0

119. Chora sobre o leite derramado

Chorar é como o suor quando fazes uma atividade intensa, pode-te parecer que transmite uma imagem péssima (e em alguns caso transmite mesmo) mas faz-te um bem danado. Se algo te deixou estupidamente triste ou afetado, para além de ires correr, arrumar o quarto, beber um suminho (alcóol faz muito mal porque sim e quando o pai diz que sim é porque tem razão, certo?), leres o código do trabalho, tentares comer uma colher de canela, tentar chegar à terra do teu pai na minha bicicleta com a corrente partida, chora, purga o mal que está dentro de ti, vais ver que te sentes mais aliviado. Se tiveres uma amiga gira e não tiveres namorada, antes de todas as opções atrás, começa logo por chorar e diz que “ninguém te compreende”. Diz-me depois como correu (com pormenores).

(Fui ver este senhor por sentimento pela tua mãe e olha que dá um espetáculo do caraças. É também um tipo esperto, casou com uma latina) 
0

49. Chora quando for preciso

Por seres homem, 99% das situações típicas de choro não o deves fazer. Até porque já o fizeste muito em bebé, quando precisavas de fralda mudada, comida ou tinhas cólicas. O 1% é só quando perderes alguém que gostas. Braços ou pernas partidas, malaguetas na boca, filmes tristes, a morte do cãozinho não contam. Estou a brincar contigo, chora quando o sentires que o tens que fazer, em qualquer das situações atrás ou outras. Só não quero que chores quando alguém te humilhar, não pelo que sentes mas pela outra pessoa não o merecer.


 
(O filme favorito do teu pai – Lista de Schindler – cuja cena final coloca-lhe sempre água nos olhos; vejo-o sempre a cortar cebolas que o teu pai ainda é homem de pêlo no peito, pergunta à tua mãe)
0

45. Sorri com frequência

Não custa dinheiro, os dias ficam mais preenchidos e quem te rodeia sente-se melhor, se sorrires com frequência. Vais chegar ao fim do dia, da semana ou mesmo do ano e olhar para muitas das situações que quase te fizeram chorar (sim que os homens não choram) e sorrir, pois afinal não foram nada de mais. Diz a sabedoria popular “que só a morte é que não tem solução”. Eu dir-te-ei a morte e o Euromilhões que teima em não sair ao teu pai (mentira, já saiu no dia em que tu nasceste!).

(Um dos primeiros stresses do teu pai foi quando teve um acidente com a Suzuki Wolf do teu tio Pedro e quando ele chegou a casa veio com cara de mau de quem me queria bater e quando chegou ao pé de mim riu-se à gargalhada e perguntou-me se me tinha magoado)