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50. Usa bons perfumes

Um homem quando é feio pouco se pode fazer para melhorar mas quando cheira mal é imperdoável, que sabão, desodorizante e perfume não custam assim tanto. Todos os dias banho, bom desodorizante e perfume, sejas feio ou bonito. Mal-cheiroso só o queijo que comes com o teu pai com um bom vinho e, mesmo assim, livra-te de me apareceres a cheirar a cavalo.

(Primeiro perfume que o teu pai usou, que o barbeiro comunista criador de canários punha no meu pescoço quando eu ia cortar o cabelo “curto mas não careca” como a tua avó mandava)
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49. Chora quando for preciso

Por seres homem, 99% das situações típicas de choro não o deves fazer. Até porque já o fizeste muito em bebé, quando precisavas de fralda mudada, comida ou tinhas cólicas. O 1% é só quando perderes alguém que gostas. Braços ou pernas partidas, malaguetas na boca, filmes tristes, a morte do cãozinho não contam. Estou a brincar contigo, chora quando o sentires que o tens que fazer, em qualquer das situações atrás ou outras. Só não quero que chores quando alguém te humilhar, não pelo que sentes mas pela outra pessoa não o merecer.


 
(O filme favorito do teu pai – Lista de Schindler – cuja cena final coloca-lhe sempre água nos olhos; vejo-o sempre a cortar cebolas que o teu pai ainda é homem de pêlo no peito, pergunta à tua mãe)
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23. Não prometas o que não podes cumprir

Por vezes o entusiasmo tira-te os pés da terra e podes prometer o que não consegues cumprir. Aprender a dizer não é tão importante como a dizer sim. Sobretudo assenta bem os pés na terra mas (e muita atenção a este mas) não deixes de olhar para o céu, que o desejo de chegar mais longe é o que te deve orientar na vida.

(Música que trazia o teu pai para cima e que o levava a acreditar que sabia cantar; deve ser também a primeira que deves cantar num karaoke, esta e os “peitos da cabritinha” do Quim Barreiros)

PS: O teu pai prometeu escrever uma crónica por dia mas com o teu nascimento e os dias seguintes perdeu um pouco o rumo, culpa das tuas bochechas e olhos lindos! Ainda assim, até ao final da tua primeira semana de vida, vou escrever as oito crónicas em falta à velocidade cruzeiro (para teres uma ideia são menos de 48h)