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94. Trata bem dos teus carros

Hoje o teu pai despediu-se do Mini Cooper S. Era confortável? Não. Era espaçoso? Não. Era poupado? Não. Era Sóbrio? Não. Era adequado para a vida do teu pai? Não. Porque o tinha então? Porque dava um gozo tão grande como sex…tas feiras! Nunca conduzi nada como este Mini Cooper S, que te trouxe inclusive do hospital onde nasceste para casa. Era um underdog junto dos cães grandes com que se pegava muitas vezes (mea culpa). Comecei com um Opel Corsa 1.0 que de TT a viagens por esse sul fora fez de tudo um pouco. Fi-lo fazer um 360 no ar e chateei-o tanto que lhe rebentei a cabeça. Depois veio um Citroen ZX que comia mais que um burro mas falta de espaço não tinha. Vi-me literalmente grego para o vender. Regressei à origem e comprei um Opel Corsa TD Sport aka, segundo a tua mãe, o Dulcinante Azul. Valente máquina que ainda fez uns bons 100 mil km comigo até lhe rebentar a cabeça. Comprei depois, por um grande gosto pessoal da tua mãe, um Smart Fortwo. O primeiro carro automático (vi-me grego para o tirar do stand) mas que me tem surpreendido pela positiva (quase tantos km como o segundo Corsa) e com o qual aprendi a levar sempre o carro à marca oficial para o ter impecável. Antes do Mini ainda comprei um dos carros que mais gostava – Volkswagen Golf  – mas cometi o erro de comprar um 1.4 a gasolina e não o mítico 1.9 TDI (por esta altura já sabes o que estas siglas querem dizer, livra-te de não saberes sendo meu filho). Até aos 100 kmh, um burro andava mais depressa, a partir daí era maneirinho. O Mini, ah o Mini, era comer alcatrão até aos 22..120 kmh! Falei-te de todos os carros que tive até hoje para te dizer que os carros vão marcar a tua vida e que deves trata-los tão bem como a bons amigos ou amigas (felizmente fui mais simpático com os amigos que com os carros até aprender a trata-los melhor recentemente). Se o primeiro Corsa foi aquela amiga enxuta da minha mãe que me ensinou muita coisa e a quem estarei eternamente agradecido. O ZX era uma outra mas desdentada e chata. Já o segundo Corsa foi a primeira grande paixão que tive até a perder. O Smart é aquele amigo de 15 anos que temos que ensinar muita coisa mas que é humilde e bom rapaz. O Golf, daqueles amigos que tão depressa entram na nossa vida como saem. O Mini, aquela bomba latina de cabelo preto, olhos verdes, tudo no sitio com quem temos que ter cuidado para não nos darmos mal. O próximo? Dir-me-ás tu que espero que dure uns anitos mas que te digo já que cara de leão e promete. Trata é bem dele (nada de migalhas, mijadelas e vomitadelas).
 (Dos rabos mais giros que conheci)
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93. Faz uma tatuagem

Para muitos o nosso corpo é uma folha em branco. Para o teu pai é uma folha em branco já algo amarrotada mas que só deve ter uns rabiscos. Neste sentido, uma tatuagem engraçada com um significado o mais eterno possível é aceitável. Foge é de escreveres o nome de uma namorada, fazeres um desenho estúpido com alguma bebedeira ou escrever uma palavra tipo “respira”, pois regra geral vais ter que justificar vezes sem conta o porquê dessa opção.

PS: a fazer sempre em zonas menos visíveis, que não sabes onde vais trabalhar. Já viste o que será trabalhares num banco e teres no pulso tatuado “Adoro Porcas”?

PSS: o teu pai tem uma teoria sobre a localização das tatuagens nas mulheres que te contarei pessoalmente quando leres este conselho

(A tatuagem que o teu pai sempre quis fazer mas a tua mãe não deixa; estou a brincar!)

 

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92. Não rapes os pêlos

 Muito provavelmente quando conseguires ler este conselho terás o teu corpo tão lisinho como o tens agora e fará pouco ou nenhum sentido o que aqui te digo. A geração de mulheres anterior à do teu pai ainda gostava de homens com pêlo e um pouco de barriga. As da minha geração já os dispensam. As gerações que já vieram a seguir…os homens já não os toleram! A realidade é que o homem português está-se a perder e ficando tu com um 1,90m e de pêlo rapado, o que te vai diferenciar de um alemão, tirando o não teres dinheiro, ganhares bem pior e seres de um país periférico? Se Deus te deu pêlo é por algum motivo. O único que deve ser cortado é o da cara e não mais que três vezes por semana. Tal como o cavalo lusitano há que manter vivo o homem lusitano!

(Um bom exemplar, que tenho a certeza que descendeu de portugueses; pergunta a mulheres da geração da tua mãe para ver se não sabem que é este galã)
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91. Toma valentes banhos

Desculpa não ter escrito ultimamente mas tenho andado “sujo” de coisas para fazer. Nada como tomar um valente banho para recuperar energia e lavar a “ialma”. Já te falei da praia e de a gozares em grande. Estes banhos que te falo são mesmo de banheira e não requerem que estejas “porco”. Banho ideal: banheira de hidromassagem + pastilhas e gel para fazer espuma da Sephora (quando lá fores comprar não digas que é para ti; o teu pai já passou por gay umas 20 vezes) + velas + companhia ideal para massagem mútua. Banho dos pobres: banheira normal + 1 kg de sal + gel marca branca + tua namorada (para mandar-te umas penicadas de água pela cabeça e já vais com sorte). Em qualquer dos casos é ficar na água até esfriar. 

PS: andei para aí 18 anos sem tomar banho e, rapaz, quando tomo agora até adormeço dentro da banheira e fico com os dedos enregelados. Pensei até criar um aparelho para segurar a cabeça à tona. Que morte mais estúpida que afogares-te na banheira enquanto tomas banho por teres adormecido? (é este tipo de ideias que surgem enquanto desfrutas de um banho…sozinho).

(Como te dizia, não é preciso estar porco para tomar banho mas é um bom motivo para o fazeres)


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90. Experimenta a vida de campo

Pelo caminho do país hoje, se calhar quando tiveres idade para trabalhar ser pastor será uma profissão bem paga. Até lá, nada como experimentares por temporadas a vida do campo. Como vida do campo entende uma vida em que acordas cedo sem despertador e com o barulho de pássaros e não de carros. Tomas um pequeno-almoço com café de púcara, pão cozido feito por ti que dura uma semana e sabe a pão, enchidos, queijos e se o dia for intenso até um copito de vinho ou bagaço. Vais para o campo com uma “bucha” (pão, chouriço e uma navalhita) para meados da manhã e dás-lhe forte com o físico no meio de um terreno, seja a cavar batatas, apanhar uvas ou outro. Depois da bucha, mais trabalho físico até à hora de almoço (tudo orientado sem relógio e gerido pelo ritmo dos “antigos”). Almoço e trabalhar até ao pôr-do-sol. Tomar um banho de regador, com água aquecida a lenha e ir beber um copo de três ao tasco local e bater uma sueca com a malta local que deve ter sempre uma alcunha, antes ou depois da janta. Pelo meio, nem telemóveis, PCs, televisão ou horário muito organizado. Vais ver o que a tua cabeça de agradece.

PS: podes substituir um dia de cavar a terra por um dia de pastorícia. Aparentemente chato mas algo que te desacelera completamente e te permite uma ligação com a natureza ímpar, só comparável quando fazes amor ao ar livre na praia ou num prado (dizem, que eu não percebo nada disso).

(Sem comentários. Só mesmo para te divertires com uma rapaziada que era fortíssima por esta altura – os Gato Fedorento)
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89. Arranja uma boa almofada para dormir

Arranja uma boa almofada para dormir, maneirinha, para poderes levar para fora quando vais de viagem. Quando o teu pai era puto, o nosso sonho era ter uma de sumauma (se a gente sabia o que era sumauma, não, mas diziam que aquilo era maravilhoso). Eram essas almofadas e as facas Ginsu que até aço cortavam. Depois de uma noitada ou com uma companhia interessante, o mais provável é a mesma não fazer diferença mas como não vais fazer noitadas todos os dias (a partir do 30, claro), e mais cedo ou mais tarde vais assentar (mulheres novas todos os dias cansa, dizem, que eu não faço ideia) arranja mesmo uma boa almofada.

Neste post não te meto uma foto ou vídeo, deixo-te mesmo uma adaptação livre minha da letra da música “O Resto do Mundo” do Gabriel o Pensador a que designei “Eu queria uma almofada de sumauma, o meu sonho é uma almofada de sumauma”:

Eu queria uma almofada de sumauma
Eu queria uma almofada de sumauma
Eu queria uma almofada de sumauma
O meu sonho é uma almofada de sumauma
Eu me chamo de preguiçoso como alguém me chamou
Mas pode me chamar do que quiser seu vendedor
Eu num tenho almofada de penas
Eu num tenho uma noite descansada
Eu num tenho nem certeza se o que tenho é uma almofada
Eu num tenho nada
Mas gostaria de ter
Aproveita seu vendedor e desça o preço para eu poder adormecer…
Eu gostaria de ter uma noite descansadinha
Mas isso é impossível pra quem dorme com a minha
Misturado com os lençóis e com as fronhas da minha mãe
E com as mantas usadas que vão e que vem
Vezes sem conta
Eu vivo como um barata tonta ou pior que isso
Eu sou o preguiçoso
O resto do português
Eu sou dorminhoco um dormidor um dormidão um burguês
Eu sou… Eu não durmo bem
Eu tô com sono
Tenho que descansar
Eu posso num tar cansado mas o sono tá lá
Por isso eu tenho que ser cara-de-pau
Ou eu peço desconto ou fico aqui passando mal
Tenho que me rebaixar a esse ponto porque a sonolência é maior do que a moral
Eu sou mandrião eu sou calão eu sou preguicento
Eu num posso aparecer na foto a parecer sonolento
Porque pro meu pai e pra mulher eu sou mandrião
Sei que sou português
Mas eu não sou bom cidadão
Eu não tenho dignidade ou uma almofada pra repousar
E a minha cama é um sommier
E sem cabeceiras pra me suster
Almofada?
Não tenho
Eu já nasci sem uma  
E o meu sonho é ter uma almofada de sumauma
Eu queria uma almofada de sumauma
Eu queria uma almofada de sumauma
Eu queria uma almofada de sumauma
O meu sonho é uma almofada de sumauma
A minha vida é um pesadelo e eu não consigo dormitar
E eu não tenho perspectivas que vá melhorar
A minha sina é viver deitado no colchão
E ser um preguiçoso com sono esquecido na multidão
Eu sou o preguiçoso do grupo
O resto do português
Eu sou dorminhoco um dormidor um dormidão um burguês
Eu sou o preguiçoso do grupo
Eu sou preguiçoso
Eu sou dorminhoco
Eu sou mandrião
Eu sou o preguiçoso do grupo
Eu sou dorminhoco um dormidor um dormidão um burguês
Eu sou o preguiçoso
Eu sou mandrião
Noites sem dormir
São o resumo do meu ser
Eu sou filho da esponja e o meu castigo é não adormecer
Eu vejo gente dormir toda a noite e eu não tenho uma chance
Almofada! Me diga por quê?
Eu sei que a maioria de Portugal dorme
Mas eu nem chego a ter sorte ou pior que o sono se forme!
Um atrasado
Mas não fui eu que me atrasei
Porque eu num pude descansar
Então que culpa eu terei
Quando eu me revoltar quebrar queimar matar
Não tenho nada a perder
Meu dia vai chegar
Será que vai chegar?
Mas por enquanto
Eu sou o preguiçoso do grupo
O resto do português
Eu sou dorminhoco um dormidor um dormidão um burguês
Eu sou o preguiçoso do grupo
Eu sou preguiçoso
Eu sou dorminhoco
Eu sou mandrião
Eu sou o preguiçoso do grupo
Eu sou dorminhoco um dormidor um dormidão um burguês
Eu sou o preguiçoso
Eu sou dorminhoco
Eu num sou pra cama chamado
Eu num sou aprovado
Eu num sou amado
Eu num sou bom filho de Portugal
Eu num sou aparvalhado
Eu num sou estupidificado
Eu num sou beijado
Fã de esponja eu sou
Eu num sou amargado
Eu num sou bom empregado
Eu num sou pai babado
Eu num sou bom professor
Eu num sou amalucado
Eu num sou animado
Eu num sou cativado
E também sou bom comedor
Eu num sou mimado por ninguém
Eu num sou indicado pra ninguém
Eu num sou companhia de cama de ninguém
E eu num posso ser visitado por ninguém
Além da minha triste sonolência eu tento entender a razão da minha existência
Por quê que eu nasci?
Por quê tô aqui?
Um penetra no inferno sem lugar pra dormir
Vivo na solidão mas não tenho privacidade
E não conheço a sensação de ter uma almofada de verdade
Eu sei que eu não tenho ninguém pra dividir a almofada comigo
Mas eu queria ter uma almofada de sumauma amigo
Eu queria uma almofada de sumauma
Eu queria uma almofada de sumauma
Eu queria uma almofada de sumauma

O meu sonho é uma almofada de sumauma

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88. Evita a inveja negativa

A inveja negativa é aquela em que os outros desejam algo que tu tens ou conseguiste e gostavam que tu a perdesses e batesses duro no chão. Dessa evita, faz-te mais mal ao fígado que uma garrafa de vodka e torna-te uma pessoa realmente estúpida e azeda (tipo, alcoolicamente falando, bêbedo azeiteiro). A sentires inveja, só a positiva, daquela que te faz olhar para algo que outra pessoa conseguiu e ambicionas atingir o mesmo mas sem lhe desejar qualquer mal. Não te vou mentir que o teu sucesso depende maioritariamente de ti mas há componentes externas de sorte que podem influenciar (não falo de “Cunhas” ou mesmo de “cunhas”, falo por exemplo de estar no sítio certo no momento certo). Acima de tudo, procura superar-te e ser tão bom ou melhor que os outros mas crescendo com eles. Só és melhor, tornando os outros melhores, pois ninguém vence sozinho. Os invejosos negativos, rancorosos e chicos espertos mais cedo ou mais tarde pagam a factura. Chama-se karma…what goes around, comes around!!!

(Uma música clássica de um álbum todo ele, diria, muito dado a reflexão…what goes around!!! comes around!!!)





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87. Assume os teus erros

Começamos logo em pequenos a não assumir os erros, está na nossa natureza. Terás dito em tenra idade coisas como lavaste as mãos ou limpaste bem o rabinho (e estarem encardidos), que não tens trabalhos de casa (apesar da professora os ter passado), que foi um amigo teu que chutou a bola contra o vidro da janela do vizinho (mas eu é que vou ter que pagar) e, fazendo a ponte para hoje quando estiveres a ler isto, que o outro é que foi o culpado do teu carro ir para a sucata (mas o seguro só vai pagar a reparação dele e não a tua). O que aprendi do alto dos meus 34 anos (equivalentes a 20 e poucos numa mulher em termos de maturidade – não é um erro mas um facto) é que vais errar muito e vais mentir muito sobre esses erros. Pior, vais ter uma tremenda dificuldade em pedir desculpa pelo erro. Muito importante assim cinco coisas. Primeiro aprender a assumir o erro. Segundo aprender a pedir desculpa pelo mesmo. Terceiro, aprender alguma coisa com o erro. Quarto, aprender com os erros dos outros para não os fazeres. Quinto e não contraproducente com o Quarto – não ter medo de errar – a propósito sobretudo de ideias de negócio (tentar beber uma grade completa de “Mine’s” sem urinar, saltar da ponte de Vila Franca todo nú e bêbado, fazer a barba com uma faca, andar com duas miúdas ao mesmo tempo e não saberem uma da outra, entre outros que te poderei enumerar, não são erros que integrem esta categoria).
(Provavelmente ainda vai existir este sistema operativo quando perceberes de computadores. Quando o teu pai começou a mexer em computadores, 97% tinham este sistema operativo e erros era coisa que não faltava) 
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86. Aproveita as férias

Aproveita as férias para viver experiências diferentes com a tua família e amigos. Conhecer novos sítios, novas pessoas, novas comidas mas sobretudo fazer algo o mais diferente possível do dia-a-dia. Pelo caminho autorizo-te a apanhar uma ou duas bebedeiras mas sem colocar em perigo a tua vida, isto é, nada de conduções ou outras coisas altamente disparatadas. Não precisas de ir muito longe para te divertires, nem de gastar muito dinheiro, dependerá mais da tua criatividade e das pessoas com que estiveres. Dar-te-ei uns bons exemplos neste sentido mas posso-te dizer desde já que pasta de dentes também serve de gel de banho e sardinhas em lata fazem um excelente paté.


(Férias é isto)


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85. Trabalha a memória

É impressão minha ou eu prometi-te a 23 de Maio pelas 21h05 escrever-te um conselho por dia? A verdade é que os 34 anos e os 3 cabelos brancos já pesam um pouco e a memória não vai ficando melhor. Neste sentido, trabalha a tua memória com exercícios simples e complexos. Nos simples, nada como recordar bem o nome das pessoas que conheces; de lembrar-te de todas as coisas que irritam a tua mãe, pai ou namorada para não as fazeres (ou fazeres de propósito); recordares datas importantes como o dia em que o teu pai vendeu o Mini Cooper S para comprar um carro familiar para andar com todo o teu material (estou a brincar, que vendia tudo o que tenho e mais um par de botas para te ter neste mundo). Nos complexos…já não me recordo, pelo que faz o que muita gente esperta faz, vai ao google.

(Como “Recordar é Viver”, deixo-te uma música lançada no ano em que o teu pai nasceu)