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108. Não confies em vendedores imobiliários

Da experiência do teu pai, há tantos vendedores imobiliários honestos como galinhas com dentes. Não que sejam mentirosos, só omitem algumas coisas pequenas como a casa estar pronta em Maio e em Novembro não ter uma pedra a mais que em Maio ou a escritura ser no dia 16 mas no dia 31 ainda não existir data para a mesma ou o vizinho que estaciona a dificultar o teu estacionamento “nunca coloca lá o carro, foi só naquele dia” (indicando depois os vizinhos que estaciona aqueles e outros carros e nem com a intervenção da polícia vezes sem conta tira os carros). Como em todas as profissões, há bons e maus profissionais. O teu pai, infelizmente, em mais de 12 que conheceu desta área não apanhou ainda nenhum honesto ou realmente preocupado com o que o cliente queria. Se puderes, negócios de casas é sem intermediário.

(Até são muito simpáticos mas depois…)
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106. Não rebentes borbulhas

À semelhança da Playboy, o teu corpo raramente produz coisas que não são úteis. As borbulhas são uma delas. A tua mãe sempre gostou de as rebentar. O teu pai sempre as deixou morrer por si só. Têm a sua função e o teu pai sempre respeitou quem procura fazer o seu trabalho bem. Sei que quando tiveres 13 ou 14 anos o que te digo não fará sentido, pois queres ter a pele bonita para conquistares miúdas e terás uma boa carga de borbulhas. No entanto, pensa pela positiva, é meio caminho andado para te esforçares mais para as conquistares.

PS: não te escrevia há alguns dias porque por esta altura a minha vida e da tua mãe andava em alvoroço por dois grandes motivos, um positivo para ti, outro menos (explico-te quando queiras). Volto a escrever numa escapadinha e logicamente de algo tão importante como…borbulhas!

  (Capa da Playboy do mês e ano em que nasceste)
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103. Reclama

Tudo na vida tem Service Level Agreements (SLAs). Repara, eu mudo-te a fralda e espero que tu pares de chorar e sorrias. O teu pai ajuda a tua mãe a tomar conta de ti e fica um noite de folga de biberões e de chucha à boca. Quando és mais velho, eu vou dar-te uma semana/ mesada em função do teu bom comportamento e desempenho escolar. Tens notas positivas e entras na universidade. És bom aluno e arranjas um bom emprego. És um rapaz minimamente decente e arranjas uma companheira (ou várias ao longo do tempo). Acertas que aquela é a mulher da tua vida e casas com ela e tens filhos. Pelo caminho vais aceder a um conjunto de serviços e produtos que te dão um pressuposto de SLAs e é sobretudo nestes que deves reclamar dos teus direitos quando não são cumpridos. Se fores demasiado simpático o respeito que têm por ti é reduzido ou nulo. É só tirares partido do que já aprendeste nestes quatro meses. Tens fome, fralda suja, calor ou sono berras como se não houvesse amanhã. Vais ver que algum resultado vai surgir.


(Direitos são direitos)  
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102. Faz backups

Nasceste num mundo altamente tecnológico. Infelizmente não conseguiram ainda digitalizar o que fazes na fralda, para evitarmos o cheiro e mesmo algum transbordo. A vantagem deste mundo é que podes guardar tudo e mais alguma coisa num computador e agora ainda em algo mais avançado que se chama Nuvem, em que já nem precisas do teu computador para ter os teus filmes, fotos ou outros dados acessíveis em vários dispositivos. Este conselho prende-se com colocares toda a tua informação importante em mais do que um local. Exemplo: o teu pai tem o telemóvel a arranjar há duas semanas e como não tirou os números das pessoas mais importantes, não lhes pode ligar agora. Faz backups de toda a tua informação crucial em discos externos, pen drives, Nuvem ou outros para que não vejas a tua vida a andar para trás quando o teu telemóvel cair na água ou o PC estourar, evita a perda de muitas horas de trabalho (e choro). Cria inclusive um ficheiros com informação tão básica quanto os números e aniversários das pessoas mais importantes da tua vida. A tua memória é ilimitada mas selectiva.

(A primeira pen usb de dados que o teu pai teve foi de 56 MB. Uma de 128 custou-me 25€; o meu primeiro PC à séria tinha um disco brutal de…850 MB)
  
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101. Aprende a tocar algum instrumento

Na vida podes ter várias formas de aliviar o stress. Para o teu pai uma das principais é a música. Podes ouvir mas acho melhor tocar. Nunca toquei nada de jeito, apesar de ter tido um órgão electrónico. Neste só tinha jeito para tocar no botão de demo, que colocava a tocar a música mais conhecida do Richard Clayderman. Ainda me inscrevi na tuna da universidade para tocar “órgão genital” mas não fui chamado. Se havia instrumento que gostava de saber tocar era mesmo saxofone. Dou-te liberdade para escolheres o que queiras, desde que não seja bateria cá em casa.  

(Uma das músicas que mais ouvi com a tua mãe e que sempre tive pena de não lhe poder tocar no saxofone)
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100. Poupa desde o primeiro tostão que recebas

Hoje, precisamente quando fazes os teus quatro meses, vais receber o primeiro euro que o pai te vai dar directamente (indirectamente o valor na folha Excel que criei para quando começares a querer mandar mais do que eu e me terás que pagar para assim acontecer, já passa os quatro digitos). Do alto dos meus já longuíssimos 34 anos, deixo-te o segundo melhor conselho que te poderei dar na vida – poupa dinheiro desde o primeiro dia em que lhe metas a mão em cima. Há-de chegar o dia em que vais querer ter o telemóvel A, o carro B, a casa C, o filho D. Também vai chegar o dia em que vais querer (ter que) comprar a prenda E, F, G, H, I, J para as tuas namoradas, amigos ou familiares. Há ainda os dias em que vais ter que gastar algum dinheiro para ter uma imagem K, L ou M em função da situação que estejas na vida. Como viste, já gastei praticamente metade do abecedário e ainda não meti aqui os impostos que terás que pagar. Junto só para fechar, as despesas inesperadas do tipo O (saúde), P (carro), Q (casa), S (outras bodegas) e ficas já com uma ideia do que vais gastar (o resto do abecedário é para impostos). Amealha como se não houvesse amanhã, ponto.

PS: em 100 conselhos deves estar a perguntar qual o mais importante de todos – aproveita a vida com quem mais gostas (companheira, amigos e família). Não precisas de muito dinheiro para tal acontecer se as pessoas gostarem de ti e tu delas, basta um café, um copo de água e um palito para uma tarde de conversa à beira rio/ praia ou isso ou uma…praia de nudismo.

(Dinheiro, Dinheiro, Dinheiro fica bem no meu…Mealheiro!)  

 

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99. Experimenta uma personal stylist

Desde que eu me lembro de ser gente que foram poucas as peças de roupa que usei sem que uma mulher me as ajudasse a escolher/ comprar. Hoje felizmente tens serviços mais avançados na ajuda da criação da tua imagem a este nível – um personal stylist. Experimenta e diz-me como foi, que pode ser que o teu pai abdique da máquina 2,5 no cabelo e dos fatos pretos com camisa branca.

(Das primeiras coisas que me lembro da tua avó escolher para mim)
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98. Abraça os teus pais com frequência

Não foram precisos três dias sem te poder agarrar devido a problema de saúde meu para te dar este conselho (mas ajudaram!). Há mais de 20 anos que percebi o valor que os meus pais tiveram na minha vida. Mais recentemente, ao ter consciência da perda de pessoas da tua bisavó (a única que conheci viva) ou o teu avô Tino ter tido um AVC que o deixou debilitado, como nunca pensei que aconteceria com aquele homem portento de força, sabedoria e razão, ainda cresceu mais essa consciência. Por muito que aches que o teu pai é um chato por querer que digas “com licença” quando entras na casa de um desconhecido ou dares passagem a uma senhora no elevador, ou ajudar uma vizinha com as compras, entre outras coisas “menores”, a vida é muito perene para não me abraçares ou à tua mãe com frequência (só pelas horas que ela passou acordada ou a tratar de ti nos primeiros 5 meses de vida, merecia um abraço todos os dias até aos 120 anos dela). Espero até que percebas mais cedo que eu a importância dos teus pais na tua vida.

(A “guerra” dos teus pais é outra como poderás ver, analisando notícias do ano 2012 e 2013)
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97. Evita hospitais de madrugada

Ponto um, o teu pai adora a noite, pela beleza inerente, pelo silêncio, pela criatividade, por estarmos mais soltos. Ponto dois, estranhamente até já gosto um pouco de hospitais porque servem para reflectir na vida enquanto esperas para ser atendido ou por alguém que acompanhas, dado não poderes sair dali. O mix da noite com o hospital é que não resulta. Desde malta com golpe nas costas com 30 cm de comprimento e 3 cm de profundidade, a pessoal a gritar incessantemente ou aos murros a tudo, até os malucos (ou bêbedos, que ficam dificeis de confundir neste contexto) a dormirem todos mijados, já vi de tudo um pouco. Pior, juntares isso com o teu problema de saúde ou da pessoa que acompanhas, a demora para ser atendido e o sono que tens, retira-te discernimento e pode levar a agires estupidamente (nunca aconteceu com o teu pai, se bem que tive quase a partir um vidro de balcão por não me darem informação nenhuma sobre duas pessoas que acompanhei, uma que tinha apenas os dois cotovelos partidos).

(Uma das doenças que não vale mesmo a pena ir ao hospital de madrugada para resolver; um bar fará bem melhor)