207. Apaixona-te por coisas antigas

As coisas antigas são como livros, algumas já sabes o fantástico que são e outras, totalmente desconhecidas, podem virar uma bela surpresa. A tua mãe diria que gostamos de coisas antigas pela ligação às nossas vidas passadas e a momentos que tivemos com elas nessas vidas. Eu acredito que esse pode ser um factor (14 anos com a tua mãe têm dado os seus frutos sobre a minha racionalidade obtusa) mas outro muito importante é porque nos liga a quem nos antecedeu, o que muitas vezes origina histórias ricas com objectos pobres. O meu melhor exemplo é o  galheteiro de azeite com a boca partida da tua bisavó paterna Emília que nunca foi substítuido em três gerações e 42 descendentes directos. Para esses ainda hoje representa azeite rico e uma sopa de feijão única numa panela de três pés. Tu próprio adoras neste momento os telefones de disco antigos (será que foste telefonista na vida anterior?) ou os vinis riscados do José Cid, da Edith Piaf ou da dança do Zorba. Com o passar dos anos vais ver que a tua vida é uma história de histórias, algumas tuas, outras de alguém que te precedeu. Apaixona-te por todas.

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(Relógio que acompanhou o teu avô Tino mais de 50 anos segundo sei; imagina as histórias de aventuras e desventuras que viveu; a última já foi comigo, quando fui pedir para trocar a pilha e o relojoeiro muito indignado perguntou-me se estava a gozar, porque é um relógio a corda; sim antes do teu smartwatch carregado via wireless existiam telefones a pilhas e, antes disso, a corda!)

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