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63. Lava os dentes

Para ti vai ser tão simples seguir este conselho como ir ver um jogo ao Estádio da Luz. Repara que nem um mês tinhas já os teu pais te limpavam leite das gengivas. Fá-lo sobretudo porque uma ida ao dentista, regra geral é como uma ida ao mecânico com o carro – há sempre qualquer coisita que não está bem ou que pode ser melhorada. O teu pai andou muitos anos à procura do dentista certo, pois é o médico que menos gostava de ir (não gosto de ir a nenhum porque o motivo é sempre algo não estar bem) e descobriu, via Tia Mafalda, o Dr. Tição. O Dr. P. desculpa T. é tão bom que até o consultório tem a rua com trânsito proibido, guardada por polícia com G3 (não tem nada a ver com a embaixada de Israel ser no mesmo prédio).

(A coisa mais parva que o teu pai já viu relacionada com dentes…esta e a conta do dentista antes de ter seguro de saúde)
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62. Bebe muita água (e só água!)

O único vício do teu pai nesta vida (para além da tua mãe e agora tu) são os refrigerantes. Neste sentido, desde já te aviso que refrigerantes quando os puderes beber acabam lá em casa, tipo “pai que deixa de fumar pelo filho” (ainda vou a uma programa da tarde falar disso!). As vizinhas vão todas chorar por não me ver em boxers a beber a minha Coca-Cola Zero é certo, mas poderão ver-me a beber uma Vitalis e em dias de festa uma bela Evian. Se de refrigerantes já te dou o aviso, alcóol então nem pensar. Os efeitos nefastos que o teu pai nunca sentiu (nem para aí uns quatro vezes forte e feito), as baboseiras que fazes, muita vezes irremediáveis (nunca fiz, pois nunca bebi alcóol na vida) e os neurónios que se queimam não compensam (dizem). Águinha, é barata, tens muita variedade e é tão importante que 75% do teu corpo é constituído por ela, já existem restaurantes com cartas de água e cursos superiores sobre as mesmas.

PS: um vinhinho aceito mas q.b. e de qualidade

(Já te viste a fazer figuras destas?) 
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61. Arruma as coisas sempre no mesmo sítio

Digo-te isto não por ser um pouco (muito) obssessivo-compulsivo com o lugar das coisas mas sobretudo porque arrumando as coisas sempre no mesmo sítio mais facilmente vais encontrá-las. Mais, falo de coisas físicas mas também emocionais, isto é e retornando a um conselho que já te dei das famílias (conselho 26), o espaço que a família, amigos e afins ocupam na tua vida não deve diminuir perante outras coisas. Ser arrumadinho pode não parecer cool mas salva-te de muitos stresses e muitos ralhetes do teu pai (e mais tarde da tua namorada/ mulher e do teu patrão).

 (O teu pai quando era miúdo e ia ás compras com a mãe passava o tempo todo a arrumar as prateleiras para deixar tudo direitinho)
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59. Escolhe bem a vizinhança

O teu pai praticamente nunca soube o que era boa vizinhança.Quando era puto, o inquilino do vizinho do lado para além de chegar tarde e amás horas, mandava peidos de meia noite (ou melhor das 3, 4 e 5 da madrugada).Quando se foi embora, passei a apanhar pessoal a praticar o amor nas traseirasda casa bem juntinho à minha janela durante a noite. Saído da minha terra Natalpara a tua, apanhei uma vizinha que só sabe falar aos gritos, cujo marido é dapolícia da intervenção mas as calças lá de casa são vestidas por ela. Só por estes dois exemplos – escolhe bem a tua vizinhança!
(Dica: nada como apanhar a porteira do prédio para te informares sobre onde foste parar em termos de vizinhança. A nossa aqui, sabe mais que a TROIKA. Atenção que esta é a tua futura casa no Chiado; o teu pai está a tratar de a comprar lá para 2050)
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58. Aprende a nadar

Apesar do teu pai ter nascido e vivido 30 anos em Cascais e a tua mãe ser do Ribatejo mesmo juntinho ao rio, nenhum de nós sabe nadar. Tudo se deve a uma das primeiras músicas rap que surgiram em Portugal que a nossa geração gostava muito, nomeadamente o “Não Sabe Nadar” dos Black Company. Nada disso, não calhou. Mas tu não podes cometer o mesmo erro que nós. Saber nadar é crucial, quer para desfrutares da praia em pleno (os teus pais adoram o mar mas só podem ficar à bordinha), quer para qualquer ocorrência inesperada. O teu pai viveu uma cheia em Cascais (e salvou um cão de se afogar mesmo sem saber nadar; a água não chegava ao joelho, diga-se), o teu avô três e Vila Franca de Xira no passado era frequente ter as ruas inundadas.

(A única vez que o teu pai ficou sem pé no mar, diz a tua mãe que os meus olhos ficaram iguais aos do Coyote da banda desenhada quando via que o chão já não existia debaixo dos pés)
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55. Desfruta do nascer e do pôr-do-sol

Se há coisa que ainda podes aproveitar sem pagar imposto é ver o nascer e o pôr-do-sol. São dois momentos dos mais belos que podes desfrutar neste fabuloso planeta Terra. Dou-te o roteiro perfeito para aproveitares ambos. Passas um dia de praia com os teus amigos e namorada e escolhes um sitio junto ao mar ou no alto de uma serra onde só ouças a natureza e vês o pôr-do-sol. Banho e jantarada com o mesmo pessoal (banho só com a namorada, entenda-se, e se tiver mais que 18 anos), discoteca até de madrugada, passar por uma fábrica de bolos para uns bolinhos fresquinhos ou banca de pão com chouriço e voltar à praia e ver nascer mais um dia inesquecível.


PS: importante não apanhar bebedeira porque se não passas mais tempo a olhar para a areia que para o sol.

(O último pôr-do-sol que vi com a tua mãe em Sagres o ano passado, rodeado por algumas 10 nacionalidades diferentes que pareceram falar a mesma língua no momento em que tirei esta foto)
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54. Aprende a ter paciência

A paciência é a maior virtude do ser humano. Curiosamente já nascemos sem grande parte dela, como tu tens mostrado, naturalmente, com os berreiros instantâneos quando tens fome, fralda suja, sono, birra ou outro. Um pouco mais velho vais provavelmente começar a querer ter coisas naquele momento e fazer as coisas á tua maneira e, assim, continuar com as birras com os teus pais. Já com clube definido (Benfica, não há dúvidas aí) e carta de condução, é mesmo a falta de paciência para com a tua equipa e para com os outros condutores. Segue-se a falta de paciência com familiares, amigos, trabalhos e sociedade em geral. Com o tempo a tendência é piorar, pelo que deves caminhar no sentido inverso. Paciência para ter as coisas, paciência para a família, paciência para os amigos, paciência para o trabalho, paciência para isto e para aquilo. Mas paciência não é ser burro ou estagnar, pelo que a dose é como nas receitas – paciência q.b. (quando é que é o limite, pergunta-me!).

(“Be nice, until its time to not be nice…and how do we know when its supposed that is…you won’t, I will tell you!” uma das frases mais catitas de um dos filmes de infância favoritos do teu pai – “Profissão Duro” com o famoso actor Patrick Swayze)
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52. Valoriza as pequenas coisas

Já te disse para valorizares as várias datas da tua vida. Desde já parabéns pelo teu primeiro mês de vida! Não dês como certa coisas que consideras pequenas e irrelevantes na tua vida. Desde logo a saúde mas as amizades, tudo o que tens de objectos, todo o conhecimento, a tua terra, enfim, todos os elementos positivos na tua vida. “Ganha” de vez em quando algum tempo a reflectir quais são e agradece às pessoas que te os facultaram ou estão a facultar (nunca é demais agradecer aos teus pais por te terem colocado neste mundo, por exemplo).

(Obrigado por teres entrado nas nossas vidas há um mês, PUTO!)
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51. Evita os jogos de azar

Como o próprio nome indica, se são de azar é porque muitos têm que perder para alguns ganharem uma parte pequena do perdido. Não te digo que não vás ao casino com os teus amigos ou namorada jogar só pela piada e uma vez por outra ou mesmo fazeres uma sociedade no Euromilhões mas não te entusiasmes demasiado que é esse o grande perigo destes jogos (investiste 10€ e ganhaste 100€, no limite investes mais 50€ e sais quando os perderes, que os vais perder, acredita). 

(Primeiro jogo de azar que me lembro de jogar – Totoloto)
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50. Usa bons perfumes

Um homem quando é feio pouco se pode fazer para melhorar mas quando cheira mal é imperdoável, que sabão, desodorizante e perfume não custam assim tanto. Todos os dias banho, bom desodorizante e perfume, sejas feio ou bonito. Mal-cheiroso só o queijo que comes com o teu pai com um bom vinho e, mesmo assim, livra-te de me apareceres a cheirar a cavalo.

(Primeiro perfume que o teu pai usou, que o barbeiro comunista criador de canários punha no meu pescoço quando eu ia cortar o cabelo “curto mas não careca” como a tua avó mandava)