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150. Guarda uma foto da tua primeira namorada, primeiro carro e primeiro peixe

As primeiras vezes devem ser registadas e recordadas como os golos do teu Benfica. Como tal é fundamental que tenhas um registo fotográfico da tua primeira namorada, do primeiro carro e do primeiro peixe que pescares com o Padrinho Casaca. Já tenho o registo da tua primeira hora, da tua primeira laranja, do primeiro carro, e de uma série de outras primeiras. Só me esqueci do primeiro cócó mas garanto-te que estava tão entusiasmado como a ver um golo do benfica.

(No comments)
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94. Trata bem dos teus carros

Hoje o teu pai despediu-se do Mini Cooper S. Era confortável? Não. Era espaçoso? Não. Era poupado? Não. Era Sóbrio? Não. Era adequado para a vida do teu pai? Não. Porque o tinha então? Porque dava um gozo tão grande como sex…tas feiras! Nunca conduzi nada como este Mini Cooper S, que te trouxe inclusive do hospital onde nasceste para casa. Era um underdog junto dos cães grandes com que se pegava muitas vezes (mea culpa). Comecei com um Opel Corsa 1.0 que de TT a viagens por esse sul fora fez de tudo um pouco. Fi-lo fazer um 360 no ar e chateei-o tanto que lhe rebentei a cabeça. Depois veio um Citroen ZX que comia mais que um burro mas falta de espaço não tinha. Vi-me literalmente grego para o vender. Regressei à origem e comprei um Opel Corsa TD Sport aka, segundo a tua mãe, o Dulcinante Azul. Valente máquina que ainda fez uns bons 100 mil km comigo até lhe rebentar a cabeça. Comprei depois, por um grande gosto pessoal da tua mãe, um Smart Fortwo. O primeiro carro automático (vi-me grego para o tirar do stand) mas que me tem surpreendido pela positiva (quase tantos km como o segundo Corsa) e com o qual aprendi a levar sempre o carro à marca oficial para o ter impecável. Antes do Mini ainda comprei um dos carros que mais gostava – Volkswagen Golf  – mas cometi o erro de comprar um 1.4 a gasolina e não o mítico 1.9 TDI (por esta altura já sabes o que estas siglas querem dizer, livra-te de não saberes sendo meu filho). Até aos 100 kmh, um burro andava mais depressa, a partir daí era maneirinho. O Mini, ah o Mini, era comer alcatrão até aos 22..120 kmh! Falei-te de todos os carros que tive até hoje para te dizer que os carros vão marcar a tua vida e que deves trata-los tão bem como a bons amigos ou amigas (felizmente fui mais simpático com os amigos que com os carros até aprender a trata-los melhor recentemente). Se o primeiro Corsa foi aquela amiga enxuta da minha mãe que me ensinou muita coisa e a quem estarei eternamente agradecido. O ZX era uma outra mas desdentada e chata. Já o segundo Corsa foi a primeira grande paixão que tive até a perder. O Smart é aquele amigo de 15 anos que temos que ensinar muita coisa mas que é humilde e bom rapaz. O Golf, daqueles amigos que tão depressa entram na nossa vida como saem. O Mini, aquela bomba latina de cabelo preto, olhos verdes, tudo no sitio com quem temos que ter cuidado para não nos darmos mal. O próximo? Dir-me-ás tu que espero que dure uns anitos mas que te digo já que cara de leão e promete. Trata é bem dele (nada de migalhas, mijadelas e vomitadelas).
 (Dos rabos mais giros que conheci)
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80. Aprende a mudar um pneu

Primeiro, homem que é homem tem que saber tratar das coisas básicas do seu carro: pneus, bateria e níveis de óleo e água. Por outro lado e, mais importante até em saber mudar um pneu, serve para ajudar mulheres em sarilhos. Não por não conseguirem-no fazer mas sim pela nossa força primitiva e a maior parte das vezes grunha. A par de outras situações, como abrir uma garrafa ou um frasco de qualquer coisa, mudar-lhes um pneu mostra a tua masculinidade e, muita atenção, se serás um bom exemplar para pai dos seus filhos (claro está, se tiveres de camisa de alças, tonificado, sem pêlo, mais de um 1,80m, um bom carro, um bom ordenado, os dentes lavados, entre outros aspectos menores do género).

(Primeiro carro a que mudei um pneu, do teu avô Tino, Morris Marina) 
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63. Lava os dentes

Para ti vai ser tão simples seguir este conselho como ir ver um jogo ao Estádio da Luz. Repara que nem um mês tinhas já os teu pais te limpavam leite das gengivas. Fá-lo sobretudo porque uma ida ao dentista, regra geral é como uma ida ao mecânico com o carro – há sempre qualquer coisita que não está bem ou que pode ser melhorada. O teu pai andou muitos anos à procura do dentista certo, pois é o médico que menos gostava de ir (não gosto de ir a nenhum porque o motivo é sempre algo não estar bem) e descobriu, via Tia Mafalda, o Dr. Tição. O Dr. P. desculpa T. é tão bom que até o consultório tem a rua com trânsito proibido, guardada por polícia com G3 (não tem nada a ver com a embaixada de Israel ser no mesmo prédio).

(A coisa mais parva que o teu pai já viu relacionada com dentes…esta e a conta do dentista antes de ter seguro de saúde)
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56. Acampa com amigos

O teu pai começou em 98 a ir para uma terra desconhecida chamada Porto Côvo (pelo caminho ainda parou em Melides; primeira experiência de acampamento com alguns episódios giros como enterrar o carro na areia). Saiu de Lisboa com os colegas de faculdade e hoje grandes amigos com 250 euros (na altura 50 contos) para 3 semanas de férias entre o Alentejo e o Algarve no seu dulcinante branco – Opel Corsa 1.0. A acampar, 250 euros rendiam. Começámos em Melides, passámos para Porto Côvo e Vila Nova de Mil Fontes e fechámos em Aljezur. Não descemos mais que o teu pai arrebentou acidentalmente com uma bilha de gás em Vila Nova de Mil Fontes com algumas consequências chatas que te contarei pessoalmente. Só dessa viagem foram muitas histórias mas digo-te que armar a tenda, cozinhar, lavar a louça, ir beber copos à noite, conversas perdidas entre tendas e mesmo a vizinhança não tens igual em nenhum hotel do mundo. Mais, o teu país tem parques de campismo por todo o lado, desde junto à praia, a serra ou mesmo a dois passos dos centros urbanos. É só escolheres e aproveitar!

(Parque de campismo Monte Branco em Porto Côvo, onde acampei de 1998 a 2006, fiz as primeiras férias com a tua mãe e eu e os teus tios Rente, Casaca, Vera, João e Elsa temos umas boas histórias)
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54. Aprende a ter paciência

A paciência é a maior virtude do ser humano. Curiosamente já nascemos sem grande parte dela, como tu tens mostrado, naturalmente, com os berreiros instantâneos quando tens fome, fralda suja, sono, birra ou outro. Um pouco mais velho vais provavelmente começar a querer ter coisas naquele momento e fazer as coisas á tua maneira e, assim, continuar com as birras com os teus pais. Já com clube definido (Benfica, não há dúvidas aí) e carta de condução, é mesmo a falta de paciência para com a tua equipa e para com os outros condutores. Segue-se a falta de paciência com familiares, amigos, trabalhos e sociedade em geral. Com o tempo a tendência é piorar, pelo que deves caminhar no sentido inverso. Paciência para ter as coisas, paciência para a família, paciência para os amigos, paciência para o trabalho, paciência para isto e para aquilo. Mas paciência não é ser burro ou estagnar, pelo que a dose é como nas receitas – paciência q.b. (quando é que é o limite, pergunta-me!).

(“Be nice, until its time to not be nice…and how do we know when its supposed that is…you won’t, I will tell you!” uma das frases mais catitas de um dos filmes de infância favoritos do teu pai – “Profissão Duro” com o famoso actor Patrick Swayze)
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43. Mantém-te a par do que se passa no mundo

Terás mais acesso a informação que qualquer geração anterior à tua (para teres uma ideia a tua bisavó não sabe ler nem escrever). Neste sentido, mantém-te a par do que se passa de mais importante nos principais sectores da sociedade em Portugal e no mundo. Uma pessoa informada tem sempre mais trunfos perante, praticamente, todas as situações da vida. Já viste que não sabes como um carro é feito? Ou algo tão simples como o papel? E não me respondas que é para isso que existe o Continente. Para te habituares o teu vai pôr-te a ver logo cedo programas como “Man Vs Wild” ou “How is it made” e a ler livros e jornais (começas logo na casa de banho quando estiveres a aprender a fazer cócó; fica já a explicação para o mistério de em muitas casas de banho encontrares revistas, as pessoas gostam de se actualizar aí, não tendo nada a ver com prisão de ventre ou afins).

(Primeiro jornal que o teu pai leu)
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38. Anda de bicicleta

Tenho-te falado de carros e de motas mas nada como começar nas bicicletas. O prazer de pedalar e sentir o vento na cara é único. Tudo depende de ti. Comecei aos oito anos sozinho e com uma parede como primeiro travão. Perdi a conta às bicicletas que tive mas não ao sonho de ser mecânico destas quando fosse adulto. Lembro-me de ter uns Michelin Cobra na BMX e de trocar para pneus mais velhos para fazer travagens de vários metros a chiar (os Michelin Cobra eram para voltas especiais). São horas de prazer, sozinho ou acompanhado. Vais adorar! (o teu rabo nos primeiros tempos é que nem por isso).

(Só há uma música que se pode ouvir sobre bicicletas é esta)