0

231. Lembra-te de crescer com os outros

Os outros são tu e tu és os outros. Não te preocupes que o pai não andou a beber, só água e da boa, de Monchique. A vida vai-te provar que a forma como és com os outros vai reflectir-se na forma como são contigo e com outros e assim por conseguinte. Por exemplo, neste momento andas a cantar o “Rape Me” dos Nirvana e o “I-E-A-I-A-I-O” dos System of a Down aos teus avós, professoras e colegas, que provavelmente pensam que andas a ver umas coisas estranhas na TV (só não sabem é que é a música que eu ouço contigo no carro ou para aliviar o stress). Desde a forma como falas, como interages fisicamente, motivas ou implicas, tudo isso vai produzir efeitos nos outros, de igual forma que os outros produzem em ti. Como em tudo na vida a solução é o ponto de equilíbrio, isto é, não ir para os extremos nos comportamentos e ações mas não deixar de ter a tua própria personalidade. Mais, e muito importante, ninguém merece que chores, sintas uma frustração enorme, ou te sintas uma merda. Se já souberes hoje como surge a vida humana, não terás dificuldade em acreditar que somos um pequeno milagre da natureza desde o primeiro dia (mesmo que muitos de nós enveredem por caminhos destrutivos). Causarás mais ou menos impacto no mundo mas pensa que tendo tu só uma vida (a tua mãe acredita na reencarnação e eu já estive mais longe de não acreditar; e olha que as teorias dizem que reencarnando é para pagar o que fizeste na vida anterior) deves passar mais tempo a fazer o bem aos outros que o mal, para fazer deste mundo algo melhor para quem vem a seguir. Tu não és eterno (apesar de muita gente pensar que sim, infelizmente).

(Sem comentários)

0

229. Responde sempre a solicitações

Responder sempre a quem te interpela é como dares um beijinho de boa-noite aos papás, podias não dar mas ias deixar-nos tristes. Pode ser um email, telefonema, whatsapp, messenger, tweet ou até mesmo um like no Tinder. Todos merecem uma resposta do teu lado, mais não seja porque alguém perdeu um milissegundo para “falar” contigo. Claro está que um contacto do pai ou da mãe, nem que seja da sala para o teu quarto, são o topo das prioridades de resposta. Eu e os teus tios éramos conhecidos por ser os miúdos mais educados lá da rua porque a avó e o avô ralhavam forte e feio connosco se não cumprimentássemos por esta ordem o Ti Luís, a Dona Conceição/ Sr. Alberto, Sr. Agostinho, Dona Deolinda/ Sr. Zé, a Dona Olívia dos Gatos, a Sra. Maria/ Sr. Zé Barbeiro, a Dona Idalina/ Sr. Manuel, Menina Assunção/ Sr. Zé e a Dona Antónia/ a Vizinha/ Sr. João.

(Já viste que a mamã responde sempre ao que o menino pergunta?)

0

197. Compra discos antigos

Os discos antigos são como os idosos, baús de histórias fantásticas repletas de erros, à espera de serem ouvidas. O gira-discos com que os deves tocar pode ser ultramoderno mas até te aconselho que seja igualmente antigo. Jamais esquecerei as tardes na terra do teu avô paterno em que me sentava a ouvir a tua bisavó, juntamente com a comadre e o padrinho do teu pai, a contarem histórias que só alguém do alto de 70 e muitos anos de aventuras conjuntas o consegue fazer. Nos discos antigos vais descobrir aquele fogo intenso de um número diminuto de faixas de cada lado, por oposição aos milhares que o teu amado iPad comporta. É neles que poderás perceber que o teu próximo é perfeito nas suas imperfeições, que algumas relações são feitas para durar dois minutos fulgurantes e outras longas faixas com momentos de perfeição mas também com falhas e erros, que te farão dar mais valor ao que tens em mãos.

PS: este conselho veio hoje a propósito porque andas há semanas a pedir-me para arranjar o gira-discos da tua avó. Desde pequeno que adoras o “roda, roda, roda, roda!!!!” em casa da “Avó Titi”. Massacras o teu avô para te ter ao colo para poderes ver o gira-discos a tocar vezes sem conta os discos que a tua mãe e tia ouviam em pequenas. Ouves os CDs com a mesma música mas continuas a pedir o “roda, roda, roda, roda!!!”.

(Dir-te-ia para fechares os olhos e limitares-te a ouvir mas a realidade é que os gira-discos como hoje amas intensamente tem o tal “roda, roda, roda, roda!!!” incomparável ao que quer que seja)
0

193. Lembra-te dos pequenos

Os pequenos são como as tuas fraldas, tu não sabes como elas aparecem mas tens sempre o rabinho limpinho. Na tua vida vão passar um sem número de pessoas que darão contributos menores ou maiores, sejam a nível profissional ou pessoal. Os que quero que lembres hoje (e no máximo de dias do ano) é daqueles mesmo pequeninos que sem eles não terias alcançado bons resultados. Pode ser dinheiro, uma prenda simbólica, um convite para beber um copo ou mesmo um simples obrigado público. Os grandes é fácil lembrares-te mas os pequenos são tão ou mais importantes na tua vida. Eu agradeço à tua avó por quando deixo os sapatos a secar de uma chuvada, ela ao invés de os arrumar apenas, engraxa-os sempre ou por arrumar a roupa do pai nas gavetas apesar do pai ter uma ordem específica de arrumação (e ficar quase tudo ao contrário). 

(Todos diferentes/ todos iguais como dizia uma campanha contra o racismo quando o pai era “piqueno”) 
0

190. Celebra as datas "meio" importantes

As datas meio importantes são como a Quinta-feira, ainda não é o fim-de-semana mas está quase lá. Sempre que estás a meio de um processo positivo (ou a meio de sair de um processo negativo para positivo) deves bater nas tuas próprias costas, congratulares-te, fazeres uma meia celebração. Serve para ti como para outras pessoas que estão à tua volta que estão a meio do esforço para conseguirem algo que querem muito fazer (ou até não querem mas que tem de ser feito, como apanhar todos os pedaços mínimos de plasticina com que brincas no sofá ou no tapete da sala). A vida deve ser feita de vitórias intermédias até chegares às grandes vitórias. No entanto, aviso-te que passares de um 1 para um 2 em matemática (e não para um 3) ou arrumares meio quarto (e não o quarto todo) não são meias vitórias.

0

179. Não adormeças na praia

Adormecer na praia é como passares a noite a atirares-te às miúdas dos outros, a probabilidade de te magoares seriamente é elevada. Na praia como na noite, a proteção é a palavra-chave. Na praia apostas no protetor solar e na companhia para evitar os escaldões. Na noite, manténs a companhia (mas ajuizada, não da incentivadora) e levas borrachinha (daqui a uns anos, quando entrares na primária e levares a primeira para a escola o pai explica o que é). 

PS:na praia, também nunca te deites muito tempo de barriga para baixo. No dia em que te esqueceres deste mini-conselho vais perceber.

(Há todo o tipo de “azares” na praia…)
0

178. Não sejas um cobarde da net

Um cobarde da net é como um adepto que chama nomes ao treinador do terceiro anel. Apesar da internet ser anárquica e poderes dizer o que quiseres sem ninguém te fazer mal, isso não te dá o direito de faltares ao respeito a alguém, ou pior, gozares sem escrúpulos da miséria alheia. Basta leres os comentários a muitas notícias tristes do dia-a-dia para veres a quantidade de desumanidade, estupidez e grande cobardia que por aí anda atrás de um teclado de computador. Se queres comentar cobardemente , desliga o computador ou o telemóvel e sai à rua e corre, olha para o céu, manda uma mensagem positiva a alguém, faz alguma coisa que te torne uma pessoa melhor. Cocó, como estás a aprender agora, pertence ao penico, não à net.

(Não sejas um imaturo, um “cocô” da net, se não o Cobra apanha-te)
0

176. Visita uma casa abandonada

As casas abandonadas são como os idosos, reservam histórias surpreendentes e merecem ser vistas/ ouvidas com toda a atenção. Pelo menos uma vez na vida entra numa casa abandonada com alguém que conheça a sua história. O mesmo te digo com os idosos com que te cruzas. Tem a paciência para escutar as suas histórias de vida e vais ganhar muita sabedoria e esperteza.

0

175. Vai a festivais de música

Os festivais de música são como as “loiras fresquinhas”*, nunca são a mais mesmo que no dia a seguir te deixem desgraçado. Tens boa música, miúdas giras, boa comida, miúdas giras, bom convívio e não sei se já disse mas há muitas miúdas giras. Vivem-se momentos únicos nos festivais de música, só explicáveis quando os vives por dentro. Recordo assim de repente de me ver no meio de uma batalha “relval” (sim relva mesmo e a voar por todo o lado e porrada de meia noite) enquanto ouvia num festival os Deftones, ou ver a tua mãe quase a cair para o lado a ouvir Dave Matthews Band com o sono noutro ou ainda de apanhar uma garrafa de água do Manuel Cruz dos Ornatos Violeta e guardá-la religiosamente tal qual fã louca num outro, entre muitas outras histórias que te conto pessoalmente. Reitero, festivais de música (e jogos de futebol!) é para viver no terreno. Já te disse que há por lá muita miúda gira?

*Pergunta ao teu tio Migueelllll que ele explica o que são “Loiras Fresquinhas”

(Nesta música penso que a tua mãe já estava a babar para a camisa do pai com o sono)

0

174. Valoriza sem necessidade de ausência



O valor de quem te rodeia é muitas vezes como o papel higiénico, só o atribuis quando está em falta. Vives cada vez mais no mundo do “sempre ligado” em que tens família e amigos à distância de um telemóvel ou computador mas a realidade é que a maioria de nós (eu incluído) esquece essa distância e o valor que familiares e amigos têm ou tiveram na nossa vida. Todas as semanas manda uma mensagem ou liga para um amigo ou familiar que já não fales há algum tempo, assim como e sobretudo, valoriza aqueles que te estão mais próximos, elogia-os, abraça-os, leva-os a beber um copo. O dia de amanhã pode mudar tudo e não deves ficar com arrependimentos de algo que podias ter feito em dois minutos, porque achavas que ias ter mais uma oportunidade de estar com essa pessoa.

PS: todas as semanas verifica também quantos rolos de papel higiénico tens em casa. Menos que dois deves comprar mais.

 (Uns tipos porreiros que vieram cá dar um concerto a semana passada já na casa dos 70 anos de idade)