Pelo caminho do país hoje, se calhar quando tiveres idade para trabalhar ser pastor será uma profissão bem paga. Até lá, nada como experimentares por temporadas a vida do campo. Como vida do campo entende uma vida em que acordas cedo sem despertador e com o barulho de pássaros e não de carros. Tomas um pequeno-almoço com café de púcara, pão cozido feito por ti que dura uma semana e sabe a pão, enchidos, queijos e se o dia for intenso até um copito de vinho ou bagaço. Vais para o campo com uma “bucha” (pão, chouriço e uma navalhita) para meados da manhã e dás-lhe forte com o físico no meio de um terreno, seja a cavar batatas, apanhar uvas ou outro. Depois da bucha, mais trabalho físico até à hora de almoço (tudo orientado sem relógio e gerido pelo ritmo dos “antigos”). Almoço e trabalhar até ao pôr-do-sol. Tomar um banho de regador, com água aquecida a lenha e ir beber um copo de três ao tasco local e bater uma sueca com a malta local que deve ter sempre uma alcunha, antes ou depois da janta. Pelo meio, nem telemóveis, PCs, televisão ou horário muito organizado. Vais ver o que a tua cabeça de agradece.
PS: podes substituir um dia de cavar a terra por um dia de pastorícia. Aparentemente chato mas algo que te desacelera completamente e te permite uma ligação com a natureza ímpar, só comparável quando fazes amor ao ar livre na praia ou num prado (dizem, que eu não percebo nada disso).