Category Archives: puto
93. Faz uma tatuagem
Para muitos o nosso corpo é uma folha em branco. Para o teu pai é uma folha em branco já algo amarrotada mas que só deve ter uns rabiscos. Neste sentido, uma tatuagem engraçada com um significado o mais eterno possível é aceitável. Foge é de escreveres o nome de uma namorada, fazeres um desenho estúpido com alguma bebedeira ou escrever uma palavra tipo “respira”, pois regra geral vais ter que justificar vezes sem conta o porquê dessa opção.
PS: a fazer sempre em zonas menos visíveis, que não sabes onde vais trabalhar. Já viste o que será trabalhares num banco e teres no pulso tatuado “Adoro Porcas”?
PSS: o teu pai tem uma teoria sobre a localização das tatuagens nas mulheres que te contarei pessoalmente quando leres este conselho
92. Não rapes os pêlos
Muito provavelmente quando conseguires ler este conselho terás o teu corpo tão lisinho como o tens agora e fará pouco ou nenhum sentido o que aqui te digo. A geração de mulheres anterior à do teu pai ainda gostava de homens com pêlo e um pouco de barriga. As da minha geração já os dispensam. As gerações que já vieram a seguir…os homens já não os toleram! A realidade é que o homem português está-se a perder e ficando tu com um 1,90m e de pêlo rapado, o que te vai diferenciar de um alemão, tirando o não teres dinheiro, ganhares bem pior e seres de um país periférico? Se Deus te deu pêlo é por algum motivo. O único que deve ser cortado é o da cara e não mais que três vezes por semana. Tal como o cavalo lusitano há que manter vivo o homem lusitano!
91. Toma valentes banhos
Desculpa não ter escrito ultimamente mas tenho andado “sujo” de coisas para fazer. Nada como tomar um valente banho para recuperar energia e lavar a “ialma”. Já te falei da praia e de a gozares em grande. Estes banhos que te falo são mesmo de banheira e não requerem que estejas “porco”. Banho ideal: banheira de hidromassagem + pastilhas e gel para fazer espuma da Sephora (quando lá fores comprar não digas que é para ti; o teu pai já passou por gay umas 20 vezes) + velas + companhia ideal para massagem mútua. Banho dos pobres: banheira normal + 1 kg de sal + gel marca branca + tua namorada (para mandar-te umas penicadas de água pela cabeça e já vais com sorte). Em qualquer dos casos é ficar na água até esfriar.
PS: andei para aí 18 anos sem tomar banho e, rapaz, quando tomo agora até adormeço dentro da banheira e fico com os dedos enregelados. Pensei até criar um aparelho para segurar a cabeça à tona. Que morte mais estúpida que afogares-te na banheira enquanto tomas banho por teres adormecido? (é este tipo de ideias que surgem enquanto desfrutas de um banho…sozinho).
90. Experimenta a vida de campo
Pelo caminho do país hoje, se calhar quando tiveres idade para trabalhar ser pastor será uma profissão bem paga. Até lá, nada como experimentares por temporadas a vida do campo. Como vida do campo entende uma vida em que acordas cedo sem despertador e com o barulho de pássaros e não de carros. Tomas um pequeno-almoço com café de púcara, pão cozido feito por ti que dura uma semana e sabe a pão, enchidos, queijos e se o dia for intenso até um copito de vinho ou bagaço. Vais para o campo com uma “bucha” (pão, chouriço e uma navalhita) para meados da manhã e dás-lhe forte com o físico no meio de um terreno, seja a cavar batatas, apanhar uvas ou outro. Depois da bucha, mais trabalho físico até à hora de almoço (tudo orientado sem relógio e gerido pelo ritmo dos “antigos”). Almoço e trabalhar até ao pôr-do-sol. Tomar um banho de regador, com água aquecida a lenha e ir beber um copo de três ao tasco local e bater uma sueca com a malta local que deve ter sempre uma alcunha, antes ou depois da janta. Pelo meio, nem telemóveis, PCs, televisão ou horário muito organizado. Vais ver o que a tua cabeça de agradece.
PS: podes substituir um dia de cavar a terra por um dia de pastorícia. Aparentemente chato mas algo que te desacelera completamente e te permite uma ligação com a natureza ímpar, só comparável quando fazes amor ao ar livre na praia ou num prado (dizem, que eu não percebo nada disso).
89. Arranja uma boa almofada para dormir
Arranja uma boa almofada para dormir, maneirinha, para poderes levar para fora quando vais de viagem. Quando o teu pai era puto, o nosso sonho era ter uma de sumauma (se a gente sabia o que era sumauma, não, mas diziam que aquilo era maravilhoso). Eram essas almofadas e as facas Ginsu que até aço cortavam. Depois de uma noitada ou com uma companhia interessante, o mais provável é a mesma não fazer diferença mas como não vais fazer noitadas todos os dias (a partir do 30, claro), e mais cedo ou mais tarde vais assentar (mulheres novas todos os dias cansa, dizem, que eu não faço ideia) arranja mesmo uma boa almofada.
Neste post não te meto uma foto ou vídeo, deixo-te mesmo uma adaptação livre minha da letra da música “O Resto do Mundo” do Gabriel o Pensador a que designei “Eu queria uma almofada de sumauma, o meu sonho é uma almofada de sumauma”:
O meu sonho é uma almofada de sumauma
88. Evita a inveja negativa
A inveja negativa é aquela em que os outros desejam algo que tu tens ou conseguiste e gostavam que tu a perdesses e batesses duro no chão. Dessa evita, faz-te mais mal ao fígado que uma garrafa de vodka e torna-te uma pessoa realmente estúpida e azeda (tipo, alcoolicamente falando, bêbedo azeiteiro). A sentires inveja, só a positiva, daquela que te faz olhar para algo que outra pessoa conseguiu e ambicionas atingir o mesmo mas sem lhe desejar qualquer mal. Não te vou mentir que o teu sucesso depende maioritariamente de ti mas há componentes externas de sorte que podem influenciar (não falo de “Cunhas” ou mesmo de “cunhas”, falo por exemplo de estar no sítio certo no momento certo). Acima de tudo, procura superar-te e ser tão bom ou melhor que os outros mas crescendo com eles. Só és melhor, tornando os outros melhores, pois ninguém vence sozinho. Os invejosos negativos, rancorosos e chicos espertos mais cedo ou mais tarde pagam a factura. Chama-se karma…what goes around, comes around!!!
87. Assume os teus erros
85. Trabalha a memória
É impressão minha ou eu prometi-te a 23 de Maio pelas 21h05 escrever-te um conselho por dia? A verdade é que os 34 anos e os 3 cabelos brancos já pesam um pouco e a memória não vai ficando melhor. Neste sentido, trabalha a tua memória com exercícios simples e complexos. Nos simples, nada como recordar bem o nome das pessoas que conheces; de lembrar-te de todas as coisas que irritam a tua mãe, pai ou namorada para não as fazeres (ou fazeres de propósito); recordares datas importantes como o dia em que o teu pai vendeu o Mini Cooper S para comprar um carro familiar para andar com todo o teu material (estou a brincar, que vendia tudo o que tenho e mais um par de botas para te ter neste mundo). Nos complexos…já não me recordo, pelo que faz o que muita gente esperta faz, vai ao google.
84. Vê uma novela brasileira
Já hoje as novelas portuguesas pouco pecam em qualidade, a todos os níveis (Claúdia Vieira, Fernanda Serrano, Rita Pereira, etc), perante as novelas brasileiras. A realidade é que os primórdios das novelas que nos fascinaram em Portugal vieram do Brasil, quer pela riqueza das personagens, quer pela riqueza visual dos actores e actrizes. A última que o teu pai viu foi a “Uga Uga” para aí há 10 anos. Hoje não consigo ver nenhuma porque dão para aí 16 novelas diferentes em três canais abertos portugueses todos os dias. Ressalvo no entanto “grandes” actrizes do meu tempo como a Deborah Secco ou a Juliana Paes e, por respeito à tua mãe, moços como o Rodrigo Santoro e o Reynaldo Gianecchini.


