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218. Escolhe bem o teu cabeleireiro

O cabeleireiro e o mecânico são duas das escolhas mais importantes a fazer na vida porque mexem com dois dos teus bens mais preciosos, o cabelo e o carro. Recordo-me quando era pequeno que ao cabeleireiro só iam as mulheres; os homens iam ao barbeiro. O meu primeiro barbeiro era o Sr. Manuel, comunista de gema que criava canários e que tinha a barbearia na cave por debaixo do tasco do Zé Manuel da Vacaria. A minha mãe e tua avó Gusta mandava-me lá ir sozinho e pedir o corte “curto mas não careca” (na altura moicano, à CR7 e essas modernices de escolha não existiam). Recordo-me do Sr. Manuel a fazer espuma da barba para os homens e de me meter sempre umas gotas de Lavanda da Ach Brito depois de cortar o cabelo, o que me fazia sentir sempre o miúdo mais homem lá da rua. Seguiu-se o cabeleireiro António, colega de escola do tio Pedro, que eu adorava lá ir para falar de vinho e de outras coisas mas que apesar do corte ser um complexo “tudo máquina 3, ou no Verão, tudo 1,5”, me deixava sempre com pontas soltas e a avó danada comigo por ter que me acertar o cabelo depois. Já a morar na terra da mamã, a mais memorável foi a “Sargento 35”, que apesar de me cortar o cabelo algumas 50X e de o corte ser o mesmo, me perguntou sempre qual era o corte e conseguiu em todas as vezes nunca sorrir e vincar que era um favor o que me estava a fazer (nem a gorjeta no final das 50X a fez render-se). Só o teu avô Tino conseguiu fazê-la sorrir (mas esse era um homem especial). Hoje o pai corta num daqueles sitios em que nunca tens um cabeleireiro fixo, pelo que tem de explicar sempre até à exaustão o complexo corte de 2,5 de lado e tesoura em cima (“e a patilha?”, “2,5 com 1 no inicio que tem muito volume de lado mas menos atrás?”, “e a sobrancelha. alinhada?”, …). É por isso que tal como nos carros, nada como o primeiro, o Sr. Manuel ou o meu Opel Corsa 1.0 de 4 mudanças, que não faziam perguntas e agradavam-me sempre.

(Em homenagem ao Sr. Manuel, deixo-te com a Lavanda da Ach Brito que ainda hoje podes comprar)

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217. Escolhe um bom nome para os teus filhos

Os nomes são como as tatuagens, mal escolhidos são uma vida inteira de vergonha. No entanto, escolher um nome para um filho teu deve obedecer a algo místico. Por exemplo a tua mãe chama-se Helena por causa da atriz Helena Isabel e também por causa da cantora Lena de Água. Já eu chamo-me João e Paulo por causa dos dois apóstolos que seguiram Jesus (assim como o meu irmão e teu tio Pedro). Tu chamas-te Francisco porque era assim que se chamava o teu bisavô materno, e quisemos homenageá-lo com este nome que tem o significado místico de “homem livre”. A tua mãe não me deixou (e bem) que tivesses o sobrenome Amor do teu também avô Francisco. Eu achava que te faria mais único mas lá está, uma tatuagem bem feita pode ser estragada por outra ao lado mais peculiar. Hoje já podes remover as tatuagens como trocar de nome e não, não te preocupes quando te digo que te chamas Francisco Papa Açordas Belharuco Gouveia dos Santos, o Papa Açordas e o Belharuco são apenas “tatuagens temporárias” que uso para que te rias comigo.

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(Hoje foi dia da Helena, dia da Mamã!)

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216. Ama incondicionalmente os teus avós

Os avós são como os papás mas com muita mais paciência e sabedoria. Se já antes te aconselhei a recordares o meu pai e teu avô Tino, um grande Homem que agora é uma estrelinha no céu, hoje venho-te sugerir amares incondicionalmente os outros três avós. Começo pela tua avó Judite (avó Didi para ti) que hoje faz anos que é uma verdadeira matriarca desta família. Um exemplo de força, honestidade, humildade, inteligência, esperteza e determinação (e cozinha bem para xuxu). Conto pelos dedos de uma mão as vezes que a vi abatida em 14 anos. Depois o teu avô Elias (avô Lili para ti) que é grande parte do que eu quero ser quando me reformar: um desportista, amante da natureza, altamente positivo e com um espírito de criança que lhe permite inventar-te uma história a partir da mais simples das coisas. Ambos criaram-te entre os poucos meses de vida e os dois anos e hoje levam-te e vão-te buscar ao autocarro porque os papás já foram ganhar tostões para os teus carrinhos (sim tostões e não euros que eles são do tempo dos tostões). Por fim, a minha mãe e tua avó Augusta (avó Gusta para ti), o metro e meio de gente que criou três rapazes ajuizados bem maiores que ela, e que agora te dá a riqueza da minha infância com as ervas e plantas do quintal ou o amor incondicional pelos animais. São de amar os três e aprender com cada um deles a grande humildade, honestidade e coragem, pois se há boas pessoas que conheci neste mundo, estas são as três melhores!

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215. Compra cultura popular Portuguesa

A Cultura Popular Portuguesa (CPP) é como os pastéis de Belém, nunca falha, tem sempre piada, é um marco da nossa personalidade única e é para ser sempre consumida em doses elevadas de cada vez. A primeira referência de CPP que tiveste acesso foi uma concertina de brincar, ao que se seguiram os tão amados vinis do “20 anos” do José Cid e do “Que bela a vida” do Roberto Leal. Vieram depois uma série de outras (vinis, louça Bordalo Pinheiro, etc), sendo a última a que coloco já abaixo, de um memorável boneco das Caldas. Da música, ao artesanato, aos veículos, roupas, material escolar, sabão, entre outros, há todo um sem fim de CPP que deves procurar ter e, se possível, levar contigo para onde quer que vás para o estrangeiro, mais não seja para mostrares que Portugal é mais do que (o fabuloso) Ronaldo e “batatas com bacalhau”.

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