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197. Compra discos antigos

Os discos antigos são como os idosos, baús de histórias fantásticas repletas de erros, à espera de serem ouvidas. O gira-discos com que os deves tocar pode ser ultramoderno mas até te aconselho que seja igualmente antigo. Jamais esquecerei as tardes na terra do teu avô paterno em que me sentava a ouvir a tua bisavó, juntamente com a comadre e o padrinho do teu pai, a contarem histórias que só alguém do alto de 70 e muitos anos de aventuras conjuntas o consegue fazer. Nos discos antigos vais descobrir aquele fogo intenso de um número diminuto de faixas de cada lado, por oposição aos milhares que o teu amado iPad comporta. É neles que poderás perceber que o teu próximo é perfeito nas suas imperfeições, que algumas relações são feitas para durar dois minutos fulgurantes e outras longas faixas com momentos de perfeição mas também com falhas e erros, que te farão dar mais valor ao que tens em mãos.

PS: este conselho veio hoje a propósito porque andas há semanas a pedir-me para arranjar o gira-discos da tua avó. Desde pequeno que adoras o “roda, roda, roda, roda!!!!” em casa da “Avó Titi”. Massacras o teu avô para te ter ao colo para poderes ver o gira-discos a tocar vezes sem conta os discos que a tua mãe e tia ouviam em pequenas. Ouves os CDs com a mesma música mas continuas a pedir o “roda, roda, roda, roda!!!”.

(Dir-te-ia para fechares os olhos e limitares-te a ouvir mas a realidade é que os gira-discos como hoje amas intensamente tem o tal “roda, roda, roda, roda!!!” incomparável ao que quer que seja)
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164. Diz ao pai natal o que queres, que ele não adivinha os teus pensamentos

O pai natal é como o teu avô Elias, divertido, sempre disposto a te ajudar mas a precisar que lhe expliques se a força que estás a fazer é para chegar à aparelhagem ou encher a fralda. Escreve uma carta ou um email ao pai natal a dizer o que queres para lhe facilitar a vida. Deixo-te já o email: joaotrab@gmail.com. É igual ao do teu pai, só que vai direto à caixa de correio do pai natal, acredita em mim.

  (Carta mais explícita não podia haver)
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131. Ama os teus Avós

Os avós são como as melhores babysitters com a diferença que olham mais para ti do que para a televisão ou para o telemóvel. Sexta-feira passada foi o dia oficial dos avós mas para ti todos os dias são dia dos avós, uma vez que 6/7 dias por semana estás com os teus avós. Por esta altura, o teu avô Elias é o teu maior amigo e logo a seguir…a máquina de lavar roupa lá de casa dos teus avós (penso que eu e a tua mãe vimos a seguir à máquina, se não for a tua avó Jodi). Não me perguntes o porquê do teu fascínio pela Whirlpool aos 13 meses. Tenho esperança que vás inventar uma máquina de lavar que não use água ou assim no futuro. Os teus avós são o grande motivo de estares neste mundo. Vais perceber porquê quando a história da cegonha cair por terra. Por outro lado, já envelheceram como um vinho do Porto para terem cinco vezes mais paciência para te aturarem do que quando criaram o teu pai e a tua mãe. Terceiro, são poços de sabedoria. A escola da vida já lhes ensinou muita coisa que nenhum outro sitio te pode ensinar, absorve ao máximo. Infelizmente só conheci uma avó viva que me deixou muitas recordações e saudades, pelo que não perguntes porquê quando o teu pai diz para abraçares os teus avós com muito amor e carinho (mais não seja porque serão aqueles que te vão dar mais doces, tolerar mais estupidezes e sobretudo tornar-se teus aliados contra os maus da fita senhores teus pais).

(Porque o vocalista fez 70 anos a semana passada – geração dos teus avós portanto – deixo-te uma malha valente desta banda de “cotas”)
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129. Orgulha-te das tuas origens

As tuas origens são como os teus familiares, podem-te envergonhar em algum momento mas são uma base fundamental na tua vida. Hoje fica bem falar de teres origens de diferentes sitios, pelo que tu nasces de um mix entre um betinho de Cascais e uma ribatejana de pêlo na venta. Se começares a escalar na genealogia, tens da parte da mãe, um avô verdadeiramente nortenho e uma avó alentejana (da cábéça gourda). Da parte do pai, tens um avô da terra mais religiosa de Portugal e uma avó saloia. Em termos económicos, de modo geral, são ambos de famílias humildes com uma catrefada de filhos. Particularizando, o teu pai e a tua mãe já sabes que são médicos. O teu avô Tino era encarregado de construção civil e a tua avó Gusta foi sopeira e fez bastantes outras coisas mas grande parte da vida dedicou-se ao trabalho mais dificil que há, criar o teu pai, os teus tios e tomar conta do teu avô (sim, que as mulheres tomam conta de nós). O teu avô Elias dedicou-se a vida toda à hotelaria e a tua avó Judite fez de tudo um pouco que sempre foi (e será) mulher de não baixar os braços, não limpasse ela a casa todos os dias!; dedicam-se avô Elias e avó Judite, à data de hoje, ao difícil trabalho de te criar. Da minha parte, posso-te ainda falar do pai do teu avô que era resineiro, sapateiro e ajudou a construir o santuário de Fátima com o teu tetravô. E a “Ti Maria Noiva” – tua tetravó – que fazia vestidos de noiva, tratava do “catering” dos casamentos e era a parteira da freguesia; por sua vez casada com o “Ti José Moço”, que era “moço” na casa do pai da “Ti Maria Noiva” (e que dizem que eu sou fotocópia mas com mais 30 centímetros de altura e 5 de barriga). Penso que era o pai da “Ti Maria Noiva”´que tinha um lagar de azeite, daí tu, o teu pai e afins deste lado da família serem um pouco “azeiteiros”. Espero que te orgulhes do que disse atrás e que não te importes do teu pai te ter registado em Vila Franca de Xira ao invés de Lisboa onde nasceste, só porque achava que um “agrobeto” ia resultar melhor para o teu futuro.

(Por falar em origens, uma rapaziada que mostra como a música evoluiu e a importância deste passado) 
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116. Mama mas não abuses

Recusar ajuda é como ter um guarda-chuva fechado quando está a chover, até te podes safar mas arriscas-te a que as coisas possam correr mal. Há que ter consciência dos teus limites, ainda que os devas sempre superar a bem da tua evolução. Nada como ter o apoio dos outros, claro está, se o oferecerem ou se a tal se predispuserem. Nunca te esqueças que os amigos servem para te ajudar mas também (e reitero o também) para tu os ajudares. Neste sentido e como diz uma caneca das Caldas em formato de peito que a tua avó Gusta tem lá em casa “mama mas não abuses”.

PS: o mesmo serve para a tua família, sobretudo o teu pai e a tua mãe!

(Se há grito de “ajuda” que gosto é este por esta banda de desconhecidos)  
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110. Compra um casa com lareira

Uma casa com lareira é como uma terra com uma tasquinha típica, ambos são dispensáveis mas trazem um conforto que não tem impar. Há anos que o teu pai sonha com uma casa com lareira mas ainda não foi desta ou melhor foi mas…é uma lareira eléctrica cujas chamas são uma luz que apagas e acendes com uma resistência por baixo que dá calor. Nada como o crepitar da lenha, o cheiro a madeira queimada e a cor das brasas. Imaginar tudo isso, com neve lá fora e tu com a tua namorada numa manta no chão com um bom vinho e comidinha da boa é imaginares um dos maiores sonhos do teu pai. A primeira lareira em que tive foi a da tua bisavó onde o teu avô Tino nasceu que ainda lá está rija e preta com alguns banquinhos pequenos onde eu e os teus tios se sentavam. Fumei lá algumas palhas e a tua bisavó fazia lá uma sopa de feijão numa panela de três pés e umas chouriças de fumeiro que numa mais comi igual. Por isso, casa só com lareira de lenha, nada daquelas com caganitas de cabra ou aquecimentos centrais.

(Na ausência de lareira em casa, podes colocar este vídeo no teu PC, tablet, whatever com som alto)
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70. Dança música pimba num bailarico de Verão

Por muito que me digas que não gostas de ouvir música pimba, nada como beber umas Mini ou uns copos de vinho e dançar um belo de um Quim Barreiros numa festa de Verão numa aldeia perdida deste país. É das coisas mais descontraídas e divertidas que podes fazer no Verão (a par de jogar vólei na praia e…comer marisco). O teu pai é pé de chumbo tal como o teu avô Tino mas a tua mãe tem pé ligeiro e dança tudo como uma princesa. Arriscava a dizer que até os “peitos da cabritinha” parecem uma valsa sendo dançado pela tua mãe.

(Poderei referir-te um punhado de outras músicas mas Verão é Agosto e Agosto tem que ser esta música de um dos autores clássicos de MPP – Dino Meira)  
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29. Compra uma Bimby

Para além da lida da casa, deves saber cozinhar mais do que uma refeição da entrada, ao prato principal e sobremesa. Nesse sentido, o melhor conselho que te posso dar é comprar uma Bimby, o electrodoméstico mor de qualquer cozinha. Novamente, se encarares este mágico electrodoméstico como uma playstation, viras um ás na cozinha, pois só tens que seguir as receitas à letra e trabalhar com três simples factores em poucos botões (tal qual Medal of Honor na PS): tempo, velocidade e temperatura. Isto não exclui, a capacidade de fazer grelhados no carvão, nos quais o teu avô Tino era um mestre e que revelam o que de melhor o teu pais tem (sardinhas, bifanas, couratos, etc).


(A primeira Bimby que cá entrou em casa, despida depois de um arroz de cenoura, peixinhos da horta e leite creme de soja, tudo feito pelo teu pai num abrir e fechar de olhos)
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25. Ajuda alguém sempre que possas

Seja a pegar no saco das compras da vizinha velhinha, ajudar um cego na rua, ou qualquer outra forma de ajudar o próximo, sempre que tenhas oportunidade, fá-lo. Não fazes ideia da sensação que é fazer o bem pelo simples prazer de o fazer. Para teres uma ideia do quanto sabe bem, a tua avó paterna até nas compras do supermercado diz a desconhecidos se a fruta que estão a pensar levar e, que ela já comprou antes, é boa ou não. 

(Livro que explica voluntariado a crianças em que o teu pai participou com uma história pelo simples prazer de ensinar aos mais pequenos o importante que é ajudar o próximo)
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15. Oferece flores

Seja á tua namorada, mãe, avó ou mesmo uma desconhecida, pelo menos uma vez na vida oferece um ramo de flores. Nada daquelas porcarias virtuais mas mesmo físicas e cheirosas. Quando a coisa for séria, podes juntar uma caixinha dos bombons favoritos. Se não puderes entregar em mãos, manda entregar com um cartão manuscrito.

 (Tulipas brancas – flores favoritas da tua mãe)