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49. Chora quando for preciso

Por seres homem, 99% das situações típicas de choro não o deves fazer. Até porque já o fizeste muito em bebé, quando precisavas de fralda mudada, comida ou tinhas cólicas. O 1% é só quando perderes alguém que gostas. Braços ou pernas partidas, malaguetas na boca, filmes tristes, a morte do cãozinho não contam. Estou a brincar contigo, chora quando o sentires que o tens que fazer, em qualquer das situações atrás ou outras. Só não quero que chores quando alguém te humilhar, não pelo que sentes mas pela outra pessoa não o merecer.


 
(O filme favorito do teu pai – Lista de Schindler – cuja cena final coloca-lhe sempre água nos olhos; vejo-o sempre a cortar cebolas que o teu pai ainda é homem de pêlo no peito, pergunta à tua mãe)
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47. Respeita o código de estrada

Quando era puto os filmes mostravam os anos em que vivemos com pessoal a andar de naves auto-guiadas, não aconteceu, pelo que chegando o teu tempo de conduzir são capazes de existir ainda carros a gasolina a circular e pessoas atrás do volante. Se assim o for, respeita o código de estrada. Hoje, por exemplo, a grande maioria dos portugueses não precisava de piscas, que raramente os faz quando muda de direcção, ou estradas com três vias no mesmo sentido, que raramente andam na fila da direita. O sacana do telemóvel teima em colar-se à orelha e a paciência é para jogar no iPad, não para o condutor vizinho. O teu pai acredita que há dois locais em que as pessoas se transfiguram, um é no futebol e o segundo…atrás do volante!


PS: antes que perguntes, só tive duas multas e de estacionamento que te explicarei mais tarde. 

 (Um dos filmes mais marcantes da minha infância que mostrava como seria o ano 2015)
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46. Recorda as datas importantes

Já te disse para celebrares os aniversários, mas não esqueças datas importantes da tua vida e daqueles que te rodeiam. Hoje por exemplo faz 11 anos e 4 meses que o teu pai namora com a tua mãe e 3 semanas, 2 horas e 46 minutos que tu nasceste.

(A data que o teu pai nunca esquece, o 25 de Abril que marca o dia em que passámos para a democracia em Portugal mas, mais importante, o dia em que o teu pai viu a luz do dia, 4 anos depois exactamente depois da revolução, ambos acontecimentos merecedores de um feriado no teu país)
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44. Viaja muito

Viaja pelo teu país mas e, sobretudo, por outros países e outras culturas. São um rol de experiências que vais viver. Do amor (Torre Eiffel em Paris), ao espanto (lagoa no Brasil com argila num lugar paradisíaco cuja entrada custava…50 cêntimos!) , à resignação (casa da Anne Frank em Amesterdão), à surpresa (azulejos na Tunísia que chegaram lá pela mão dos portugueses há alguns séculos), à proximidade (ver o quadro Guernica do Picasso aqui ao lado em Espanha), entre tantos outros que te desafio a descobrir. Só te sugiro duas coisas: procura locais que tenham sempre alguma história e vai acompanhado, que viagens a dois geram sempre histórias mais engraçadas e é mais seguro.

(A primeira vez que fui ao estrangeiro foi a Badajoz, aqui na vizinha Espanha em busca do melocoton, gomas e rebuçados el casero; estavam 45 graus e as lojas estavam todas fechadas; a tua bisavó paterna fartou-se de dar peiditos dizendo que eram para os espanhóis que tinham as lojas fechadas)
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43. Mantém-te a par do que se passa no mundo

Terás mais acesso a informação que qualquer geração anterior à tua (para teres uma ideia a tua bisavó não sabe ler nem escrever). Neste sentido, mantém-te a par do que se passa de mais importante nos principais sectores da sociedade em Portugal e no mundo. Uma pessoa informada tem sempre mais trunfos perante, praticamente, todas as situações da vida. Já viste que não sabes como um carro é feito? Ou algo tão simples como o papel? E não me respondas que é para isso que existe o Continente. Para te habituares o teu vai pôr-te a ver logo cedo programas como “Man Vs Wild” ou “How is it made” e a ler livros e jornais (começas logo na casa de banho quando estiveres a aprender a fazer cócó; fica já a explicação para o mistério de em muitas casas de banho encontrares revistas, as pessoas gostam de se actualizar aí, não tendo nada a ver com prisão de ventre ou afins).

(Primeiro jornal que o teu pai leu)
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42. Assenta entre os 27 e os 30

Não estou a dizer que não o faças antes. A tua geração terá acesso a mais informação que qualquer outra e como tal conto que esteja melhor preparada que a da tua avó, em que com 16 anos se pensava que os bébés nasciam debaixo do braço ou vinham de França (se tiveres 5 anos e a ler este conselho, ainda vêm de França mas agora ao invés de camião é de avião mesmo). Digo-te para o fazeres entre os 27 e os 30 para aproveitares a vida e, sobretudo, amadureceres e tomares as decisões já com bastante experiência de vida. Reitero, não invalida que o faças antes, mas nada como “crescer” um pouco antes de assentar (nós homens demoramos mais tempo a “amadurecer”, talvez se fosses mulher a tua cabeça estaria feita mais cedo, dizem).

 (Casamento da tua mãe com 27 e o teu pai com 30 ;))
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36. Vai à praia com frequência

De Inverno ou Verão vai à praia, seja quando estejas feliz ou triste, acompanhado ou sozinho. O mar fala com a tua alma, tal como a areia nos teus pés. No Verão dares um mergulho e sentires o sol a bater na tua pele é das melhores sensações do mundo. Partilha-a com quem mais gostas. O teu pai “cresceu” na praia da “Rata”, praia do Tamariz e mais algumas da linha de Cascais mas apaixonou-se por várias da Costa Vicentina. Aconselho-te a pegar um dia num grupo de amigos e partir rumo ao sul sempre pela costa, parando em Melides, Porto Covo, Vila Nova de Mil Fontes, Zambujeira, Rogil, Aljezur, Sagres, Lagos, Praia da Rocha, entre outros.

(O primeiro anúncio que associo ao mar e que levou durante anos o teu pai a desejar ter um ferro de aquecer café dentro do carro)
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35. Vê o Top Gear

Mesmo que não gostes de carros (coisa que não concebo porque o primeiro em que andaste foi um Mini Cooper S), perde algum tempo a ver o programa Top Gear. Se Portugal tem o Melhor Bolo de Chocolate do Mundo, a Inglaterra tem o Melhor Programa de Automóveis do Mundo. Até a tua mãe, que não liga a automóveis, consegue ver mais de 10 minutos de Top Gear. São os tipos mais criativos, directos e amantes de carros que alguma vez vi, havendo praticamente em cada episódio algo de realmente único.

(Um dos meus episódios favoritos, que junta um dos meus carros de sonho e idosas a fazer… piões!)
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32. Não tenhas medo da morte

Pelas dezenas de séries de animais que vais ver com o papá, vais perceber que a morte faz parte do ciclo natural de toda a vida. Vai custar sobretudo quando pessoas que gostas muito partirem mas lembra-te de todos os bons momentos que passaste com essas pessoas e guarda, dentro do teu coração e cabeça, aquela última imagem em que as viste a sorrir. A tristeza vai-te invadir seja por estas pessoas, pelos animais ou até pelo não humano telemóvel que deixaste cair no chão e se partiu todo. Não tenhas vergonha em chorar, é o que te torna humano.

(Num desses dias, deita-te no chão a olhar para o céu, para o mar ou para qualquer outro elemento da natureza a ouvir esta música sem pensar em mais nada; pequeno à parte, neste videoclip aparece um dos filmes que o teu pai mais gosta e que tens que ver pelo espírito positivo que incorpora – “Bom dia Vietname”)


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31. Aprende a respirar

A vida vai colocar-te desafios cada vez maiores à medida que os anos vão passando. Curiosamente saber respirar bem, vai-te ajudar nos momentos mais críticos, pelo que respirar fundo numa contagem decrescente de 10 para 0 é um pequeno passo. O melhor mesmo é fazeres Yoga, onde para além de aprenderes a realmente respirar, ainda beneficias de exercício físico e elasticidade.

(Primeira música que falava em respirar que o teu pai ouviu, muito adequada para momentos de grande adrenalina e rapidez)

PS: Está saldada a dívida dos conselhos em atraso, ufa, já posso “respirar”.