197. Compra discos antigos

Os discos antigos são como os idosos, baús de histórias fantásticas repletas de erros, à espera de serem ouvidas. O gira-discos com que os deves tocar pode ser ultramoderno mas até te aconselho que seja igualmente antigo. Jamais esquecerei as tardes na terra do teu avô paterno em que me sentava a ouvir a tua bisavó, juntamente com a comadre e o padrinho do teu pai, a contarem histórias que só alguém do alto de 70 e muitos anos de aventuras conjuntas o consegue fazer. Nos discos antigos vais descobrir aquele fogo intenso de um número diminuto de faixas de cada lado, por oposição aos milhares que o teu amado iPad comporta. É neles que poderás perceber que o teu próximo é perfeito nas suas imperfeições, que algumas relações são feitas para durar dois minutos fulgurantes e outras longas faixas com momentos de perfeição mas também com falhas e erros, que te farão dar mais valor ao que tens em mãos.

PS: este conselho veio hoje a propósito porque andas há semanas a pedir-me para arranjar o gira-discos da tua avó. Desde pequeno que adoras o “roda, roda, roda, roda!!!!” em casa da “Avó Titi”. Massacras o teu avô para te ter ao colo para poderes ver o gira-discos a tocar vezes sem conta os discos que a tua mãe e tia ouviam em pequenas. Ouves os CDs com a mesma música mas continuas a pedir o “roda, roda, roda, roda!!!”.

(Dir-te-ia para fechares os olhos e limitares-te a ouvir mas a realidade é que os gira-discos como hoje amas intensamente tem o tal “roda, roda, roda, roda!!!” incomparável ao que quer que seja)

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