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45. Sorri com frequência

Não custa dinheiro, os dias ficam mais preenchidos e quem te rodeia sente-se melhor, se sorrires com frequência. Vais chegar ao fim do dia, da semana ou mesmo do ano e olhar para muitas das situações que quase te fizeram chorar (sim que os homens não choram) e sorrir, pois afinal não foram nada de mais. Diz a sabedoria popular “que só a morte é que não tem solução”. Eu dir-te-ei a morte e o Euromilhões que teima em não sair ao teu pai (mentira, já saiu no dia em que tu nasceste!).

(Um dos primeiros stresses do teu pai foi quando teve um acidente com a Suzuki Wolf do teu tio Pedro e quando ele chegou a casa veio com cara de mau de quem me queria bater e quando chegou ao pé de mim riu-se à gargalhada e perguntou-me se me tinha magoado)
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44. Viaja muito

Viaja pelo teu país mas e, sobretudo, por outros países e outras culturas. São um rol de experiências que vais viver. Do amor (Torre Eiffel em Paris), ao espanto (lagoa no Brasil com argila num lugar paradisíaco cuja entrada custava…50 cêntimos!) , à resignação (casa da Anne Frank em Amesterdão), à surpresa (azulejos na Tunísia que chegaram lá pela mão dos portugueses há alguns séculos), à proximidade (ver o quadro Guernica do Picasso aqui ao lado em Espanha), entre tantos outros que te desafio a descobrir. Só te sugiro duas coisas: procura locais que tenham sempre alguma história e vai acompanhado, que viagens a dois geram sempre histórias mais engraçadas e é mais seguro.

(A primeira vez que fui ao estrangeiro foi a Badajoz, aqui na vizinha Espanha em busca do melocoton, gomas e rebuçados el casero; estavam 45 graus e as lojas estavam todas fechadas; a tua bisavó paterna fartou-se de dar peiditos dizendo que eram para os espanhóis que tinham as lojas fechadas)
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43. Mantém-te a par do que se passa no mundo

Terás mais acesso a informação que qualquer geração anterior à tua (para teres uma ideia a tua bisavó não sabe ler nem escrever). Neste sentido, mantém-te a par do que se passa de mais importante nos principais sectores da sociedade em Portugal e no mundo. Uma pessoa informada tem sempre mais trunfos perante, praticamente, todas as situações da vida. Já viste que não sabes como um carro é feito? Ou algo tão simples como o papel? E não me respondas que é para isso que existe o Continente. Para te habituares o teu vai pôr-te a ver logo cedo programas como “Man Vs Wild” ou “How is it made” e a ler livros e jornais (começas logo na casa de banho quando estiveres a aprender a fazer cócó; fica já a explicação para o mistério de em muitas casas de banho encontrares revistas, as pessoas gostam de se actualizar aí, não tendo nada a ver com prisão de ventre ou afins).

(Primeiro jornal que o teu pai leu)
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42. Assenta entre os 27 e os 30

Não estou a dizer que não o faças antes. A tua geração terá acesso a mais informação que qualquer outra e como tal conto que esteja melhor preparada que a da tua avó, em que com 16 anos se pensava que os bébés nasciam debaixo do braço ou vinham de França (se tiveres 5 anos e a ler este conselho, ainda vêm de França mas agora ao invés de camião é de avião mesmo). Digo-te para o fazeres entre os 27 e os 30 para aproveitares a vida e, sobretudo, amadureceres e tomares as decisões já com bastante experiência de vida. Reitero, não invalida que o faças antes, mas nada como “crescer” um pouco antes de assentar (nós homens demoramos mais tempo a “amadurecer”, talvez se fosses mulher a tua cabeça estaria feita mais cedo, dizem).

 (Casamento da tua mãe com 27 e o teu pai com 30 ;))
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41. Participa numa largada de touros

Quando eu digo participa é a ver de fora e a comer sardinhas, bifanas, caracóis e a beber umas cervejas. Não te quero na “arena” a fugir do touro, pois lembra-te que tu tens tracção a duas pernas e ele a quatro e há quase sempre alguém que morre todos os anos. É um espectáculo único, que na tua terra de origem já tem longa tradição e acontece duas vezes ao ano. Agora em Julho tens o Colete Encarnado e em Outubro, a Feira de Outubro. Vais ver que o touro é um animal lindo, pela força, pela garra, pela imponência (o teu pai pensava que era como as vacas mas quando viu alguns pelo tamanho dos ombros pensou duas vezes). Se ainda for permitido no teu tempo, não percas a possibilidade de ver a força deste animal contra a destreza ou infortúnio de alguns homens dentro das tronqueiras (atenção que te falo de largadas, tourada é outra coisa que deixo ao teu critério assistires ou não). Pelo caminho, vais ver que qualquer terra que tenha largadas (aqui à volta de Vila Franca de Xira e mesmo noutros locais é tradição), há sempre outros pólos de interesse como os comes e bebes (o teu pai e mãe não perdem um pão com chouriço ou uma farturinha quentinha em cada edição) nas várias tertúlias e ainda algumas bebedeiras de caixão à cova que andam a cantar pelas ruas a noite toda.


PS: nunca deixar o carro nas ruas onde os touros passam, uma vizinha da tua mãe teve uma porta corneada (como é que explicas ao seguro para te pagar depois, “fenómeno natural”?)

(Largada de touros na tua terra)




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40. Vê séries

Se há coisa que dá descanso ao teu cérebro são as séries de TV. As que gravei melhores na memória da minha infância foram o A-Team (na altura numa tradução brasileira Herbert Richard “Esquadrão Classe A”) que tinha uma equipa de ex-militares que resolvia problemas às pessoas, Knight Rider (aka “O Justiceiro”) que tinha um carro preto que andava sozinho e era chamado por relógio que todos queríamos ter, o MacGyver, que era um tipo de penteado interessante que juntava um elástico e uma pastilha e fazia uma bomba. Mais tarde, já mais interessado nas raparigas, o Baywatch (aka “Marés Vivas”) que tinha umas poucas moças da Playboy e o mesmo herói de “O Justiceiro”. Deixava-te uma lista interminável mas vou-te referir apenas mais três, recentes. À cabeça Californication que…procura no youtube que percebes, House, um médico “diferente” que resolvia casos únicos e o Mad Men, que tem a ver com o mundo fantástico da publicidade mas com personagens, cenários, roupas e ideias geniais. No teu tempo terás outras, distrai-te com elas.

(Abertura do Esquadrão Classe A)
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39. Conhece de cor a tua terra

Começa pelos melhores sítios para comer e beber e daí parte para os monumentos, museus e outros locais históricos. Tendo essa base, descobre as verdadeiras pérolas da tua terra. Aponto-te já uma da tua terra e da tua mãe e outra da do teu pai, claro está associado a comida. Em Vila Franca de Xira tens junto ao Pingo Doce um dos melhores sítios para comer courato de todo o Portugal, é tão refundido que só descobri o nome hoje, passado vários anos a viver cá (“O Túnel”). Em Cascais, deixo-te a “Fonte”, um restaurante perdido em Alcabideche, ainda longe do tradicional Guincho onde comes mais barato marisco que na linha turística junto ao mar.

(Mariscada da “Fonte”, regra geral o teu pai comia uma para três com o teu tio Casaca)
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38. Anda de bicicleta

Tenho-te falado de carros e de motas mas nada como começar nas bicicletas. O prazer de pedalar e sentir o vento na cara é único. Tudo depende de ti. Comecei aos oito anos sozinho e com uma parede como primeiro travão. Perdi a conta às bicicletas que tive mas não ao sonho de ser mecânico destas quando fosse adulto. Lembro-me de ter uns Michelin Cobra na BMX e de trocar para pneus mais velhos para fazer travagens de vários metros a chiar (os Michelin Cobra eram para voltas especiais). São horas de prazer, sozinho ou acompanhado. Vais adorar! (o teu rabo nos primeiros tempos é que nem por isso).

(Só há uma música que se pode ouvir sobre bicicletas é esta)
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37. Experimenta um brunch

Apesar do teu pai gostar de acordar cedo é um fã confesso do brunch (breakfast + lunch). Ainda não consegui perceber com duas semanas de vida se és madrugador ou não (tanto tens passado noites em branco e dormido de dia como o inverso) mas com a tua namorada ou com um conjunto de amigos experimenta este pequeno/grande almoço. Recomendo, sobretudo, o Delidelux (vista, ovos, croissants) mas tens também o Kaffeehaus (sumos), o Noobai (vista) e o Quinoa (saudável), entre tantos outros.

(Um dos primeiros brunch do teu pai no Delidelux)