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225. Aprende a coser um botão

Saber coser um botão é tão importante como saber cozer um ovo ou mudar um pneu. Podes alegar que hoje em dia já há serviços para fazer tudo isso sem teres que te chatear mas se agora com três anos já sabes fazer gelatina ou ajudar na preparação da base de uma refeição mediterrânica cortando o alhinho (perdão, alho que agora não aceitas que eu diga qualquer coisa com diminutivo), a cebola e o tomate e adicionando o sal e o azeite porque não podes aprender a coser um botão? A tua Vó Gusta ensinou o pai a coser um buraco nas meias e um botão numa camisa ou casaco, “porque os homens também se querem prendados, para arranjar boas mulheres”. Não sei se foi por isso ou se foi para o pai sair mais depressa de casa, mas a realidade é que quando saí, sabia coser um botão, cozer um ovo e mudar um pneu (felizmente para a tua mãe, a Vó Judite sabe fazer duas de três dessas coisas bem melhor do que eu, mas sempre sei mudar pneus melhor do que ela!).

(Começa já a treinar!!!)

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224. Experimenta azedas

As azedas são como aquele queijo mal-cheiroso que o pai te põe a cheirar de vez em quando para nos rirmos os dois: primeiro “estranha-se mas depois entranha-se”. As azedas são umas flores amarelas cujo caule tem um sabor ácido, um pouco como aqueles amigos que são corrosivos na forma de ser mas que aos tirares as primeiras camadas se revelam grandes seres humanos. Nas azedas como nas pessoas, aprende a gostar de cada uma nas suas qualidades e defeitos, mesmo que por vezes esses defeitos sejam difíceis de ultrapassar (muitas vezes são defesas pessoais para problemas de insegurança ou outros; e sim, não sejamos santos, que em alguns casos é mesmo melhor partir para outra, que o ácido pode ser forte de mais para o teu estômago e escapar-te para os punhos).

PS: Hoje estiveste azedo comigo mas eu perdoo-te que há dias ameacei-te mandar os carrinhos para o lixo por não os arrumares e ainda não digeriste a mensagem (sais ao teu pai, assumo, que a tua mãe perdoa rapidamente, thank God!)

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223. Não atalhes caminho

Atalhar caminho é como quando dizes que não precisas de ir à escola porque já sabes tudo do alto dos teus três anos. É habitual atribuir-se a ” chica espertice” aos portugueses e aos povos latinos. Muitas vezes com razão, como já pudeste ouvir com as exclamações do pai na estrada do tipo “olha-me este gaijo a passar traços contínuos à grande para não esperar como aqui o camelo” ou daquelas que a mãe ralha por tu já perceberes e repetires tudo. A realidade é que a “chica espertice” tem perna curta como a mentira. Até pode ser que te safes durante muito tempo mas, seja por via direta, como a polícia, as finanças, a professora ou os papás, ou seja por via do karma, vais pagar sempre. Alerto-te até que muitas vezes vais achar que foste mais esperto que os outros mas é porque intencionalmente te deixaram, por terem aquele problema grave de serem…boas pessoas.

(Uns “chico espertos” que te aconselho até a ver mais episódios)