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65. Pára para pensar com frequência

Vou-te confessar um grande problema que a sociedade actual em que nasceste tem – a maioria das pessoas tem medo de parar para pensar nas suas vidas! Arranjam-se 30 mil coisas para ocupar o dia e assim não pensar o que realmente se quer fazer para a frente. É quase indiferente a idade, género, formação, ou qualquer outro factor, poucos tiram 10 minutos do seu dia para pensar nos próximos 50 anos que lhe faltam. Neste sentido, em silêncio, em debate com a família, com os amigos, a namorada, o cão, a almofada, o canário de plástico do chinês, o teu desperdício no WC, o que seja, pára para pensar com frequência. Mais, pensa diferente!

(Slogan fabuloso de uma marca que ensinou uma coisa ou duas a este mundo – “Think Different”; infelizmente não foi o teu pai que inventou, slogan e esta marca)



PS: No entanto, e muito importante, pensa mas não penses em demasia, pois se pensares demais acabas por não fazer nada com medo das consequências.

(Um dos homens que o teu pai e os teus tios Casaca e Rente têm grande admiração como te explicarei num conselho posterior)


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64. Aprende a gostar do silêncio

O teu mundo está repleto de barulho. Regra geral, o dia começa com as grades do café às 5h30 e acaba com os gritos da vizinha para as filhas e marido às tantas da noite (quando não é às 2h00 da manhã o marido a chegar-lhe a “roupa ao pêlo” com a cama quase a desfazer-se – explico-te este conceito da “roupa ao pêlo” no conselho 69). Das duas uma, espera pelas altas horas da noite (aqui em casa das 2h às 5h30) para apreciar o silêncio puro ou então agarras em ti e vais até ao alto de uma bela serra, sentas-te, respiras fundo e ouves o silêncio. O silêncio serve para muitas coisas, uma delas e a principal é a que te vou falar no próximo conselho. Curioso? Manda um berro e manda calar toda a gente em casa e desliga tudo o que faça barulho até o próximo conselho entrar no teu computador ou qualquer outro gadget onde estejas a ler isto (pelo andar da tecnologia já deve ser a sanita a ler-te).

(Deixo-te uma das músicas mais brilhantes que conheço para aprenderes este conselho – “4 minutos e 33 segundos”)
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63. Lava os dentes

Para ti vai ser tão simples seguir este conselho como ir ver um jogo ao Estádio da Luz. Repara que nem um mês tinhas já os teu pais te limpavam leite das gengivas. Fá-lo sobretudo porque uma ida ao dentista, regra geral é como uma ida ao mecânico com o carro – há sempre qualquer coisita que não está bem ou que pode ser melhorada. O teu pai andou muitos anos à procura do dentista certo, pois é o médico que menos gostava de ir (não gosto de ir a nenhum porque o motivo é sempre algo não estar bem) e descobriu, via Tia Mafalda, o Dr. Tição. O Dr. P. desculpa T. é tão bom que até o consultório tem a rua com trânsito proibido, guardada por polícia com G3 (não tem nada a ver com a embaixada de Israel ser no mesmo prédio).

(A coisa mais parva que o teu pai já viu relacionada com dentes…esta e a conta do dentista antes de ter seguro de saúde)
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62. Bebe muita água (e só água!)

O único vício do teu pai nesta vida (para além da tua mãe e agora tu) são os refrigerantes. Neste sentido, desde já te aviso que refrigerantes quando os puderes beber acabam lá em casa, tipo “pai que deixa de fumar pelo filho” (ainda vou a uma programa da tarde falar disso!). As vizinhas vão todas chorar por não me ver em boxers a beber a minha Coca-Cola Zero é certo, mas poderão ver-me a beber uma Vitalis e em dias de festa uma bela Evian. Se de refrigerantes já te dou o aviso, alcóol então nem pensar. Os efeitos nefastos que o teu pai nunca sentiu (nem para aí uns quatro vezes forte e feito), as baboseiras que fazes, muita vezes irremediáveis (nunca fiz, pois nunca bebi alcóol na vida) e os neurónios que se queimam não compensam (dizem). Águinha, é barata, tens muita variedade e é tão importante que 75% do teu corpo é constituído por ela, já existem restaurantes com cartas de água e cursos superiores sobre as mesmas.

PS: um vinhinho aceito mas q.b. e de qualidade

(Já te viste a fazer figuras destas?) 
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61. Arruma as coisas sempre no mesmo sítio

Digo-te isto não por ser um pouco (muito) obssessivo-compulsivo com o lugar das coisas mas sobretudo porque arrumando as coisas sempre no mesmo sítio mais facilmente vais encontrá-las. Mais, falo de coisas físicas mas também emocionais, isto é e retornando a um conselho que já te dei das famílias (conselho 26), o espaço que a família, amigos e afins ocupam na tua vida não deve diminuir perante outras coisas. Ser arrumadinho pode não parecer cool mas salva-te de muitos stresses e muitos ralhetes do teu pai (e mais tarde da tua namorada/ mulher e do teu patrão).

 (O teu pai quando era miúdo e ia ás compras com a mãe passava o tempo todo a arrumar as prateleiras para deixar tudo direitinho)
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60. Aprecia espectáculos ao vivo

Por  muitos blue-ray, TVs HD ou tablets HD que possas ter, nada como ver os espectáculos ao vivo, sejam de música ou outros. Há alguns que acho fundamentais veres: festivais de música (por todo o ambiente), ópera (pela beleza e capacidade vocal), tourada (a parte dos forcados, pelo homem Vs animal), teatro (todo o tipo, pela existência de apenas um take aos actores para fazerem o seu papel) e culturais diferentes como os dos STOMP (percurssão) ou dos The Voca People (capacidade vocal). Aponto-te, talvez e mesmo talvez, os três melhores que vi até hoje: Skunk Anansie no Coliseu dos Recreios em 1998, STOMP no CCB no ano 2000 e mais recentemente (2011) os The Voca People no Casino de Lisboa que te deixo aqui o vídeo promocional:

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59. Escolhe bem a vizinhança

O teu pai praticamente nunca soube o que era boa vizinhança.Quando era puto, o inquilino do vizinho do lado para além de chegar tarde e amás horas, mandava peidos de meia noite (ou melhor das 3, 4 e 5 da madrugada).Quando se foi embora, passei a apanhar pessoal a praticar o amor nas traseirasda casa bem juntinho à minha janela durante a noite. Saído da minha terra Natalpara a tua, apanhei uma vizinha que só sabe falar aos gritos, cujo marido é dapolícia da intervenção mas as calças lá de casa são vestidas por ela. Só por estes dois exemplos – escolhe bem a tua vizinhança!
(Dica: nada como apanhar a porteira do prédio para te informares sobre onde foste parar em termos de vizinhança. A nossa aqui, sabe mais que a TROIKA. Atenção que esta é a tua futura casa no Chiado; o teu pai está a tratar de a comprar lá para 2050)
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58. Aprende a nadar

Apesar do teu pai ter nascido e vivido 30 anos em Cascais e a tua mãe ser do Ribatejo mesmo juntinho ao rio, nenhum de nós sabe nadar. Tudo se deve a uma das primeiras músicas rap que surgiram em Portugal que a nossa geração gostava muito, nomeadamente o “Não Sabe Nadar” dos Black Company. Nada disso, não calhou. Mas tu não podes cometer o mesmo erro que nós. Saber nadar é crucial, quer para desfrutares da praia em pleno (os teus pais adoram o mar mas só podem ficar à bordinha), quer para qualquer ocorrência inesperada. O teu pai viveu uma cheia em Cascais (e salvou um cão de se afogar mesmo sem saber nadar; a água não chegava ao joelho, diga-se), o teu avô três e Vila Franca de Xira no passado era frequente ter as ruas inundadas.

(A única vez que o teu pai ficou sem pé no mar, diz a tua mãe que os meus olhos ficaram iguais aos do Coyote da banda desenhada quando via que o chão já não existia debaixo dos pés)
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57. Aprende a gostar das 2ª Feiras

A maior parte das pessoas odeia o final de Domingo e a Segunda-feira porque significa o regresso a algo que lhes parece uma obrigação, como a escola ou o trabalho. O segredo está em gostares do que fazes, seja na escola ou no trabalho. Escolher o curso certo, o trabalho certo ou simplesmente olhar para a escola ou o trabalho com uma perspectiva de fora para perceber o que tem de bom. No entanto, deixo-te o alerta que nem sempre vais conseguir fazê-lo, pois um dia não são dias e dias maus vão surgir por vezes (tanto à Segunda como à Terça, Quarta, Quinta, Sexta ou Sábado; estes dois últimos habitualmente menos).

(Primeira música que me ocorreu sobre as Segundas)
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56. Acampa com amigos

O teu pai começou em 98 a ir para uma terra desconhecida chamada Porto Côvo (pelo caminho ainda parou em Melides; primeira experiência de acampamento com alguns episódios giros como enterrar o carro na areia). Saiu de Lisboa com os colegas de faculdade e hoje grandes amigos com 250 euros (na altura 50 contos) para 3 semanas de férias entre o Alentejo e o Algarve no seu dulcinante branco – Opel Corsa 1.0. A acampar, 250 euros rendiam. Começámos em Melides, passámos para Porto Côvo e Vila Nova de Mil Fontes e fechámos em Aljezur. Não descemos mais que o teu pai arrebentou acidentalmente com uma bilha de gás em Vila Nova de Mil Fontes com algumas consequências chatas que te contarei pessoalmente. Só dessa viagem foram muitas histórias mas digo-te que armar a tenda, cozinhar, lavar a louça, ir beber copos à noite, conversas perdidas entre tendas e mesmo a vizinhança não tens igual em nenhum hotel do mundo. Mais, o teu país tem parques de campismo por todo o lado, desde junto à praia, a serra ou mesmo a dois passos dos centros urbanos. É só escolheres e aproveitar!

(Parque de campismo Monte Branco em Porto Côvo, onde acampei de 1998 a 2006, fiz as primeiras férias com a tua mãe e eu e os teus tios Rente, Casaca, Vera, João e Elsa temos umas boas histórias)