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163. Oferece à tua companhia o melhor lugar

A boa educação é como o bom vinho, nunca são a mais. Perante as variadas situações em que estejas com alguém e que haja lugares por opção, oferece a essa pessoa o melhor lugar disponível. Particular atenção se for a tua namorada, mulher ou desejada companhia horizontal, os teus pais, os teus avós ou maiores amigos. Desrespeita esta regra quando a pessoa com que estás for o maior azeiteiro, um filho da mãe ou algum dos seguintes animais: um porco, uma ovelha ranhosa ou um cabrão (marido da cabra, vai ver ao dicionário).

http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/FBv0MNZyq94DS88qs4EQ/mov/1

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162. Se já marcaste a tua posição, pára de falar

As tomadas de posição são o oposto da religião, da música e do desporto, devem ser assentes em factos e não em gostos e afinidades. Se já explicaste a tua posição por um conjunto de factos e razões e o teu interlocutor continua a insistir sem factos que conduzam ao contrário, deixa-o falar que eventualmente se irá calar. O silêncio não é sempre, como diz o ditado, sinal de consentimento, pode ser muitas vezes sinal de inteligência. O teu pai insiste em continuar com a conversa, quando as pessoas já aceitaram a tomada de posição e quando estas nunca a vão aceitar. Falta-lhe a sabedoria de anos a viver com duas grandes mulheres que os teus avôs já adquiriram!

PS: só não deves escutar o interlocutor for um caso de traição da tua namorada, aí é mesmo mandar-lhe a roupa toda pela janela, chamar-lhe uns nomes “queridos” e dar-lhe “guia de marcha”. Há mais um ou dois casos mas isso deixo-te para aprenderes com a vida. 

(A tomada de posição mais memorável que me recordo)
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161. Não tenhas medo de ser o primeiro (anda no carro da frente da montanha-russa)

O carro da frente da montanha-russa é como o primeiro beijo numa mulher, a excitação deve ser maior que o medo e tudo o que vem depois é fabuloso. Não fujas de seres o primeiro a fazer as coisas (desde que não sejam estúpidas como beber uma grade de “Mine’s” sem ir ao WC ou iniciar uma porrada contra dez sem a presença do teu padrinho). Por isso, quando vires uma “montanha-russa” pede para ires à frente.

(Nada como juntares o dois em um, namorada e carrinho da frente da montanha-russa)
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160. Não compliques

A simplicidade é como uma auto-estrada, é tão fabulosa e direta que temos sempre que lhe colocar portagens. O Português em geral é um ser que gosta de complicar as situações. Mesmo planeando com antecedência tem uma tendência natural para ter que resolver um conjunto de questões à última da hora. Gosta de recorrer ao Dr., ao Eng., ao Sr. Arquitecto, que se mande um fax ou um email ao cuidado deste he-man (procura no google mas foi um grande senhor do universo) que parece ter dez secretárias com quem temos que falar antes de chegar a ele. Gosta de adiar as respostas com medo de as tomar ou magoar com um redondo não, logo na primeira abordagem. Uma coisa é sensibilidade pelo próximo; outra coisa é complicar situações que são simples. Procura a simplicidade e a resposta direta, a organização e o planeamento e sobretudo não tires os objetivos da cabeça em nenhum momento. Estes devem orientar o teu caminho com a maior clareza possível.

PS: atenção às respostas/ caminhos que podem magoar sobremaneira as pessoas, apesar de serem os mais indicados. Treina ao máximo a melhor forma de as transmitir

(Cuidado com a “compliquite complicosa”)
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159. Não sejas vingativo

Uma pessoa vingativa é como um cão raivoso, podes-lhe fazer festas e acalmá-la mas nunca vai deixar de morder. A tua mãe do alto do segundo nível de Reiki (e não, não é uma peça de sushi), de um curso de reflexologia e de um bom número de livros da área lidos, diria que o universo responde-te da forma como o tratas. O teu pai diz-te que os maus vinhos fazem-te gases, afetam, alargadamente, o teu corpo e mente e deixam-te muito pouco apetecível como companhia. Deixa que o mal flua para o universo – palavras da tua mãe. Deixa que o mal flua pela garganta abaixo em forma de um gin fresquinho e que saia em formato acastanhado pela sanita abaixo – palavras do teu pai.

(Vê lá que nem a dar banho ao cão e festas este se acalma) 
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158. Tem cuidado com os gabarolas


Os gabarolas são como os balões, podem ter muita piada mas são vazios por dentro. O teu pai gosta particularmente daquelas pessoas que fazem as coisas acontecer pelo prazer que têm de as fazer, sem ter que dizer a meio mundo que o fizeram ou estar à espera que lhes batam palmas ou deem uma palmada nas costas. Cada vez gosto mais também de uma nova raça de portugueses, que tem aparecido nos últimos anos, que são aqueles que trabalham muito e bem, que alcançaram resultados fabulosos e que dizem o que são – os melhores – sem desvalorizar quem está consigo, tipo Mourinho ou Cristiano Ronaldo. Deves ter cuidado é com aqueles que se acham a “última coca-cola do deserto” quando são medianos (ou abaixo) face ao que está à sua volta e que cada vez que falam são sempre superiores a tudo e a todos. A esses bate-lhes duas ou três salvas de palmas para que a frustração ou frustrações que têm não cresçam (não queremos voltar à cultura da equipa de futebol favorita que perde e chegar-se a roupa ao pelo na mulher). Tem-nos sobre olho, pois são mais que muitos e os que considero de “mineiros”, isto é, aquele tipo de gente que é capaz de minar o teu caminho a nível profissional e pessoal.
(Apuramento de Portugal para o Mundial de 2014 graças ao grandioso Cristiano Ronaldo; pesquisa na wikipedia e vais perceber o quão fabuloso foi de jogador)
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157. Se vais usar uma gravata, abotoa o botão de cima da camisa

O botão de cima da camisa é como conhecer os teus sogros, causa um grande desconforto mas a tua namorada vai apreciar mesmo muito. Diz o ditado português que “se é para fazer as coisas, que se faça bem”. Usar uma gravata com o botão de cima desabotoado ou passá-la para a testa, só quando um amigo teu se casa, são três da manhã e tu já estás “feliz”. Reitero um conselho anterior, faz as coisas com brio, mesmo as mais pequenas.

(Já agora, não custa aprender a fazer nó da gravata por oposição a chatear sempre o teu pai para o fazer ou ter as gravatas sempre com o nó feito)
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156. Tira umas férias da internet

A internet é como o Chiado, há de tudo e para todos os gostos. Já nasceste neste mundo de conexão plena por oposição ao teu pai, que quando nasceu o mais próximo de internet que havia era o Facebook da rua com os amigos a jogar à bola onde os likes iam para os golos e o bate pé com as miúdas e os tweets eram papelinhos trocados nas aulas. A primeira internet que tive foi via linha telefónica a 56kbps e paga como chamadas. Por altura de leres isto, até a tua sanita já terá internet e comunicará ao teu médico como o teu corpo está. Este conselho vai para fugires um ou outro dia para um local onde a internet esteja inibida e tires partido do que está à tua volta. Limita-te a ouvir os sons à tua volta e as pessoas por oposição às mensagem de texto, posts e afins. Ouve um álbum completo de seguida. Faz uma refeição com a TV e telemóvel desligado. Faz amor com uma mulher sem mandar um mensagem de texto aos amigos a gabares-te logo depois (nunca o fiz, não te esqueças que sou da geração que se encontrava e gabava junto dos amigos cara-a-cara). A internet é um mundo de hipóteses mas de vez em quando, à semelhança de outras coisas boas na vida, descansa um pouco desta e dedica-te a outras que te podem dar muito.

(Penso que não precisa de legenda este vídeo, ainda que esteja também no limite oposto)
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155. Valoriza o desconhecido

O desconhecido reserva alegrias e belezas inigualáveis de igual modo que as mulheres. Vem este conselho a propósito de uma amiga que me disse ontem gostar muito de ler estes conselhos, que eu não fazia a mínima ideia. Desconheces o impacto que um sorriso pode ter para quem te atende atrás do balcão, uma mão de agradecimento no trânsito quando te dão entrada ou fazes uma azelhice, um abraço inesperado a um amigo, um telefonema a um familiar esquecido, e por este mundo a fora de atitudes positivas que podes ter. A tua mãe diria, pelo coração que tem e a vasta biblioteca de livros zen que leu, “o positivo que projetas no universo regressa a ti, pelo que transmite boas energias aos outros”. Já eu digo-te, “o impacto do positivo ou negativo é igual a uma vitória ou derrota do Benfica, Porto ou Sporting em muitos lares portugueses”.

PS: obrigado Luísa pelas palavras ontem. Vindas de alguém que faz da escrita vida, deram-me uma grande alegria e vontade de retomar esta brincadeira.

 

(Guarda esta música no teu equipamento portátil, seja lá o que for no teu tempo. No meu seria walkman, mp3 ou telemóvel. Sempre que te sintas negativo coloca-a a tocar)