Os relações públicas são como os trapezistas, a linha que os separa de bestiais a bestas é sempre muito ténue. São uma das profissões mais stressantes dos últimos anos e que toda a gente diz que consegue fazer, que não são necessários grandes conhecimentos, que são muitas vezes um centro de custos, que não geram vendas, que…mais um chorrilho de coisas em que ser associado ao tipo que está à porta da discoteca e conhece meio-mundo ou o tipo que serve croquetes na festa até parece ser do mais positivo da profissão. A apostar em carreira é em funções prescritivas, isto é, funções em que o que dizes é lei e é aceitável que tenhas um ordenado acima da média porque é preciso “realmente estudar”. Profissões como médico, controlador aéreo, advogado, financeiro, nas quais o discurso hermético e a “utilidade” existe mesmo e são especialistas por áreas.
As pessoas positivas são como as uvas, mesmo com o passar do tempo não se estragam e mantém aquelas qualidades distintivas. O facto de te rodeares de pessoas positivas faz de ti uma pessoa mais ambiciosa e crente das tuas capacidades e ao mesmo tempo torna os teus dias mais animados e ricos. Cultural e até diria geneticamente os Portugueses são o povo do “mais ou menos” ou do “vai-se andando” pelo que te alerto desde já para não seres demasiadamente positivo junto dos outros Portugueses porque te podem conotar de três ou quatro “defeitos” como seres parvo, florzinha ou qualquer outra estupidez absurda de quem não consegue ser feliz. Mais, não tenhas vergonha ou problemas de deixar de estar com aquelas pessoas negativas presentes na tua vida, excepção feita do teu pai, da tua mãe ou do teu…chefe. Negativo é teres uma doença incurável que te vai matar num espaço determinado de tempo sem teres vivido os sentimentos diferentes que a vida tem para te oferecer. Tudo o resto é ultrapassável nesta vida, até o teu…pai (pergunta à tua mãe).
Encher copos à taberneiro é uma arte tão ancestral quanto fazer xixi sem sujar a tampa da sanita. Se nesta segunda é fácil de resolver, basta…sentares-te (excepto se for um urinol, que não dá muito jeito, apesar de haver vídeos na net que provam que é possível), a primeira requer muita prática. Podes começar por praticar com o Compal de alperce que tanto gostamos e passar para bebidas mais fortes, tipo leite Vigor ou um potente Galão Alentejano. Quanto mais praticares mais fácil vai ser deixar o copo “resvés Campo de Ourique“. Vais também perceber que um copo à taberneiro é como a vida, nem com espaço vazio nem a transbordar, tem que ser mesmo à tangente. Esse equilíbrio perfeito entre família, amigos, conhecidos e desconhecidos, pessoal e profissional, problemas e soluções torna-se mais fácil também com a prática.
Os discos antigos são como os idosos, baús de histórias fantásticas repletas de erros, à espera de serem ouvidas. O gira-discos com que os deves tocar pode ser ultramoderno mas até te aconselho que seja igualmente antigo. Jamais esquecerei as tardes na terra do teu avô paterno em que me sentava a ouvir a tua bisavó, juntamente com a comadre e o padrinho do teu pai, a contarem histórias que só alguém do alto de 70 e muitos anos de aventuras conjuntas o consegue fazer. Nos discos antigos vais descobrir aquele fogo intenso de um número diminuto de faixas de cada lado, por oposição aos milhares que o teu amado iPad comporta. É neles que poderás perceber que o teu próximo é perfeito nas suas imperfeições, que algumas relações são feitas para durar dois minutos fulgurantes e outras longas faixas com momentos de perfeição mas também com falhas e erros, que te farão dar mais valor ao que tens em mãos.
PS: este conselho veio hoje a propósito porque andas há semanas a pedir-me para arranjar o gira-discos da tua avó. Desde pequeno que adoras o “roda, roda, roda, roda!!!!” em casa da “Avó Titi”. Massacras o teu avô para te ter ao colo para poderes ver o gira-discos a tocar vezes sem conta os discos que a tua mãe e tia ouviam em pequenas. Ouves os CDs com a mesma música mas continuas a pedir o “roda, roda, roda, roda!!!”.
Os contactos são como os amigos, merecem sempre uma resposta, positiva ou negativa. Seja um email, sms, mensagem Whatsapp, uma pergunta desagradável ou qualquer outro formato tecnologicamente avançado com que te contactem quando leres esta mensagem, deves dar sempre feedback. É uma questão de boa educação. Mesmo que não tenhas vontade de responder ou que seja já uma conversa longa (e chata), deves descobrir o máximo de assertividade que há em ti para responderes. Se tiver que ser uma resposta com carga negativa, que seja mas aí deves fazer sempre cara-a-cara (excepto se o interlocutor tiver mais meio metro ou mais 50 kg que tu, aí é chamar o teu padrinho Kung Fu Casaca para te acompanhar).
PS: aprendi no curso superior que tirei que é impossível não comunicar, mesmo ficando em silêncio. Num diálogo verbal, os teus avôs aprenderam (como eu estou a aprender) que muitas coisas que as tuas avós dizem é melhor responder com “silêncio inteligente” (cruzamento entre silêncio e fazeres-te de “parvo” ou “mau ouvinte”). A grande dificuldade está em perceber quando empregar e não empregar o “silêncio inteligente” com as mulheres (não me perguntes o segredo que ainda não sei e os teus avôs não me querem passar).
Papel higiénico no WC é como combustível no carro, verificar sempre primeiro antes de “arrancares”. Assim que entras num WC para fazer cocó (em linguagem de adulto diz-se nº2, deixo-te já a nota), mesmo naqueles momentos de aflição, deves verificar logo se há papel higiénico e em quantidade aceitável. O conceito de aceitável dependerá do quão comichoso és, pois há desde o pessoal que forra a tampa da sanita pública até ao pessoal que parece limpar o rabo a meia-folha e não lava as mãos (se quiseres ser destes últimos tenho a mangueira do terraço à tua espera). Se quiseres jogar pelo seguro, nada como um pacote de toalhitas pequeno, que tanto serve para limpar o “cheiro a cavalo” debaixo dos braços como o rabinho. Nunca conheci carro nenhum do teu avô paterno que não tivesse sempre um rolo de papel higiénico e alguma vez andasse na reserva.
PS: nunca deixar essas toalhitas delicadas junto aquelas carregadas de álcool de limpar as mãos depois de as sujar no carro. Pergunta à tua mãe o que me aconteceu em Porto Covo quando eramos namorados.
PSS: se acabares o rolo de papel higiénico em casa coloca sempre um novo para a pessoa seguinte. Se for noutro local como a casa de um amigo faz o mesmo se tiver à mão (para não dares a parte fraca, esconde o cartão do rolo no bolso e coloca no lixo quando saires da casa do mesmo)
A roupa interior é como o carro que conduzes, tens do desportivo, apaixonante e duro ao familiar, “simpático” e confortável. Deves escolher a roupa interior em função da expetativa de dia que vais ter. Se vais ficar em casa a “bezerrar” no sofá, nada como aquela cueca largeirona que te deixa as tuas “miudezas” à vontade. Já se fores sair pela terceira vez com uma moça que gostas muito, nada como um boxer justinho de boa marca. Nunca mas nunca mesmo vestir fio dental ou aquelas coisas “tigresse” por muito que gostes de fazer o amor com a tua namorada, basta perguntares ao Google por algo como “revenge girlfriend videos” e vais perceber porquê. O ideal? Um Volkswagen Golf GTD, ou seja, uma boxer justa que te deixa apetecível mas é confortável ao mesmo tempo, ficando assim com o look desportivo que antevê diversão mas que não te deixa as “miudezas” demasiadamente apertadas.
PS: Slips fora de questão, vá até aos 5 anos. Não usares nada só se fores modelo profissional com uns abdominais de ferro.
Os pequenos são como as tuas fraldas, tu não sabes como elas aparecem mas tens sempre o rabinho limpinho. Na tua vida vão passar um sem número de pessoas que darão contributos menores ou maiores, sejam a nível profissional ou pessoal. Os que quero que lembres hoje (e no máximo de dias do ano) é daqueles mesmo pequeninos que sem eles não terias alcançado bons resultados. Pode ser dinheiro, uma prenda simbólica, um convite para beber um copo ou mesmo um simples obrigado público. Os grandes é fácil lembrares-te mas os pequenos são tão ou mais importantes na tua vida. Eu agradeço à tua avó por quando deixo os sapatos a secar de uma chuvada, ela ao invés de os arrumar apenas, engraxa-os sempre ou por arrumar a roupa do pai nas gavetas apesar do pai ter uma ordem específica de arrumação (e ficar quase tudo ao contrário).
A exigência é como a educação, os níveis para contigo próprio devem ser sempre os mais elevados. Compreenderes as tuas limitações assim como as dos outros é crítico para não viveres com frustrações permanentes. Mais, há coisas que tu como os outros nunca serão bons a fazer por muito esforço que façam. Há anos que defendo que ninguém é burro, tendo cada um de nós mais inteligência para umas coisas do que para outras. No entanto, isto não quer dizer que não tentes chegar o mais longe possível nas coisas que gostes, pelo contrário, a maior exigência deve ser contigo próprio colocando novos desafios. Não exijas é dos outros aquilo que não conseguem ou conseguirão dar.
PS: este é um conselho extremamente difícil de seguir porque vives numa sociedade de expectativa, para contigo e para com os outros. Coisas como esperar que os outros façam pisca na estrada, andem na fila mais à direita na estrada, cheguem a horas a um encontro, apanhem as meias do chão, entre um sem número de pequenos “nadas” vão-te deixar muitas vezes chateado. Confesso-te que a limitação de espalhares plasticina por tudo o que é chão, sofá, tapete, sapatos e afins neste momento me anda a deixar algo frustrado face à expetativa de a teres toda junta na tua mesa de brincadeiras