Praticar bom português é como saberes beber um bom vinho, a qualidade pode estar lá mas exige estudo, prática e a adequação ao contexto. Inaceitáveis coisas como o trabalho do teu pai ser de “acessoria” de imprensa ou que este blogue seja de “concelhos” ou que “à” pouca comida no frigorífico. Aceita-se o teu “papapapa” em troca de “pai” com 11 meses mas “prontos” com 16 anos dá direito a uma semana sem iPhone 53. Para praticares bom português nada como ler muitos livros, ver muitos documentários e experiencar in loco cultura. Podes inclusive fazer uma brincadeira simples que é abrir o dicionário da tua língua e de outra língua e aprender uma palavra nova por dia. O teu pai por exemplo aprendeu a não ser “chambão” com este conselho (e também que “cabrão” é o marido da cabra mas levas palmada ou vais para a rua se o disseres).
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125. Corrige os teus erros
Corrigir os erros que fizeste é como tomar banho depois de uma noitada em bares, dá para limpar quase toda a porcaria que fizeste (quase toda!). Vem este conselho a propósito de ter recebido um alerta de uma amiga a indicar que o antes conselho 125 colidia com um dos primeiros (e poderia colidir com o 87 também que falava em “assumir os erros” mas aqui fala-se de corrigir mesmo!). Felizmente este é daqueles erros que se corrigem rapidamente e sem efeitos nefastos. Já tu beberes um copo a mais e chamares “gorda” à tua melhor amiga, mentires sobre algo grave aos teus pais, seres do Porto ou do Sporting e aquelas “zonas cinzentas” complicadas, pode ser incorrigível. “Peço desculpa” são duas palavras que podem mudar várias vidas ligadas à tua. Aprende-as rapidamente que erros, infelizmente (ou felizmente), não vão faltar no teu caminho.
124. Evita as "zonas cinzentas"
As “zonas cinzentas” são como o alcóol e o tabaco, podem saber bem em determinado momento mas fazem mal como o caraças. As “zonas cinzentas” são aquela omissão que fazes quando a tua mãe te pergunta se te deitaste cedo e foste para a cama às 6 da matina ou quando combinaste algo com um amigo mas estavas a acabar um videojogo e disseste que estavas doente. Há ainda as grandes “zonas cinzentas” que te explicarei cara-a-cara ou aprenderás sozinho que é por exemplo andares com uma pessoa, teres umas semanas más com ela e outra que te parece o máximo beijar-te e tu não te retraíres. O ideal é estares no preto ou no branco, sendo que o branco é melhor que é o caminho da verdade. Vou-te assim falar de três valores que podem marcar a tua vida e que deves ser fiel ao máximo deles possível evitando as “zonas cinzentas”: humildade, honestidade e fidelidade. É no meio destes três que as “zonas cinzentas” são mais perigosas. Há outros mas estes são os que acho mais importantes de manter na vida fora das “zonas cinzentas”.
123. Não te comprometas em nome dos outros
Assumires os compromissos pelos outros é como andares de mota à beira de um precípio ou pode dar um resultado positivo ou ser a “morte do artista“. Dizia-me o teu futuro padrinho do alto dos 30 e poucos que “não metia as mãos no fogo pelos outros, nem mesmo por ele!”. Não digo para ires tão longe mas comprometeres-te pelos outros só quando tiveres 90% de garantia que vão corresponder ao acordado. 100% é impossível que toda a gente falha, até tu mesmo, daí as sábias palavras do teu futuro padrinho. O teu pai chama-lhe as zonas cinzentas, algo que te explico no próximo conselho. Para já, cuidado com o que te comprometes que o teu bom nome é algo que ainda vale alguma coisa perante os outros e integridade é algo que deves preservar neste mundo em que os valores andam perdidos.
122. Respeita o WC
Desrespeitares o WC é como correres a meia maratona e teres um balde de areia para beber e te lavares no fim. Há regras muita básicas que tens que cumprir que mais cedo (o teu pai a ralhar) ou mais tarde (quando tiveres a tua casa) vais aprender. A primeira, sendo tu rapaz, é levantar a tampa da sanita quando fazes xixi (para aprenderes basta ires fazer o número 2 aka cócó a seguir). A segunda é tem sempre rolos de papel higiénico sobressalentes. Se estiveres nunca casa de banho pública, antes de arrancares para o número 2 por mais desesperado que estejas, verifica sempre se há papel primeiro. A terceira é, anda sempre com lenços de assoar, nunca sabes quando pode dar uma emergência e alguém não respeitar a primeira e segunda regra. A regra número quatro, tendo em conta a genética do teu pai e avô e o contexto “sem pêlo” em que vives, é levares um saco/ toalha para apanhar os pêlos que rapes. A última regra e a mais importante, é puxar sempre o autoclismo antes de sair do WC. Obras só as dos grandes artistas é que as pessoas gostam de ver, as da sanita são poucos os que têm que apreciar.
121. Carrega sempre o teu telemóvel
Fiares-te que a bateria do telemóvel aguenta é como acreditares que aquela luz da reserva do carro dá para mais 500 km, experimenta. Por muito que aches que nunca acontecerá precisar de ligar para os teus pais, namorada ou amigos (varia em função da circunstância em que estiveres, mais tarde perceberás porque menciono os três), vai haver um dia em que uma bela situação inesperada vai surgir e tu não tens carga (ou até podes ter mas de outro tipo). Se tiveres acompanhado poderás ter sorte (ou muito azar, mais uma para entenderes mais tarde), caso contrário terás sempre que optar pelo “carro do Armando” (esta podes pesquisar no google). Telemóvel é para estar carregado de energia e de dinheiro para falar.
PS: este conselho não serve para me chateares a cabeça que precisas de ter um iPhone 42 para estares sempre contatável. Lembra-te que o teu pai nasceu no tempo em que haviam apenas telefones fixos. Só perto dos 30 é que surgiu o primeiro iPhone.
120. Anda sempre com dinheiro vivo
Confiares apenas num formato de pagamento é como acreditares que uma mulher se apaixona por ti só pelo teu sorriso. Não te fies apenas nos cartões de débito ou crédito ou no telepagamento, tem sempre uma quantidade adequada de dinheiro vivo no bolso, pois caso falhem por exemplo as comunicações não consegues pagar nada. Depois, só tens duas hipóteses ou “pagas com o corpinho” (entenda-se lavas pratos ou afins, nada de poucas vergonhas) ou ligas ao teu pai (que te leva o dinheiro passado duas horas para aprenderes este 120º conselho).
119. Chora sobre o leite derramado
Chorar é como o suor quando fazes uma atividade intensa, pode-te parecer que transmite uma imagem péssima (e em alguns caso transmite mesmo) mas faz-te um bem danado. Se algo te deixou estupidamente triste ou afetado, para além de ires correr, arrumar o quarto, beber um suminho (alcóol faz muito mal porque sim e quando o pai diz que sim é porque tem razão, certo?), leres o código do trabalho, tentares comer uma colher de canela, tentar chegar à terra do teu pai na minha bicicleta com a corrente partida, chora, purga o mal que está dentro de ti, vais ver que te sentes mais aliviado. Se tiveres uma amiga gira e não tiveres namorada, antes de todas as opções atrás, começa logo por chorar e diz que “ninguém te compreende”. Diz-me depois como correu (com pormenores).
116. Mama mas não abuses
Recusar ajuda é como ter um guarda-chuva fechado quando está a chover, até te podes safar mas arriscas-te a que as coisas possam correr mal. Há que ter consciência dos teus limites, ainda que os devas sempre superar a bem da tua evolução. Nada como ter o apoio dos outros, claro está, se o oferecerem ou se a tal se predispuserem. Nunca te esqueças que os amigos servem para te ajudar mas também (e reitero o também) para tu os ajudares. Neste sentido e como diz uma caneca das Caldas em formato de peito que a tua avó Gusta tem lá em casa “mama mas não abuses”.
PS: o mesmo serve para a tua família, sobretudo o teu pai e a tua mãe!
115. Vê desporto automóvel
O desporto automóvel é como saídas de uma noite, pode ser altamente excitante mas acabar muito mal. O teu pai era um grande fã de rallies na época dos Integrale, Cosworth e Celicas (livra-te de não saberes o que acabo de dizer quando leres isto, será sinal que te eduquei mal). Julgo que pouco antes ou na mesma altura tive uma pancada pela F1 com uns carros pretos da John Player Special conduzidos por um tal de Ayrton Senna. Mais recentemente apaixonei-me pelo TT, por via de ter conhecido e trabalho com o tetracampeão nacional Filipe Campos. Por esta altura de Janeiro decorre o Dakar, algo que se puder ainda acompanharei um dia contigo. A capacidade destas pessoas de conduzirem como conduzem e mesmo as viaturas em si, rapaz, rapidamente vais perceber o porquê de parecerem “saídas de uma noite”.
PS: ainda não cumpri o meu sonho de andar ao lado de um piloto de rallies pelo que vou esperar que tu te tornes num para dar uns “giros”
