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222. Não tenhas medo de mudar

A mudança é como a água, muitas vezes custa a engolir mas a maior parte delas, faz-te um bem danado. Podem ser mudanças simples como a que o pai está a fazer agora de abandonar os refrigerantes e uma série de outros alimentos para ter um corpo mais saudável e, assim, ser teu pai durante muitos anos (quiçá ver bisnetos). Ou podem ser mudanças grandes como ires trabalhar para um local a 10 mil km de distância. O importante é não teres medo de mudar algo em ti, na tua vida, na tua relação com os outros, mesmo que durante anos nunca o tenhas feito. Só não mudes a simpatia ou honestidade que te caracterizam já hoje, como ficou patente no diálogo que presenciei com a Vó Didi após o jantar: Vó quero fazer cocó! Vamos, Francisco. (cinco minutos depois estavas a brincar com a tampa da sanita e muito distraído). Francisco estás a brincar ou a fazer cocó? Vóó, estou a fazer cocó e a brincar!

(Muda porque “A Vida é Um Milagre!!!”)

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221. Conhece o mundo mas casa com uma portuguesa

* No tempo em que os homens portugueses tinham bigode e barriga, as mulheres portuguesas eram como as sardinhas – pequenas e “gostosinhas”. Hoje são tubarões e a prova é que os homens portugueses já não podem ter nem bigode nem barriga, sob pena de irem cano abaixo tal qual peixinho morto. A minha memória mais remota é a minha Avó Emília que nos últimos 90 e alguns anos de vida continuava a meter em sentido os 42 descendentes directos, e alguns já avôs também. Segue-se a minha mãe e tua “vó Gusta”, que com pouco mais de metro e meio de gente, conseguiu educar quatro homens bem mais altos que ela (eu, os teus dois tios e o teu avô Tino, que, segundo ela, não sabia se vestir quando a conheceu), em tempos bem piores que os actuais. No entretanto, entrou na minha vida a minha segunda mãe, para ti “Vó Didi”, resistente que nem o aço inoxidável e com quem ninguém faz farinha e aquela que é a grande mulher da minha vida, a senhora minha mulher e tua mãe (aka “Mãmã Lena”). E digo senhora minha mulher não por ter medo que me meta as malas à porta mas porque reúne a essência da mulher portuguesa da actualidade – cada vez mais gira e bem vestida, inteligente, ambiciosa, bem formada, muito determinada e cada vez menos complacente com atitudes machistas. Por isso, o mundo para conhecer e uma portuguesa para casar!

(Mas há dúvidas?)

*Se reparaste o papá não escreveu ontem este conselho e foi até recuperar parte de um texto que escreveu há uns anos para completar o mesmo mas é porque ando a trabalhar muito para ter tostões para poderes comprar os bolinhos na senhora da praça e a gelatina que fazemos os dois ao fim-de-semana

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220. Apanha um táxi antigo

Os táxis antigos são como livros, tu nunca sabes que histórias encerra cada um. Por certo que quando tiveres idade de apanhar sozinho um táxi, já são capazes de haver apenas carros que te vão buscar sem condutor, todos iguais e que o pagamento até é via retina. Se ainda circular algum Mercedes com um milhão de km com condutor, escolhe esse mesmo, pois é aventura quase garantida. Da história clássica da  bela jovem estrangeira que não tinha dinheiro para pagar e “pagou” no banco de trás até motoristas autênticos pilotos de Fórmula 1 de 60 anos mesmo à chuva, passando por outros que “geriam” melhor as equipas de futebol ou partidos políticos que os que estão nesse papel ou os que estão apenas a fazer uns biscates de dia porque o serviço sério é à noite à porta do, segundo eles, pedagógico Elefante Branco…há mil e umas experiências que te podem contar. Vais-me dizer que é mais porreiro andar num carro novinho, cheirozinho, com os manómetros todos a funcionar para ires agarrado ao tablet, smartphone, à namorada ou o quer que seja? Claro que sim, quando queres ir do ponto A ao ponto B de forma tranquila com um custo controlado e sem históricas rocambolescas ou a adrenalina a disparar de cinco em cinco minutos pelo condutor ser mais velho que o teu avô.

(PS: este é um dos táxis que mais gosto mas procura no Youtube por “Lições de um taxista” e vais ver o que se pode “aprender” numa simples viagem de táxi)

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219. Nunca uses uma música que adoras para toques de telemóvel “responsáveis”

Usares músicas que adoras para toques de telemóvel “responsáveis” como o de despertar, de quando a tua namorada te liga, de um amigo ou qualquer outro elemento na tua vida que seja muito importante é um erro crasso. Imagina só que chegaste a casa de uma noitada às 6h30 em que viste a tua namorada numa conversa muito quente com o teu melhor amigo e tens que acordar às 7h para ir trabalhar. Às 7h toca a tua música favorita de despertador no telemóvel e tu com 30 minutos de sono e uma valente ressaca. Ao mesmo tempo começa o toque ininterrupto especialmente escolhido para a namorada que tanto amavas e que te quer dizer que “não foi nada do que imaginaste, foi só o calor do momento”. O mesmo toque só é interrompido pela música potente que escolheste para toque do teu melhor amigo, que só quer dizer que afinal está é apaixonado por ti e foi um erro ter estado envolvido com ela ontem. Meia hora depois, é o toque especial do pai (que eu coloquei no teu telemóvel para te lembrares que sou eu; provavelmente o mesmo que uso hoje) só para te dizer que a cena de ontem foi toda encenada por nós os três para ver se te deixas de noitadas e dás o próximo passo na tua relação. Poderia inventar muitos cenários (até porque estou sob o efeito de duas injecções e um antibiótico potente por uma garganta inflamada, yauuuu) mas fica-te só com a raiva que vais ganhar a música de despertador.

(O toque “diferente” de telemóvel que andei dois anos para encontrar por honrar a tua terra de criação e que a tua mãe gostou tanto que até fugia de mim quando o telefone tocava; agora tenho este por adorar uma série de coisas deste filme como de outros western spaghetti que vais ver comigo daqui a uns anitos)