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130. Aprende a fazer ponto de embraiagem

O ponto de embraiagem é como o Red Bull, ajuda-te a subir mas requer equilíbrio para não dares o “estouro”. Por certo quando leres isto (aí com 3 anitos pelo ritmo de leitura que levas) já deves saber que o ponto de embraiagem é aquele ponto ideal de aceleração em que já não estás a travar e em que só aceleras o necessário para o carro se manter sem descair. Este é um dos grandes segredos da vida (dois outros importantes são as receitas dos pastéis de belém e da Coca-cola) – o de manteres o ponto de equilíbrio no que fazes. Repara, estás a falar com alguém, deves falar mas dar espaço para o outro falar (sei que és de uma família de gralhas surdas, mas fundamental ponto de embraiagem nisto). Estás a beber uns copos com os amigos, lá está convém beber até ao ponto em que sabes onde moras e que tens namorada (ponto de embraiagem nisto). Estás a trabalhar que nem um doido, importante não esquecer que tens família e amigos que querem saber de ti e, muito importante, querem que tu saibas deles (como? ponto de embraiagem nisto!). Podia continuar a indicar-te situações mas vou por ponto de embraiagem no discurso que daqui a mais um anito vou-te ensinar no teu carro a pedais como se faz este famoso ponto de embraiagem.

(O que a falta de ponto de embraiagem pode fazer)
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129. Orgulha-te das tuas origens

As tuas origens são como os teus familiares, podem-te envergonhar em algum momento mas são uma base fundamental na tua vida. Hoje fica bem falar de teres origens de diferentes sitios, pelo que tu nasces de um mix entre um betinho de Cascais e uma ribatejana de pêlo na venta. Se começares a escalar na genealogia, tens da parte da mãe, um avô verdadeiramente nortenho e uma avó alentejana (da cábéça gourda). Da parte do pai, tens um avô da terra mais religiosa de Portugal e uma avó saloia. Em termos económicos, de modo geral, são ambos de famílias humildes com uma catrefada de filhos. Particularizando, o teu pai e a tua mãe já sabes que são médicos. O teu avô Tino era encarregado de construção civil e a tua avó Gusta foi sopeira e fez bastantes outras coisas mas grande parte da vida dedicou-se ao trabalho mais dificil que há, criar o teu pai, os teus tios e tomar conta do teu avô (sim, que as mulheres tomam conta de nós). O teu avô Elias dedicou-se a vida toda à hotelaria e a tua avó Judite fez de tudo um pouco que sempre foi (e será) mulher de não baixar os braços, não limpasse ela a casa todos os dias!; dedicam-se avô Elias e avó Judite, à data de hoje, ao difícil trabalho de te criar. Da minha parte, posso-te ainda falar do pai do teu avô que era resineiro, sapateiro e ajudou a construir o santuário de Fátima com o teu tetravô. E a “Ti Maria Noiva” – tua tetravó – que fazia vestidos de noiva, tratava do “catering” dos casamentos e era a parteira da freguesia; por sua vez casada com o “Ti José Moço”, que era “moço” na casa do pai da “Ti Maria Noiva” (e que dizem que eu sou fotocópia mas com mais 30 centímetros de altura e 5 de barriga). Penso que era o pai da “Ti Maria Noiva”´que tinha um lagar de azeite, daí tu, o teu pai e afins deste lado da família serem um pouco “azeiteiros”. Espero que te orgulhes do que disse atrás e que não te importes do teu pai te ter registado em Vila Franca de Xira ao invés de Lisboa onde nasceste, só porque achava que um “agrobeto” ia resultar melhor para o teu futuro.

(Por falar em origens, uma rapaziada que mostra como a música evoluiu e a importância deste passado) 
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128. Não cuspas no prato em que comeste

Cuspir no prato em que comeste é como beijares a tua ex-namorada, sabe bem mas é um grande erro. 90% das vezes em que o irás fazer é sobre relações passadas, como a daquela namorada que te ligava a toda a hora para saber o que estavas a fazer (mesmo estando tu na divisão ao lado) ou que era tão boa onda que fumava quatro maços por dia e era capaz de beber uma grade de minis sem ir ao wc. 5% a coisas em que gastaste dinheiro e que basicamente não fazia sentido nenhum gastares e os outros 5% em outras coisas que não me ocorre agora mas que faz sentido eu dizer para não te dizer que 95% é sobre relações passadas. Mete na cabeça que naquele momento foi o mais acertado e preencheu uma necessidade que tinhas (não questiones se a decisão foi estranha ou não e se o teu pai/ mãe tinham razão – provavelmente sim às duas coisas – mas vive com isso). Ser homenzinho é tomar consciência das decisões que se fizeram, entendê-las e seguir em frente procurando SER melhor.

(Evitar cuspir no prato que comes faz de ti um “homem melhor”)
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127. Experimenta o eixo entre a Baixa e o Saldanha

O eixo entre a Baixa e o Saldanha é como andares entre o paraíso islâmico e a Ilha dos Amores dos Lusíadas. É neste eixo que se encontram algumas das mulheres portuguesas mais bonitas que o teu pai alguma vez conheceu. Desde as que estão no puro relax às executivas de topo, podes ver todo o tipo de lindas mulheres. Se estiveres desanimado ou a pensar arranjar namorada, larga a porcaria das redes sociais e do telemóvel e vai a pé da baixa ao Saldanha na hora de almoço. O mito que te contaram um dia das mulheres portuguesas de bigode e pêlo nas pernas existiu (ainda recebi beijos na cara de algumas) mas garanto-te que não estavam neste eixo!

(Palavras de um grande poeta português a respeito da Mulher Portuguesa)  
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126. Pratica bom português

Praticar bom português é como saberes beber um bom vinho, a qualidade pode estar lá mas exige estudo, prática e a adequação ao contexto. Inaceitáveis coisas como o trabalho do teu pai ser de “acessoria” de imprensa ou que este blogue seja de “concelhos” ou que “à” pouca comida no frigorífico. Aceita-se o teu “papapapa” em troca de “pai” com 11 meses mas “prontos” com 16 anos dá direito a uma semana sem iPhone 53. Para praticares bom português nada como ler muitos livros, ver muitos documentários e experiencar in loco cultura. Podes inclusive fazer uma brincadeira simples que é abrir o dicionário da tua língua e de outra língua e aprender uma palavra nova por dia. O teu pai por exemplo aprendeu a não ser “chambão” com este conselho (e também que “cabrão” é o marido da cabra mas levas palmada ou vais para a rua se o disseres).

(Deixo-te um dos casos mais badalados da internet)
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125. Corrige os teus erros

Corrigir os erros que fizeste é como tomar banho depois de uma noitada em bares, dá para limpar quase toda a porcaria que fizeste (quase toda!). Vem este conselho a propósito de ter recebido um alerta de uma amiga a indicar que o antes conselho 125 colidia com um dos primeiros (e poderia colidir com o 87 também que falava em “assumir os erros” mas aqui fala-se de corrigir mesmo!). Felizmente este é daqueles erros que se corrigem rapidamente e sem efeitos nefastos. Já tu beberes um copo a mais e chamares “gorda” à tua melhor amiga, mentires sobre algo grave aos teus pais, seres do Porto ou do Sporting e aquelas “zonas cinzentas” complicadas, pode ser incorrigível. “Peço desculpa” são duas palavras que podem mudar várias vidas ligadas à tua. Aprende-as rapidamente que erros, infelizmente (ou felizmente), não vão faltar no teu caminho.

(A primeira música que ouvi sobre pedir perdão)   
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124. Evita as "zonas cinzentas"

As “zonas cinzentas” são como o alcóol e o tabaco, podem saber bem em determinado momento mas fazem mal como o caraças. As “zonas cinzentas” são aquela omissão que fazes quando a tua mãe te pergunta se te deitaste cedo e foste para a cama às 6 da matina ou quando combinaste algo com um amigo mas estavas a acabar um videojogo e disseste que estavas doente. Há ainda as grandes “zonas cinzentas” que te explicarei cara-a-cara ou aprenderás sozinho que é por exemplo andares com uma pessoa, teres umas semanas más com ela e outra que te parece o máximo beijar-te e tu não te retraíres. O ideal é estares no preto ou no branco, sendo que o branco é melhor que é o caminho da verdade. Vou-te assim falar de três valores que podem marcar a tua vida e que deves ser fiel ao máximo deles possível evitando as “zonas cinzentas”: humildade, honestidade e fidelidade. É no meio destes três que as “zonas cinzentas” são mais perigosas. Há outros mas estes são os que acho mais importantes de manter na vida fora das “zonas cinzentas”.

(Deixo-te com um diálogo de um filme que gosto bastante sobre as áreas cinzentas)
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123. Não te comprometas em nome dos outros

Assumires os compromissos pelos outros é como andares de mota à beira de um precípio ou pode dar um resultado positivo ou ser a “morte do artista“. Dizia-me o teu futuro padrinho do alto dos 30 e poucos que “não metia as mãos no fogo pelos outros, nem mesmo por ele!”. Não digo para ires tão longe mas comprometeres-te pelos outros só quando tiveres 90% de garantia que vão corresponder ao acordado. 100% é impossível que toda a gente falha, até tu mesmo, daí as sábias palavras do teu futuro padrinho. O teu pai chama-lhe as zonas cinzentas, algo que te explico no próximo conselho. Para já, cuidado com o que te comprometes que o teu bom nome é algo que ainda vale alguma coisa perante os outros e integridade é algo que deves preservar neste mundo em que os valores andam perdidos.

(Dá um gozo tremendo se sobreviveres mas se falhares, ui)   
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122. Respeita o WC

Desrespeitares o WC é como correres a meia maratona e teres um balde de areia para beber e te lavares no fim. Há regras muita básicas que tens que cumprir que mais cedo (o teu pai a ralhar) ou mais tarde (quando tiveres a tua casa) vais aprender. A primeira, sendo tu rapaz, é levantar a tampa da sanita quando fazes xixi (para aprenderes basta ires fazer o número 2 aka cócó a seguir). A segunda é tem sempre rolos de papel higiénico sobressalentes. Se estiveres nunca casa de banho pública, antes de arrancares para o número 2 por mais desesperado que estejas, verifica sempre se há papel primeiro. A terceira é, anda sempre com lenços de assoar, nunca sabes quando pode dar uma emergência e alguém não respeitar a primeira e segunda regra. A regra número quatro, tendo em conta a genética do teu pai e avô e o contexto “sem pêlo” em que vives, é levares um saco/ toalha para apanhar os pêlos que rapes. A última regra e a mais importante, é puxar sempre o autoclismo antes de sair do WC. Obras só as dos grandes artistas é que as pessoas gostam de ver, as da sanita são poucos os que têm que apreciar.

(Um grande maluco que não respeitou o WC) 
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121. Carrega sempre o teu telemóvel

Fiares-te que a bateria do telemóvel aguenta é como acreditares que aquela luz da reserva do carro dá para mais 500 km, experimenta. Por muito que aches que nunca acontecerá precisar de ligar para os teus pais, namorada ou amigos (varia em função da circunstância em que estiveres, mais tarde perceberás porque menciono os três), vai haver um dia em que uma bela situação inesperada vai surgir e tu não tens carga (ou até podes ter mas de outro tipo). Se tiveres acompanhado poderás ter sorte (ou muito azar, mais uma para entenderes mais tarde), caso contrário terás sempre que optar pelo “carro do Armando” (esta podes pesquisar no google). Telemóvel é para estar carregado de energia e de dinheiro para falar. 

PS: este conselho não serve para me chateares a cabeça que precisas de ter um iPhone 42 para estares sempre contatável. Lembra-te que o teu pai nasceu no tempo em que haviam apenas telefones fixos. Só perto dos 30 é que surgiu o primeiro iPhone.

(O primeiro telefone que o teu pai se lembra de ter lá por casa)