Um blog de um pai que prometeu ler os livros de parentalidade no 1º filho e como não leu teve o TPC de escrever 365 conselhos para o rapaz. Pelo caminho veio o segundo filhote e, felizmente, a professora não duplicou o TPC!
Os outros são tu e tu és os outros. Não te preocupes que o pai não andou a beber, só água e da boa, de Monchique. A vida vai-te provar que a forma como és com os outros vai reflectir-se na forma como são contigo e com outros e assim por conseguinte. Por exemplo, neste momento andas a cantar o “Rape Me” dos Nirvana e o “I-E-A-I-A-I-O” dos System of a Down aos teus avós, professoras e colegas, que provavelmente pensam que andas a ver umas coisas estranhas na TV (só não sabem é que é a música que eu ouço contigo no carro ou para aliviar o stress). Desde a forma como falas, como interages fisicamente, motivas ou implicas, tudo isso vai produzir efeitos nos outros, de igual forma que os outros produzem em ti. Como em tudo na vida a solução é o ponto de equilíbrio, isto é, não ir para os extremos nos comportamentos e ações mas não deixar de ter a tua própria personalidade. Mais, e muito importante, ninguém merece que chores, sintas uma frustração enorme, ou te sintas uma merda. Se já souberes hoje como surge a vida humana, não terás dificuldade em acreditar que somos um pequeno milagre da natureza desde o primeiro dia (mesmo que muitos de nós enveredem por caminhos destrutivos). Causarás mais ou menos impacto no mundo mas pensa que tendo tu só uma vida (a tua mãe acredita na reencarnação e eu já estive mais longe de não acreditar; e olha que as teorias dizem que reencarnando é para pagar o que fizeste na vida anterior) deves passar mais tempo a fazer o bem aos outros que o mal, para fazer deste mundo algo melhor para quem vem a seguir. Tu não és eterno (apesar de muita gente pensar que sim, infelizmente).
A amizade é como o álcool, às vezes (reitero, às vezes) é preciso aprofundar significativamente para se entender melhor aspetos incompreensíveis à primeira vista. Um verdadeiro amigo deve dar a sua verdadeira opinião sempre que a peçam, reitero, sempre que a peçam e não porque te vai na cabeça opinar sobre tudo. No entanto, há algumas circunstâncias em que deves alertar os teus amigos mesmo que não te estejam a pedir opinião, como sendo um macaco no nariz, uma braguilha aberta, estarem a beijar um homem pensando que é uma mulher ou vice-versa, a sentir-se bêbados quando passaram a noite a beber cocktails sem álcool, estarem a pensar curtir com a mulher de outro grande amigo, enfim, todas aquelas em que até pode ter piada durante alguns segundos mas depois as consequências podem ser graves.
(É de momentos como este é que vem o ditado “os amigos são para as ocasiões”)
Responder sempre a quem te interpela é como dares um beijinho de boa-noite aos papás, podias não dar mas ias deixar-nos tristes. Pode ser um email, telefonema, whatsapp, messenger, tweet ou até mesmo um like no Tinder. Todos merecem uma resposta do teu lado, mais não seja porque alguém perdeu um milissegundo para “falar” contigo. Claro está que um contacto do pai ou da mãe, nem que seja da sala para o teu quarto, são o topo das prioridades de resposta. Eu e os teus tios éramos conhecidos por ser os miúdos mais educados lá da rua porque a avó e o avô ralhavam forte e feio connosco se não cumprimentássemos por esta ordem o Ti Luís, a Dona Conceição/ Sr. Alberto, Sr. Agostinho, Dona Deolinda/ Sr. Zé, a Dona Olívia dos Gatos, a Sra. Maria/ Sr. Zé Barbeiro, a Dona Idalina/ Sr. Manuel, Menina Assunção/ Sr. Zé e a Dona Antónia/ a Vizinha/ Sr. João.
(Já viste que a mamã responde sempre ao que o menino pergunta?)
Os relações públicas são como os trapezistas, a linha que os separa de bestiais a bestas é sempre muito ténue. São uma das profissões mais stressantes dos últimos anos e que toda a gente diz que consegue fazer, que não são necessários grandes conhecimentos, que são muitas vezes um centro de custos, que não geram vendas, que…mais um chorrilho de coisas em que ser associado ao tipo que está à porta da discoteca e conhece meio-mundo ou o tipo que serve croquetes na festa até parece ser do mais positivo da profissão. A apostar em carreira é em funções prescritivas, isto é, funções em que o que dizes é lei e é aceitável que tenhas um ordenado acima da média porque é preciso “realmente estudar”. Profissões como médico, controlador aéreo, advogado, financeiro, nas quais o discurso hermético e a “utilidade” existe mesmo e são especialistas por áreas.
Depois destas linhas todas deves estar a questionar porque raio então escolheste tu, pai ser RP? Primeiro porque percebi muito cedo que adequar a mensagem aos diferentes públicos salva muito gente de problemas. Na escola evitei apanhar porrada e ser roubado, eu e outros miúdos igualmente pequenos e timídos, ao tornar-me amigo dos bullies; ao tentar perceber a sua perspetiva de fazer um corredor para nos dar pontapés e calduços à saída do pavilhão ou querer “aliviar-nos” do almoço ou do dinheiro da carteira. Depois, todos os dias tens desafios diferentes, tanto pode ser uma crise como lançar um novo produto, como ter que comunicar algo a uma equipa inteira, contribuir para criar uma marca de raiz, entre tantos outros. Desafios em que tens por vezes segundos para tomar decisões críticas à la piloto de fórmula 1, em que uma palavra mal dita pode ter consequências muito negativas. No entanto, se no piloto és a estrela, nas RP, as estrelas devem ser os outros. E isso também é algo que adoro no trabalho que faço, de fazer brilhar pessoas e ideias que de outra forma não seriam conhecidas. Mais, regra geral tens sempre budgets reduzidos ou “no budgets” mas tens que fazer acontecer e no mais curto espaço de tempo, imagina a adrenalina que não é! Tens que provar constantemente que vale a pena investir no teu trabalho, que é um trabalho que também é, atenção 1, especializado, que também requer, atenção 2, formação, que também necessita, atenção 3, talento. Conheces seres humanos fantásticos, que estão sempre disponíveis para fazer mais e melhor, mesmo recebendo pouco. Permite-te perceber o máximo da profissão dos outros e procurar com ela interagir da melhor forma, por mais hermética que seja. Permite-te colocar no papel dos outros para perceber a sua perspetivas das coisas por mais “twisted” que elas sejam. Não faz do teu pai a pessoa mais rica de dinheiro mas rica de relações, rica de felicidade no que faz e sobretudo rica por poder contar histórias diferentes todos os dias que ficariam por contar muitas vezes.
PS: 14 anos depois a tua avó “Guta” continua sem saber muito bem o que é que o filho dela, senhor teu pai faz, mas amo-a e agradeço-lhe tanto mais por isso, porque me ajudou vezes sem conta com o “efeito da minha mãe”, isto é, a perceber que se o que a marca A ou B lhe diz ela não entende, a maior das pessoas não entenderá também. Mais, foi o espírito falador e de enorme coração em ajudar os outros que contribuiu grandemente para eu escolher ser RP (isso e poder vir a ser o tipo à porta da discoteca que decidia quem entrava na mesma e todas as miúdas giras o queriam conhecer).
As pessoas positivas são como as uvas, mesmo com o passar do tempo não se estragam e mantém aquelas qualidades distintivas. O facto de te rodeares de pessoas positivas faz de ti uma pessoa mais ambiciosa e crente das tuas capacidades e ao mesmo tempo torna os teus dias mais animados e ricos. Cultural e até diria geneticamente os Portugueses são o povo do “mais ou menos” ou do “vai-se andando” pelo que te alerto desde já para não seres demasiadamente positivo junto dos outros Portugueses porque te podem conotar de três ou quatro “defeitos” como seres parvo, florzinha ou qualquer outra estupidez absurda de quem não consegue ser feliz. Mais, não tenhas vergonha ou problemas de deixar de estar com aquelas pessoas negativas presentes na tua vida, excepção feita do teu pai, da tua mãe ou do teu…chefe. Negativo é teres uma doença incurável que te vai matar num espaço determinado de tempo sem teres vivido os sentimentos diferentes que a vida tem para te oferecer. Tudo o resto é ultrapassável nesta vida, até o teu…pai (pergunta à tua mãe).
(Procura a felicidade mas não exaustivamente que ela está sempre em ti, basta olhares para o céu, para os olhos da tua mãe ou para o carro do papá)
Encher copos à taberneiro é uma arte tão ancestral quanto fazer xixi sem sujar a tampa da sanita. Se nesta segunda é fácil de resolver, basta…sentares-te (excepto se for um urinol, que não dá muito jeito, apesar de haver vídeos na net que provam que é possível), a primeira requer muita prática. Podes começar por praticar com o Compal de alperce que tanto gostamos e passar para bebidas mais fortes, tipo leite Vigor ou um potente Galão Alentejano. Quanto mais praticares mais fácil vai ser deixar o copo “resvés Campo de Ourique“. Vais também perceber que um copo à taberneiro é como a vida, nem com espaço vazio nem a transbordar, tem que ser mesmo à tangente. Esse equilíbrio perfeito entre família, amigos, conhecidos e desconhecidos, pessoal e profissional, problemas e soluções torna-se mais fácil também com a prática.
Os discos antigos são como os idosos, baús de histórias fantásticas repletas de erros, à espera de serem ouvidas. O gira-discos com que os deves tocar pode ser ultramoderno mas até te aconselho que seja igualmente antigo. Jamais esquecerei as tardes na terra do teu avô paterno em que me sentava a ouvir a tua bisavó, juntamente com a comadre e o padrinho do teu pai, a contarem histórias que só alguém do alto de 70 e muitos anos de aventuras conjuntas o consegue fazer. Nos discos antigos vais descobrir aquele fogo intenso de um número diminuto de faixas de cada lado, por oposição aos milhares que o teu amado iPad comporta. É neles que poderás perceber que o teu próximo é perfeito nas suas imperfeições, que algumas relações são feitas para durar dois minutos fulgurantes e outras longas faixas com momentos de perfeição mas também com falhas e erros, que te farão dar mais valor ao que tens em mãos.
PS: este conselho veio hoje a propósito porque andas há semanas a pedir-me para arranjar o gira-discos da tua avó. Desde pequeno que adoras o “roda, roda, roda, roda!!!!” em casa da “Avó Titi”. Massacras o teu avô para te ter ao colo para poderes ver o gira-discos a tocar vezes sem conta os discos que a tua mãe e tia ouviam em pequenas. Ouves os CDs com a mesma música mas continuas a pedir o “roda, roda, roda, roda!!!”.
(Dir-te-ia para fechares os olhos e limitares-te a ouvir mas a realidade é que os gira-discos como hoje amas intensamente tem o tal “roda, roda, roda, roda!!!” incomparável ao que quer que seja)
Os contactos são como os amigos, merecem sempre uma resposta, positiva ou negativa. Seja um email, sms, mensagem Whatsapp, uma pergunta desagradável ou qualquer outro formato tecnologicamente avançado com que te contactem quando leres esta mensagem, deves dar sempre feedback. É uma questão de boa educação. Mesmo que não tenhas vontade de responder ou que seja já uma conversa longa (e chata), deves descobrir o máximo de assertividade que há em ti para responderes. Se tiver que ser uma resposta com carga negativa, que seja mas aí deves fazer sempre cara-a-cara (excepto se o interlocutor tiver mais meio metro ou mais 50 kg que tu, aí é chamar o teu padrinho Kung Fu Casaca para te acompanhar).
PS: aprendi no curso superior que tirei que é impossível não comunicar, mesmo ficando em silêncio. Num diálogo verbal, os teus avôs aprenderam (como eu estou a aprender) que muitas coisas que as tuas avós dizem é melhor responder com “silêncio inteligente” (cruzamento entre silêncio e fazeres-te de “parvo” ou “mau ouvinte”). A grande dificuldade está em perceber quando empregar e não empregar o “silêncio inteligente” com as mulheres (não me perguntes o segredo que ainda não sei e os teus avôs não me querem passar).
Papel higiénico no WC é como combustível no carro, verificar sempre primeiro antes de “arrancares”. Assim que entras num WC para fazer cocó (em linguagem de adulto diz-se nº2, deixo-te já a nota), mesmo naqueles momentos de aflição, deves verificar logo se há papel higiénico e em quantidade aceitável. O conceito de aceitável dependerá do quão comichoso és, pois há desde o pessoal que forra a tampa da sanita pública até ao pessoal que parece limpar o rabo a meia-folha e não lava as mãos (se quiseres ser destes últimos tenho a mangueira do terraço à tua espera). Se quiseres jogar pelo seguro, nada como um pacote de toalhitas pequeno, que tanto serve para limpar o “cheiro a cavalo” debaixo dos braços como o rabinho. Nunca conheci carro nenhum do teu avô paterno que não tivesse sempre um rolo de papel higiénico e alguma vez andasse na reserva.
PS: nunca deixar essas toalhitas delicadas junto aquelas carregadas de álcool de limpar as mãos depois de as sujar no carro. Pergunta à tua mãe o que me aconteceu em Porto Covo quando eramos namorados.
PSS: se acabares o rolo de papel higiénico em casa coloca sempre um novo para a pessoa seguinte. Se for noutro local como a casa de um amigo faz o mesmo se tiver à mão (para não dares a parte fraca, esconde o cartão do rolo no bolso e coloca no lixo quando saires da casa do mesmo)
A roupa interior é como o carro que conduzes, tens do desportivo, apaixonante e duro ao familiar, “simpático” e confortável. Deves escolher a roupa interior em função da expetativa de dia que vais ter. Se vais ficar em casa a “bezerrar” no sofá, nada como aquela cueca largeirona que te deixa as tuas “miudezas” à vontade. Já se fores sair pela terceira vez com uma moça que gostas muito, nada como um boxer justinho de boa marca. Nunca mas nunca mesmo vestir fio dental ou aquelas coisas “tigresse” por muito que gostes de fazer o amor com a tua namorada, basta perguntares ao Google por algo como “revenge girlfriend videos” e vais perceber porquê. O ideal? Um Volkswagen Golf GTD, ou seja, uma boxer justa que te deixa apetecível mas é confortável ao mesmo tempo, ficando assim com o look desportivo que antevê diversão mas que não te deixa as “miudezas” demasiadamente apertadas.
PS: Slips fora de questão, vá até aos 5 anos. Não usares nada só se fores modelo profissional com uns abdominais de ferro.