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193. Lembra-te dos pequenos

Os pequenos são como as tuas fraldas, tu não sabes como elas aparecem mas tens sempre o rabinho limpinho. Na tua vida vão passar um sem número de pessoas que darão contributos menores ou maiores, sejam a nível profissional ou pessoal. Os que quero que lembres hoje (e no máximo de dias do ano) é daqueles mesmo pequeninos que sem eles não terias alcançado bons resultados. Pode ser dinheiro, uma prenda simbólica, um convite para beber um copo ou mesmo um simples obrigado público. Os grandes é fácil lembrares-te mas os pequenos são tão ou mais importantes na tua vida. Eu agradeço à tua avó por quando deixo os sapatos a secar de uma chuvada, ela ao invés de os arrumar apenas, engraxa-os sempre ou por arrumar a roupa do pai nas gavetas apesar do pai ter uma ordem específica de arrumação (e ficar quase tudo ao contrário). 

(Todos diferentes/ todos iguais como dizia uma campanha contra o racismo quando o pai era “piqueno”) 
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192. Sê mais exigente contigo do que com os outros

A exigência é como a educação, os níveis para contigo próprio devem ser sempre os mais elevados. Compreenderes as tuas limitações assim como as dos outros é crítico para não viveres com frustrações permanentes. Mais, há coisas que tu como os outros nunca serão bons a fazer por muito esforço que façam. Há anos que defendo que ninguém é burro, tendo cada um de nós mais inteligência para umas coisas do que para outras. No entanto, isto não quer dizer que não tentes chegar o mais longe possível nas coisas que gostes, pelo contrário, a maior exigência deve ser contigo próprio colocando novos desafios. Não exijas é dos outros aquilo que não conseguem ou conseguirão dar.

PS: este é um conselho extremamente difícil de seguir porque vives numa sociedade de expectativa, para contigo e para com os outros. Coisas como esperar que os outros façam pisca na estrada, andem na fila mais à direita na estrada, cheguem a horas a um encontro, apanhem as meias do chão, entre um sem número de pequenos “nadas” vão-te deixar muitas vezes chateado. Confesso-te que a limitação de espalhares plasticina por tudo o que é chão, sofá, tapete, sapatos e afins neste momento me anda a deixar algo frustrado face à expetativa de a teres toda junta na tua mesa de brincadeiras 

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191. Não mandes os "macacos" para baixo da cama

Mandares macacos para baixo da cama é como teres algumas negativas na escola e dizeres-me que está a correr bem, mais cedo ou mais tarde vamos-te apanhar e vais passar vergonha. Existem lenços de papel ou casa de banho onde os podes depositar, pelo que nem debaixo da cama nem debaixo da mesa de jantar. Se quiseres até os podes colocar num pouco de papel higiénico e fazer uma cerimónia fúnebre na sanita (ao dia de hoje costumas fazê-lo, por exemplo, quando levo uma fralda bem composta com um sonoro – “ADEUS COCÓ!”).

(É uma das tuas músicas favoritas do momento e até nos obrigas a cantá-la traduzida algumas cinco vezes de seguida mas já te questionaste porque os macacos caem da cama e se magoam? Porque têm que ir para o lixo ou pela sanita abaixo!)
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190. Celebra as datas "meio" importantes

As datas meio importantes são como a Quinta-feira, ainda não é o fim-de-semana mas está quase lá. Sempre que estás a meio de um processo positivo (ou a meio de sair de um processo negativo para positivo) deves bater nas tuas próprias costas, congratulares-te, fazeres uma meia celebração. Serve para ti como para outras pessoas que estão à tua volta que estão a meio do esforço para conseguirem algo que querem muito fazer (ou até não querem mas que tem de ser feito, como apanhar todos os pedaços mínimos de plasticina com que brincas no sofá ou no tapete da sala). A vida deve ser feita de vitórias intermédias até chegares às grandes vitórias. No entanto, aviso-te que passares de um 1 para um 2 em matemática (e não para um 3) ou arrumares meio quarto (e não o quarto todo) não são meias vitórias.

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189. Não tenhas medo da escola

A escola é como tomar banho em dias frios, não queres começar mas depois de entrares na banheira já não queres sair. Mais, tendo tu a companhia certa nem tens problemas em começar e tens ainda menos vontade de sair.

A escola é também como o trabalho (ou como dizes hoje, o “ganha-papa”), passas lá muitas horas, tens muitos dias fantásticos (e alguns dias maus), tens bons professores (e alguns menos bons), conheces colegas fabulosos (outros nem por isso) e tens objetivos para cumprir que te vão trazer grande felicidade (a par do muito esforço, por vezes). 

O que difere e porque deves aproveitar ao máximo a escola? Podes-te baldar (com moderação), não tens que aturar os colegas que não gostas (já os professores menos bons não te safas) e podes falhar em maior escala, que à partida quem te paga as contas ainda serei eu e a tua mãe (mas olha que tenho um excel com todas as tuas dívidas desde que soube que ias nascer, pelo que não te estiques que já tem alguns zeros à direita).  

Segredo para ultrapassar o medo da escola assim como do trabalho? Automotiva-te e encontra a companhia certa (no caso da escola podes levar também para a banheira; já do trabalho deixo-te o sábio conselho “casa onde se ganha o pão, não se come a carne” que te explicarei num conselho bem posterior, lá para quando começares a trabalhar, tipo aos 15 anos).

  
(Um tipo de companhia certa que neste momento te captura o olhar cada vez que aparece na televisão. Já fiz a pesquisa por ti e chama-se Blanca Suarez, é aqui do país ao lado e neste momento está solteira; só é 23 anos mais velha que tu, nada de mais)
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186. Nunca compares a tua namorada à tua mãe

Comparares a tua namorada à tua mãe é como comparares um português e um espanhol ou um benfiquista e um sportinguista, o céu cai-te em cima da cabeça. Mesmo perante pedidos de comparação diretos, a abordagem deve ser sempre à la político, isto é, foco nos aspectos positivos ou contornar o assunto de tal maneira que a pergunta se perca na resposta.

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185. Escolhe bem o teu cabelereiro

O cabelereiro é como uma terceira mãe. A primeira conhece-te de gingeira e faz-te todas aquelas coisinhas que gostas. A segunda é a tua namorada ou mulher que te faz a maioria das coisas que gostas, tendo menos paciência para muitas das tuas “particularidades”, como deixares as meias no chão ou nunca substituires o rolo de papel higiénico. O cabelereiro é a tua terceira mãe porque tem que saber de cor como gostas que te corte o cabelo, nem um mílimetro a mais nem a menos, aquela medida exacta tal qual o prato preferido que a mãe faz ou aquele beijo intenso da tua namorada.

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183. Usa barba de três dias

A barba de três dias é como uma feijoada comida no dia a seguir, tem um aspecto mais pesado mas o “piquinho” acentuado dá-lhe um sabor mais gostoso. Uma barba com mais dias, já é um risco e o “piquinho” pode-se tornar desagradável (ou como tu dizes ao pai agora, quando te dou um beijo – “pica! pica! papá não”).