-te que tu tens tracção a duas pernas e ele a quatro e há quase sempre alguém que morre todos os anos. É um espectáculo único, que na tua terra de origem já tem longa tradição e acontece duas vezes ao ano. Agora em Julho tens o Colete Encarnado e em Outubro, a Feira de Outubro. Vais ver que o touro é um animal lindo, pela força, pela garra, pela imponência (o teu pai pensava que era como as vacas mas quando viu alguns pelo tamanho dos ombros pensou duas vezes). Se ainda for permitido no teu tempo, não percas a possibilidade de ver a força deste animal contra a destreza ou infortúnio de alguns homens dentro das tronqueiras (atenção que te falo de largadas, tourada é outra coisa que deixo ao teu critério assistires ou não). Pelo caminho, vais ver que qualquer terra que tenha largadas (aqui à volta de Vila Franca de Xira e mesmo noutros locais é tradição), há sempre outros pólos de interesse como os comes e bebes (o teu pai e mãe não perdem um pão com chouriço ou uma farturinha quentinha em cada edição) nas várias tertúlias e ainda algumas bebedeiras de caixão à cova que andam a cantar pelas ruas a noite toda.
PS: nunca deixar o carro nas ruas onde os touros passam, uma vizinha da tua mãe teve uma porta corneada (como é que explicas ao seguro para te pagar depois, “fenómeno natural”?)
39. Conhece de cor a tua terra
Começa pelos melhores sítios para comer e beber e daí parte para os monumentos, museus e outros locais históricos. Tendo essa base, descobre as verdadeiras pérolas da tua terra. Aponto-te já uma da tua terra e da tua mãe e outra da do teu pai, claro está associado a comida. Em Vila Franca de Xira tens junto ao Pingo Doce um dos melhores sítios para comer courato de todo o Portugal, é tão refundido que só descobri o nome hoje, passado vários anos a viver cá (“O Túnel”). Em Cascais, deixo-te a “Fonte”, um restaurante perdido em Alcabideche, ainda longe do tradicional Guincho onde comes mais barato marisco que na linha turística junto ao mar.
